O primeiro carro novo a gente nunca esquece. Principalmente quando logo no segundo dia você descobre uma infiltração que deixa o tapete do passageiro submerso. Aliás, uma infiltração companheira: ela não abandonou nosso Palio mesmo depois de duas idas à oficina, de muitas horas perdidas de sono e de trabalho e de várias ligações confusas ao atendimento da Fiat.
Na primeira vez, eu ainda imaginava que aquele vendedor sorridente e disposto a fechar negócio daria um jeito de me ajudar. Eu liguei para ele, expliquei como foi chato o que aconteceu e como eu iria ter problemas se ficássemos sem carro durante o conserto, mas o máximo que consegui dele foram dois números de atendimento e a informação de que não poderia fazer mais nada pra me ajudar.
Como funcionam esses números? Bem simples: um serve pra botar a culpa no outro. Depois de algum tempo, as regras ficam claras: primeiro você leva o carro pra arrumar com a ajuda de um deles (o do atendimento da Fiat) e só depois que você ficar na rua por ter deixado o carro no conserto é que você liga para o outro número pra eles avaliarem se te dão ou não um carro reserva (o serviço Confiat), o que pode levar até 3 dias para acontecer.
Comprei esse Palio na concessionária Amazonas da avenida Sumaré (em São Paulo), que não me ajudou em nada e era longe pra deixar o carro no conserto. Liguei em outra revenda, a Sinal da Bela Vista, que era mais perto de casa e na qual me disseram que não tinham espaço pra pegar carro com infiltração naquela semana. Resolvi, então, tentar um outro lugar, no qual eu não precisaria esperar o carpete de meu Palio novo mofar, e fui até a Itavema, de Santo André, onde ao menos poderia pegar um carro emprestado de um familiar.
Assim que devolveram o carro, peguei outra chuva e, para minha surpresa, novamente o carro ficou cheio dágua. E não apenas isso, como agora o filme do vidro possuia buracos. Me ligaram da Fiat para avaliar o serviço com uma nota de 1 a 10. Dei ZERO. Me ligaram da Itavema pra saber o motivo e eu expliquei. Algum tempo depois, o funcionário que recebeu a nota baixa me ligou pra que eu mudasse minha avaliação dele, porque iria prejudicá-lo. E eu com isso? Fiquei uma semana com carro emprestado, perdi 4 horas pra levar o carro na concessionária em horário comercial e, ao final de tudo, tinha um Palio no qual entrava água e um mecânico querendo tirar satisfação comigo.
Voltei à Amazonas pra falar com a Andrea, a gerente de novos, e o Laércio, que vendeu o carro. Primeiro conversei com o Laércio sobre a situação e lhe disse que queria trocar o carro. Ele disse que tudo bem, mas que ele teria que avaliar o carro pra saber quanto ia me custar trocar por outro novo. Parece piada! Depois de ver que não chegaria a lugar algum com a gerente, liguei para o Procon dali mesmo, o que foi bem difícil porque ela ficou dizendo ao fundo que eu estava mentindo, atitude um tanto insólita vindo de uma profissional. O atendente do Procon foi solícito e me disse que eu precisava de duas ordens de serviço decorrentes do mesmo problema pra pedir a troca ou a devolução. Deixei o carro para consertar lá na Amazonas por falta de opção. Quanto ao filme com buraco, eles ainda queriam cobrar para trocar, então deixei quieto. Nós só queríamos que isso se resolvesse pra continuarmos nossa vida, que já é bem corrida com trabalho todo dia e pós-graduação ocupando várias noites da semana.
Recebemos o carro de volta no mesmo dia e passei 2 meses temendo pegar uma boa chuva. Eis que ela veio nesse feriado e, de novo, tenho um carpete molhado. Fizemos a opção de comprar um carro novo para não termos problemas com oficina, mas esse Palio deu mais problema do que muitos carros usados. Liguei para o vendedor pra agradecer por todo o apoio que recebi depois que ele teve a comissão dele, aproveitei para avisar que agora sim vou ao Procon. Também liguei para a Fiat esperando alguma sensatez, mas não é isso que se obtém de atendimentos telefônicos que dependem do humor do atendente.
A história é mais longa do que isso, mas para entrar em todos os detalhes seria necessário muito mais do meu tempo e do tempo de todas as pessoas que espero lerem isso. O que recebi da Fiat em troca de confiar na marca foi desrespeito. Não pretendo transformar novamente os ganhos do meu trabalho em um patrimônio feito de qualquer jeito por uma empresa que trata um problema desses como algo banal e sem importância. Só quero meu dinheiro de volta pra comprar um carro que possa pegar chuva: seja Ka, Celta ou Gol. Mas Fiat, nunca mais!
Comprova-se mais uma vez que a máxima é verdadeira: "FIAT - Fui Iludido, Agora é Tarde".
Comentários (5)
Thiago Serra
19/07/2010 18:26
Acabei de achar outro consumidor com o mesmo problema:
http://www.reclameaqui.com.br/605558/fiat/carro-palio-fiat-2010-com-infiltracao-deagua/
herbethnhenrique aguiar nunes
30/05/2010 12:06
quando chove meu palio incharca dentro do veiculo,no piso do lado motorista... nem a fiat sabe por onde e!!!
Thiago Serra
07/04/2010 10:34
Atualizações do meu problema:
- Fui ao Procon e entreguei uma notificação do Procon à Fiat.
- Recebi uma ligação de um gerente da Itavema que queria que eu levasse o carro lá pra arrumar o filme e eu disse que nunca. Ele desligou o telefone.
- Liguei de novo no 0800 e descobri que o protocolo foi fechado porque eu me recusei a levar o carro na Itavema. Mandei abrir de novo.
Alberto Miranda
06/04/2010 19:17
Eu recebi isso daqui de Belo Horizonte! Vou repassar também.
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