
TAM leva vantagem sobre GOL, mas ambas devem sofrer com cenário adverso
Fonte Infomoney
Reclame Aqui 21-07-2008
Desde a tragédia de 2007 até o fechamento da véspera, TAM e GOL acumulam desvalorização de seus papéis preferenciais de 46,5% e 72%, respectivamente. E mesmo após boa parte dos problemas de estrutura área - que vieram à tona por conta dos dois episódios fatídicos - ter sido solucionada, as empresas enfrentam um cenário adverso ocasionado pela alta cotação do barril de petróleo.
Intervenções da Anac
"O que pode acontecer daqui para frente são novas intervenções da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), no sentido de aumentar a eficiência operacional", prevê a equipe de análise da corretora Socopa, em relação aos desdobramentos da crise aérea.
Medidas como a liberdade tarifária de vôos na América do Sul, já aprovadas, e em rotas internacionais, poderiam ser mais um impacto nas margens de ganhos das companhias, alerta a corretora. Neste caso, a TAM seria a maior prejudicada, já que avançou para 75,3% do market share do segmento de vôos internacionais.
Petróleo, o vilão
Os elevados preços do petróleo levaram a reajustes substanciais no querosene de aviação em todo o mundo e as companhias brasileiras ainda não chegaram a tomar medidas tão drásticas quanto suas pares estrangeiras, como a demissão de funcionários e o cancelamento de encomendas de aviões, mas já sofrem com o aumento de custos.
"Contando o último reajuste ocorrido em julho, calculamos um aumento de aproximadamente 35,5% no querosene de aviação em 2008", aponta Marco Saravalle, analista da corretora Coinvalores.
"A TAM nos passou um número, inclusive seria interessante se a empresa informasse isso em relatório, que uma oscilação de US$ 1 no WTI tem um impacto de US$ 15 milhões no seu fluxo de caixa operacional", revela Saravalle.
TAM e GOL praticam operações de hedge, que visam amenizar a perspectiva de alta do óleo, porém, tanto o analista da Coinvalores quanto a equipe da Socopa avaliam que a estratégia de hedge da TAM é mais bem estruturada que a da GOL.
"As companhias têm conseguido repassar parte destes custos para suas passagens aéreas, mas não temos observado esse reajuste no resultado", explica Saravalle, que alerta ainda para o fato de que a demanda continua aquecida. Segundo os últimos dados da Anac, subiu 10,3% em junho, na comparação anual.
TAM x GOL
Os analistas também concordam que a TAM tem demonstrado maior controle de despesas. "Como a GOL é uma low cost, a alta do combustível a afeta mais", explica a Socopa. A corretora prevê que os resultados da TAM serão sensivelmente melhores que os da GOL, uma vez que esta última demonstra números piores segundo a prévia recentemente divulgada.
Além disso, esclarece Saravalle, a taxa break even de ocupação (que mede o retorno em relação à oferta de assentos e à ocupação das aeronaves) é decisiva para a rentabilidade das companhias. "Estamos de olho na questão dos custos, mas também é importante observar como as companhias têm conseguido equilibrar oferta e demanda". O analista afirma que, após investimentos pesados em expansão da frota realizados pelas empresas nos últimos meses, a ocupação continua fraca.
A GOL também sofre mais diante do cenário adverso por conta da Varig, que ainda não conseguiu trazer retorno, julgam os analistas. Por fim, a entrada da Azul no mercado nacional e a Trip conseguindo mais autorizações de vôos também abalam o setor. "Mesmo que seja quase um duopólio, a concorrência pode vir a impactar TAM e GOL", avalia Saravalle.
Sendo assim, a Socopa recomenda manutenção para os papéis de ambas as aéreas, enquanto a Coinvalores afirma que irá revisar os preços-alvos em breve, e aconselha manutenção de TAM e venda de GOL.
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