Abuso de Vendedores: Compra de Jogos de Panelas sob Coação e Informações Enganosas

Não respondida
Sorocaba - SP
04/06/2026 às 16:21
ID: 250539375
No dia *****, por volta das *****, ao sair do SOROCÁ Atacadista, localizado na Av. *****, *****, fui abordada por um casal que estava em uma caminhonete branca estacionada em frente à entrada da loja.
Os vendedores afirmaram ser de Minas Gerais e informaram que estavam retornando de uma feira, alegando que precisavam vender jogos de panelas para evitar custos de transporte e bagagem aérea. A abordagem ocorreu no estacionamento do estabelecimento, fora de qualquer loja ou ponto comercial.
Durante a negociação, os vendedores acessaram, através do QR Code existente na embalagem dos produtos, o site *****, onde constava o valor de R$ 4.999,99 para o jogo de panelas. Com base nessa informação, afirmaram que eu estaria adquirindo os produtos por apenas R$ 550 por mês, alegando tratar-se de uma oportunidade excepcional e de um desconto muito expressivo.
Em diversos momentos manifestei que não tinha interesse em adquirir vários jogos de panelas e questionei a necessidade de comprar aquela quantidade de produtos. Em resposta, a vendedora afirmou que eu poderia revender os produtos ou até mesmo realizar uma rifa e obter lucro, pois, segundo ela, os jogos estariam sendo vendidos por aproximadamente metade do valor divulgado no site.
Durante toda a negociação foi criado um ambiente de urgência e insistência. Enquanto eu ainda avaliava a proposta, os vendedores passaram a colocar os produtos diretamente no porta-malas do meu veículo, que estava aberto porque eu havia acabado de guardar as compras realizadas no SOROCÁ Atacadista. Tal conduta aumentou significativamente a pressão para que eu concluísse a compra.
Eu estava com pressa, não havia procurado os vendedores e não tinha qualquer intenção prévia de adquirir jogos de panelas naquele dia. Ainda assim, diante da insistência, da narrativa apresentada e da pressão exercida durante a abordagem, acabei realizando a compra.
As informações relativas ao preço e às condições da contratação não foram apresentadas de forma suficientemente clara, o que contribuiu para que eu não compreendesse adequadamente a dimensão financeira do compromisso assumido naquele momento.
Não recebi nota fiscal da compra.
Posteriormente, ao pesquisar sobre o caso, encontrei diversas reclamações públicas relatando exatamente o mesmo padrão de abordagem: um casal em caminhonete branca, alegando ser de Minas Gerais, afirmando estar retornando de uma feira e utilizando a necessidade de evitar custos de transporte como argumento para convencer consumidores a adquirir jogos de panelas.
A negociação foi gravada pela própria vendedora por meio de seu telefone celular, sob a alegação de que o vídeo seria utilizado para fins de uma promoção interna. Não possuo cópia dessa gravação, pois o arquivo permaneceu em poder da vendedora.
Entendo que os fatos relatados indicam possível violação aos direitos básicos do consumidor previstos no Código de Defesa do Consumidor, especialmente ao direito à informação clara e adequada (art. 6, III), à vedação de publicidade enganosa (art. 37), à proibição de práticas abusivas (art. 39, IV) e aos princípios da transparência e da boa-fé objetiva que regem as relações de consumo.
Ressalto ainda que possuo diagnóstico formal de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), comprovado por laudo médico, condição que pode aumentar a vulnerabilidade em situações de elevada pressão para tomada imediata de decisões, circunstância que contribuiu para minha dificuldade de avaliar adequadamente a negociação naquele momento.
Diante dos fatos, solicito a apuração da conduta adotada pelos vendedores, o reconhecimento das irregularidades ocorridas na negociação, o cancelamento da compra contestada, com o respectivo estorno dos valores cobrados, bem como a devolução dos 3 (três) jogos adquiridos.