Conduta excludente e discriminatória!

Não respondida
Curitiba - PR
15/09/2020 às 10:27
ID: 111990239
Essa reclamação possui mais de 3 anos e não está mais sendo contabilizada no índice da empresa
Ver todas ReclamaçõesNa segunda semana de setembro/20, decidimos começar a fazer natação, depois de longos meses de confinamento pela pandemia.
Marquei uma aula experimental para mim e para as crianças na Academia Olímpica em Curitiba, escola que meu marido já frequenta e sempre gostou muito. Ao marcar a aula, comentei que meus filhos possuem o transtorno do espectro autista - TEA, grau leve.
Eu fiz a aula no dia 10/09, com o professor Gustavo, na sede Boqueirão. A aula foi ótima e eu saí muito satisfeita.
No dia seguinte foi a vez das crianças, que fizeram a aula experimental na sede do Novo Mundo.
Minha filha de 6 anos fez a aula primeiro. Embora ela não goste das brincadeiras muito agitadas e que espirram água na cara, ela deu conta de tudo, fez a aula lindamente e saiu radiante e animada. Não via a hora de voltar.
Meu menino tem 3 anos e era sua primeira vez numa aula de natação.
Com ele foi preciso uma atenção maior. Primeiro tivemos que sentar na beira da piscina, brincar com alguns brinquedinhos e aos poucos ele se soltou e entrou na piscininha. O outro aluno da turma também mostrou bastante resistência para entrar na água. A professora disse que deixou ele mais livre nessa primeira aula.
Enquanto ele terminava a aula, eu fui fazer a matrícula com a recepcionista.
Nisso um rapaz sentou ao lado dela, interrompeu nossa conversa e se apresentou.
O nome dele era Júnior. Ele disse que era dono ou coordenador da escola e que já sabia do meu caso.
Eu não entendi o que seria o meu caso, mas ok, continuamos.
Ele disse que ja tinha conversado com a professora sobre meus filhos e que minha filha, a princípio, não teria problemas em frequentar a escola, pois conseguiu acompanhar a turma.
Com relação ao meu filho, ele disse que eles teriam que avaliar se haveria possibilidade de atendê-lo. Disse que a escola é favorável à inclusão, desde que a criança se adapte à turma, agindo conforme as demais crianças, coletivamente.
Disse que eu teria que fazer mais algumas aulas experimentais pra ver se eu poderia matriculá-lo. Falou que meu filho teria que se comportar como todos os outros alunos, fazendo as atividades propostas pela professora, para não atrapalhar o andamento da aula. Caso contrário, não teria como atendê-lo.
A medida que ele foi falando, eu fui paralisando. Pensei em falar tantas coisas, mas só consegui me calar, sem acreditar no que estava ouvindo. Eu levantei da cadeira e fui tirar meu filho da piscina, meio que em estado de choque.
Fui embora chorando.
Embora nossa legislação não obrigue a inclusão de crianças especiais em escolas de esporte e lazer, a conduta da escola foi extremamente grosseira, excludente e discriminatória.
É totalmente absurdo dizer que a escola é inclusiva desde que a criança se adapte à proposta de ensino. Inclusão é justamente o contrário: a escola deve se adaptar à criança, por razões óbvias.
Não consigo encontrar justificativas para a atitude da escola, sobretudo por se tratar de crianças que exigiriam o mínimo ou nenhuma adaptação.
Não há desculpa que não esbarre no preconceito e exclusão.
Fico imaginando o que não fariam com outras crianças, que possuem graus mais severos do TEA.
Felizmente na minha cidade eu posso contar com outras escolas de natação que podem nos atender e que se dispõem a incluir e a se adaptar, quando necessário.