De um dos primeiros clientes a uma das primeiras vítimas: meu alerta sobre a aMORA

Não resolvido
São Paulo - SP
25/05/2025 às 10:55
ID: 217940235
Essa reclamação foi publicada há mais de 1 ano
Ver todas ReclamaçõesMeu nome é *****. Fui um dos cinco primeiros clientes da aMORA. Hoje, me sinto uma das cinco primeiras vítimas.
Moro neste imóvel há 14 anos, ao lado da minha filha, *****, e de nossos três gatos. Este lugar é o nosso lar não apenas um CEP, mas o centro das nossas vidas, nossas memórias e nossas raízes.
Durante a pandemia, perdi minha mãe. Logo em seguida, fui internado na UTI com Covid-19. Sobrevivi por amor à minha filha. Saí daquele hospital determinado a garantir a ela um lar seguro.
Com muito esforço, negociei com minha família minha parte no inventário da minha mãe, com o desejo de transformar essa herança em moradia. Iniciei o processo de compra com o antigo proprietário do imóvel onde sempre morei. Consegui aprovações bancárias, mas nesse caminho surgiu a aMORA com um discurso promissor, moderno e sensível:
Você pode continuar morando no imóvel e se preparar para comprá-lo.
Parecia perfeito. Eu estava emocionalmente exausto. Acreditei.
Assinei o contrato. E fui além: gravei vídeos para o site da empresa, ofereci meu depoimento em eventos internos e externos. Virei embaixador espontâneo da aMORA. Fiz isso com sinceridade, porque realmente acreditava no modelo.
Até que um atraso de parcela mudou tudo.
Quando pedi negociação, ouvi a frase:
Você está prejudicando a carteira.
Foi ali que entendi: não somos o centro do modelo da aMORA os investidores são. Nós, moradores, somos apenas uma engrenagem.
A aMORA não é uma solução habitacional. É, na prática, uma gestora de ativos imobiliários que transfere todo o risco ao consumidor.
A valorização imposta de 12% + inflação (IPCA) torna a recompra inviável.
Mesmo quem paga tudo em dia raramente consegue atingir os 20% exigidos para financiar o imóvel ao final do contrato.
Os bancos, por sua vez, não garantem aprovação de crédito, mesmo com bom score.
E o que acontece?
Você perde tudo: o lar, a reserva acumulada, e a dignidade. E a aMORA lucra novamente, revendendo o imóvel a outro cliente com o mesmo discurso.
** Violação de direitos e omissões graves **
-Falta de transparência e acessibilidade:
A aMORA não oferece área logada para o cliente acompanhar boletos, saldo de reserva ou status do contrato.
Os boletos não são emitidos em nome da empresa, mas da securitizadora o que fragiliza juridicamente o vínculo direto com o consumidor.
Isso viola a Lei Brasileira de Inclusão (Lei n 13.146/2015), pois pessoas com deficiência ou dificuldades cognitivas não conseguem acessar suas próprias informações sem intermediários, violando o princípio da autonomia.
Além disso, o site não cumpre a norma ABNT NBR 17225, que regula a acessibilidade em serviços digitais o que pode configurar discriminação estrutural.
- Ausência de canais humanos:
Não existe ouvidoria, nem setor de atendimento com escuta qualificada.A partir do primeiro problema, apenas o jurídico e o financeiro se comunicam. O tom muda de acolhimento para coação.Isso fere o Código de Defesa do Consumidor (Lei n 8.078/1990):Art. 6, incisos III e IV: direito à informação clara e proteção contra práticas abusivas.Art. 31: publicidade deve ser verdadeira e clara.Art. 37: publicidade enganosa ou abusiva é proibida, especialmente quando omite riscos relevantes.
- Uso indevido de imagem e publicidade sensível:
Minha imagem e a da minha filha menor de idade foram usadas publicamente pela empresa até janeiro de 2025.Fiz isso de boa fé. Mas tenho provas de que outras pessoas contrataram o serviço influenciadas por esse vídeo, que agora sabemos omitía riscos estruturais.
Isso configura:
Violação do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n 8.069/1990) Art. 17 e 79: direito à preservação da imagem da criança e proibição de exploração comercial indireta.
Violação do Código Civil (Art. 20): uso indevido de imagem sem autorização específica para fins comerciais.
Violação do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) que proíbe o uso de testemunhos sem advertência clara sobre riscos e conflitos de interesse.
* O que peço com este relato:
Não estou pedindo favores. Peço apenas:
-Respeito com quem acreditou de boa fé no modelo da empresa.
-Transparência real sobre a viabilidade do comprar depois.
-Abertura ao diálogo, antes de despejos, ameaças e manobras judiciais.
A aMORA se apresenta como um produto de acesso à moradia. Mas opera como um fundo de aluguel com retorno garantido para investidores, usando a linguagem emocional para ocultar a rigidez do contrato e a fragilidade do consumidor.
** Este relato é um alerta **
Escrevo isso para proteger outras famílias. Para que nenhuma criança seja usada em campanhas de marketing sem que seus responsáveis entendam o que está por trás do discurso.
E também para propor algo maior:
Que a aMORA mude. Que o modelo de alugar para comprar realmente se torne viável, ético e centrado no cliente.
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Resposta da empresa
28/05/2025 às 19:19
Olá, Clécio.
Na aMORA, cada história que chega até nós importa, especialmente quando envolve confiança, expectativas e o sonho de um lar. Sabemos que morar vai muito além de um endereço: é sobre pertencimento, estabilidade e memórias construídas ao longo do tempo. Por isso, ouvimos seu relato com respeito e atenção.
Valorizamos profundamente cada cliente e levamos muito a sério todas as experiências compartilhadas. Críticas construtivas são fundamentais para aprimorarmos nossos processos e fortalecermos nossa missão. Ao mesmo tempo, quando surgem informações que não refletem integralmente o funcionamento do nosso modelo ou o que foi estabelecido contratualmente, temos a responsabilidade de esclarecer os fatos com transparência, empatia e objetividade, tanto para respeitar quem já está com a gente quanto para proteger quem ainda está conhecendo a proposta da aMORA.
Dito isso, vamos responder ponto a ponto do seu relato.
1. Sobre o modelo da aMORA:
A aMORA foi criada para resolver um problema real e urgente: o acesso à casa própria no Brasil. Sabemos que milhões de famílias hoje se sentem excluídas desse objetivo. Por isso, desenvolvemos um modelo que combina moradia imediata com a construção de uma entrada futura, com previsibilidade, transparência e flexibilidade.
Já são mais de ******* clientes que assinaram com a aMORA. Desses, mais de 15 já concluíram o ciclo com sucesso e compraram definitivamente seus imóveis, mostrando que é possível transformar o aluguel em um caminho viável e estruturado para a conquista do lar. Esses resultados comprovam a viabilidade do modelo e o impacto positivo na vida de dezenas de famílias.
Nosso modelo se baseia na valorização histórica dos imóveis na cidade de São Paulo, que apresenta um crescimento médio de aproximadamente 4% ao ano. Em *******, por exemplo, segundo o índice FipeZap, a valorização acumulada dos imóveis residenciais na capital foi de 6,56%, o que confirma a tendência de alta consistente no mercado paulistano.
Essa valorização contínua é um dos pilares que justificam os índices de correção aplicados nos contratos da aMORA (12% ao ano + IPCA), permitindo o equilíbrio financeiro da operação ao mesmo tempo em que garante previsibilidade para todas as partes envolvidas. Além disso, nosso modelo protege o cliente em cenários de supervalorização da região, já que o valor de recompra do imóvel é previamente definido em contrato, trazendo segurança e estabilidade ao planejamento financeiro de quem está construindo o caminho rumo à casa própria.
É importante destacar que a maior parte dos clientes que recompram o imóvel da aMORA o fazem antes de completar os 36 meses de contrato, o que mostra que, sim, é possível atingir a meta estabelecida. Nosso time está sempre disponível para apoiar os moradores nessa jornada e esclarecer todas as dúvidas sobre o processo.
Reforçamos que todas as condições estão previstas no contrato assinado por ambas as partes, com transparência e clareza.
2. Sobre transparência e acessibilidade:
Gostaríamos de reforçar que todos os nossos clientes têm acesso às informações essenciais para acompanhar seus contratos, pagamentos e saldos por meio de comunicações regulares enviadas por e-mail. Além disso, nosso time de atendimento está sempre à disposição para prestar suporte, como já demonstrado em diversas ocasiões ao longo dos últimos meses.
Embora os boletos sejam emitidos por uma securitizadora, conforme previsto pelas normas legais e contratuais que sustentam nosso modelo de negócio, isso não compromete em nenhum momento o vínculo jurídico com a aMORA, nem afeta o atendimento dedicado que oferecemos aos nossos clientes.
Permanecemos totalmente disponíveis para esclarecer dúvidas, prestar suporte personalizado e fornecer extratos detalhados sempre que necessário.
Quanto à acessibilidade digital, reconhecemos que ainda há oportunidades de melhorias e estamos trabalhando para ampliar e aprimorar os recursos disponíveis. Nosso objetivo é garantir que todos os clientes possam acessar suas informações com autonomia e facilidade.
3. Sobre os canais de atendimento e a escuta aos clientes:
Lamentamos sinceramente que você tenha se sentido desamparado em algum momento da sua jornada conosco. A percepção de acolhimento é uma prioridade para a aMORA, especialmente porque lidamos com algo tão sensível quanto o acesso à moradia.
Queremos esclarecer que não há ausência de canais humanos em nosso atendimento. Desde o início da sua jornada com a aMORA, nossa equipe esteve disponível para esclarecer dúvidas, intermediar situações e oferecer o suporte necessário.
Nossos canais oficiais, como e-mail, telefone e meios digitais, estão ativos e acessíveis a todos os clientes, com atendimento humanizado e transparente. No seu caso específico, isso foi comprovado com a realização de 5 reuniões virtuais com representantes do time da aMORA apenas em *******, reforçando nosso compromisso em manter um relacionamento próximo e aberto ao diálogo.
O contato direto com áreas como o jurídico ou financeiro só é acionado em situações mais específicas, especialmente quando há inadimplência ou necessidade de renegociação.
Entendemos que, nesses momentos, o tom das comunicações pode ser percebido como mais formal ou técnico, o que não significa falta de respeito ou escuta, mas sim a exigência de tratativas mais alinhadas às responsabilidades contratuais.
Nosso compromisso sempre foi o de agir com transparência, respeitar nossos clientes e garantir que as informações relevantes estejam claras desde o início do relacionamento. Seguimos abertos a ouvir sugestões que contribuam para melhorar ainda mais essa experiência, sem perder de vista a responsabilidade de manter os acordos firmados.
4. Sobre o uso de imagem e publicidade:
Agradecemos por trazer essa questão tão importante. Entendemos o valor da imagem e da privacidade, especialmente quando envolvem menores de idade, e levamos muito a sério todas as normas legais relacionadas a esse tema.
Nosso objetivo com esses depoimentos sempre foi compartilhar histórias reais de clientes que acreditaram no modelo, buscando inspirar outras pessoas que também desejam conquistar sua moradia. Jamais houve intenção de ocultar informações ou omitir riscos.
Continuamos atentos e comprometidos a respeitar a privacidade e os direitos de todos os envolvidos, e caso haja qualquer necessidade de revisão ou esclarecimento sobre o uso dessas imagens, estamos abertos ao diálogo para encontrar a melhor solução dentro do respeito mútuo e da legalidade.
5. Sobre respeito, transparência e diálogo:
Entendemos que a expectativa de quem escolhe a aMORA é poder realizar o sonho do imóvel próprio. Por isso, temos profundo respeito por todas as pessoas que confiam no nosso modelo, e nos esforçamos para manter uma relação clara, transparente e acolhedora ao longo de toda a jornada.
Em relação aos pontos que você trouxe, é importante esclarecer que a ação de despejo é sempre considerada o último recurso na tentativa de resolver um conflito. Ela só é iniciada quando há descumprimento prolongado de condições essenciais do contrato, como o não pagamento da mensalidade aMORA dentro dos prazos definidos ou o descumprimento das cláusulas contratuais em sua totalidade.
Antes de qualquer medida judicial, buscamos contato direto com o cliente e oferecemos alternativas de diálogo e negociação, sempre respeitando os limites legais e os direitos de ambas as partes. Nosso objetivo nunca é romper vínculos de forma abrupta, mas encontrar soluções justas e sustentáveis para todas as partes envolvidas.
Seguimos comprometidos em oferecer uma solução justa, segura e transparente para quem sonha com o imóvel próprio. Acreditamos no diálogo respeitoso e estamos sempre abertos a ouvir, revisar e evoluir.
Atenciosamente,
Equipe aMORA
Réplica do consumidor
04/06/2025 às 10:12
Querido amigo consumidor,
ao pensar em contratar a aMORA, conte com mais um custo fixo: um advogado. É o que fui obrigado a contratar, não por má fé, mas exatamente porque confiei demais na boa fé do discurso da empresa.
A aMORA afirma publicamente estar sempre aberta ao diálogo. No entanto, acabo de receber uma notificação judicial. Sim: a empresa entrou na justiça contra mim não para defender direitos, mas para bloquear o meu.
Entraram na justiça para impedir que eu compre o imóvel onde moro há 14 anos com minha filha exatamente o imóvel que me prometeram que eu poderia comprar ao fim do contrato. Ou seja: a empresa está tentando judicialmente não cumprir o que ela própria propagou em sua publicidade.
Neste momento, a aMORA está com o meu dinheiro, com a minha imagem (usada em campanhas) e, ainda assim, me pressiona judicialmente para que eu desista da compra.
Não vou desistir.
Vou lutar até o fim pelo meu direito de exercer a recompra.
Vou lutar para que a narrativa de transformar aluguel em moradia não seja apenas uma propaganda bonita.
E vou lutar para que outras pessoas não caiam no mesmo enredo.
Reitero:
nunca desisti da compra. Mesmo diante de ameaças, mesmo diante de tentativas de desqualificação, mesmo diante do silêncio seletivo da empresa.
Então, pergunto:
Onde está esse diálogo que vocês tanto mencionam?
Onde está a tal flexibilidade se a primeira resposta da empresa foi uma notificação judicial?
Onde está a escuta ativa quando o cliente é tratado como inimigo no primeiro sinal de questionamento?
O modelo da aMORA é um típico caso de atire primeiro, pergunte depois embalado por um discurso afetivo e publicitário, mas sustentado por práticas jurídicas frias, assimétricas e agressivas.
É o superego da startup autorreferente, que prefere vencer uma discussão do que construir soluções reais com o cliente.
É o tipo de mentalidade que transforma sonhos em disputas, e lares em ativos.
De minha parte, sigo lutando pelo que é justo: o direito de cumprir minha jornada até a compra do imóvel.
Réplica da empresa
05/06/2025 às 12:31
Olá, Clécio!
Lamentamos profundamente o momento que você está passando. No entanto, sua manifestação contém distorções graves dos fatos. Por respeito à verdade e aos demais consumidores, precisamos esclarecer publicamente.
A aMORA nunca inicia qualquer contato com clientes pela via judicial. Priorizamos o diálogo direto, transparente e respeitoso. A via judicial é o último recurso, utilizado apenas após diversas tentativas de resolução amigável e recorrente descumprimento dos acordos feitos.
Só recorremos à Justiça quando há inadimplência severa e reiterado descumprimento contratual, mesmo após várias oportunidades para regularização. Essa é uma medida excepcional, tomada apenas quando todos os outros caminhos se esgotam.
É incorreto afirmar que a aMORA tenta impedir a compra de um imóvel sem motivo. Nosso modelo é baseado na confiança mútua: compramos o imóvel para o cliente com o objetivo de viabilizar a compra ao longo de até três anos. Durante esse período, fazemos de tudo para que esse compromisso se concretize. Quando isso não acontece, a empresa assume o prejuízo. Por isso, não faz sentido algum bloquear a compra de quem está em conformidade com o contrato e consegue efetuar a aquisição com recursos próprios ou por meio de financiamento.
Lamentamos que sua escolha tenha sido atacar publicamente a aMORA com acusações infundadas. A narrativa emocional não apaga os fatos. Temos a obrigação de agir quando ocorre descumprimento reiterado de acordos firmados em boa fé. E, quando isso ocorre de forma grave e contínua, temos o dever de proteger a sustentabilidade da aMORA e a integridade das relações com os demais clientes, para que possamos continuar a realizar o sonho de tantas outras famílias.
Transformar um impasse contratual em um ataque à reputação da empresa não contribui com a verdade nem com uma solução real. Seguimos abertos ao diálogo, como sempre estivemos, mas isso exige responsabilidade e compromisso com os fatos.
Atenciosamente,
Equipe aMORA
Consideração final do consumidor
21/11/2025 às 10:48
Não se importam com você. Não se importam com sua família. É só propaganda.
O problema foi resolvido?

Não resolvido
Voltaria a fazer negócio
Não
Nota do atendimento
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