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Maringá - PR

26/07/2026 às 23:23

ID: 254889957

Hoje saí do parque com um sentimento que nunca imaginei ter depois de tantos anos frequentando o Beto Carrero World: decepção.
Sou autista, nível 2 de suporte, e sempre procurei aproveitar o parque da forma mais tranquila possível.

Inclusive, faço questão de pagar meus ingressos, mesmo existindo programas de isenção para pessoas com deficiência. Nunca busquei privilégios, apenas respeito e condições para que eu consiga vivenciar o passeio como qualquer outra pessoa.

Tenho muita dificuldade com determinados estímulos e, por isso, costumo alugar uma scooter, que me ajuda a manter meu espaço e diminuir o contato intenso com aglomerações.

Hoje estávamos em família: sete pessoas, entre elas minha esposa, *****, e nosso filho *****, de apenas 2 anos. Era apenas a segunda vez dele no parque, mas a primeira em que realmente iria aproveitar alguns brinquedos.

Na entrada, optei por não retirar a pulseira branca.

Não é desleixo ou descumprimento de regra. Eu simplesmente não consigo usar esse tipo de adereço sem grande desconforto. Em compensação, sempre ando com minha identificação, meus documentos e meu laudo médico.

No brinquedo Elefantinho Voador, tudo transcorreu normalmente. Minha esposa entrou na fila convencional com nosso filho, enquanto eu aguardava pela fila prioritária, evitando permanecer muito tempo em meio à aglomeração.

Quando chegou nossa vez, respeitanfo a fila coletiva e eu esperando na prioritária, entramos os três sem qualquer problema.

Mais tarde, por volta das 16h30, fomos ao Dum Dum. Minha esposa havia ido ao banheiro e eu permaneci com o *****. Quando chegou minha vez, apresentei meu laudo e meus documentos. Expliquei, com toda educação, por que não estava usando a pulseira.

Foi então que a atendente, de forma bastante ríspida, disse que abriria uma exceção por eu não estar com a pulseira. Agradeci, pois imaginei que a situação estivesse resolvida.

Nesse momento minha esposa chegou. Pedi que ela nos acompanhasse, principalmente porque estava com nosso filho pequeno e ela é justamente minha principal rede de apoio.

A resposta veio em voz alta, diante de outras pessoas:

"Seu acompanhante é ele, se ela quiser ir vocês tem que ir a outra fila, ja que nao tem a pulseira"

Apontando para o meu filho de 2 anos.

Naquele instante me senti profundamente constrangida. Parecia que eu estava tentando obter alguma vantagem, quando, na verdade, apenas precisava do apoio da pessoa que me acompanha diariamente.

Meu filho não tem idade, maturidade ou condições de ser o acompanhante de uma pessoa autista nível 2 de suporte. Ele é justamente quem precisa dos cuidados dos pais.

No final, me senti obrigada a entrar apenas eu e o ***** no brinquedo, enquanto minha esposa ficou do lado de fora.

O que mais me entristece é que, anteriormente, no Madagascar, também perguntamos se mais familiares poderiam utilizar a fila prioritária.

Foi informado que apenas um acompanhante era permitido. Não concordamos, porque o vínculo afetivo e o suporte necessários vêm justamente da família, mas respeitamos a regra e fomos todos para a fila convencional, sem discutir. Sem problemas.

Mais tarde , porém, foi diferente.

Não foi apenas uma regra sendo aplicada. Foi uma situação em que a própria regra perdeu o sentido. Meu filho de 2 anos foi considerado meu acompanhante, enquanto a pessoa que realmente exerce esse papel foi impedida de entrar.

Toda a nossa família que aguardava fora da fila , sete pessoas ficaram tristes e sem entender o que aconteceu.

Meu objetivo com este relato não é pedir privilégios, nem tratamento especial. É apenas pedir sensibilidade.

As regras existem e devem ser cumpridas, mas elas também precisam considerar a realidade das pessoas para quem foram criadas. Inclusão não é apenas oferecer uma fila prioritária. Inclusão é compreender que deficiência não é igual para todos e que acolhimento também faz parte da experiência.

Não sei se este desabafo chegará a alguém do Beto Carrero World. Mas, se chegar, espero sinceramente que sirva como reflexão.

Porque hoje eu não saí triste por causa de uma fila.
Saí triste porque, pela primeira vez em tantos anos frequentando o parque, não me senti acolhida.

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