Falta de acessibilidade e despreparo no atendimento a pessoa com deficiência no Beto Carrero World

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Paulínia - SP

26/01/2026 às 07:54

ID: 238789975

Reclamação Falta de acessibilidade, respeito e preparo no Beto Carrero World

Cidade de origem: ***** SP
Visitante: Pessoa com deficiência (paraplegia)
Sai de ***** Sp no dia 07 de janeiro de 2026 e venho aqui registrar minha profunda indignação e decepção com a experiência vivida por mim e minha família no Beto Carrero World. O que deveria ter sido um momento de lazer com minhas filhas e esposa acabou se transformando em um dia de constrangimento, frustração e desrespeito, especialmente considerando minha condição de paraplegia.
1. Estacionamento: descumprimento da lei
Ao chegar ao parque, encontrei pouquíssimas vagas reservadas para pessoas com deficiência, e mesmo essas estavam ocupadas por veículos sem qualquer identificação, o que demonstra total falta de fiscalização.
Como consequência, fui obrigado a estacionar em local irregular, o que não só é ilegal, como coloca pessoas com deficiência em situação de risco e vulnerabilidade.
2. Acesso à entrada: ausência de organização e respeito
Na portaria, havia uma fila preferencial porém ninguém fiscalizava ou orientava, fazendo com que a prioridade simplesmente não existisse na prática.
Enquanto isso, diversas entradas estavam liberadas exclusivamente para o passaporte VIP.
Ou seja: quem mais precisa de prioridade foi ignorado.
3. Acessibilidade nos brinquedos: despreparo total
Esta foi a parte mais constrangedora e revoltante do dia.
Em praticamente todos os brinquedos aos quais tentei ter acesso, a orientação foi a mesma:
O senhor precisa se deslocar até o brinquedo andando.
Sou paraplégico. Se eu pudesse andar, não estaria em uma cadeira de rodas.
Essa resposta repetida demonstrou:
Falta de treinamento básico da equipe;
Falta de empatia;
Falta de acessibilidade real;
Falta de preparo para receber visitantes com deficiência.
Além da frustração pessoal, minha família presenciou esses momentos, gerando ainda mais constrangimento e tristeza.
4. Prejuízo financeiro e emocional
Paguei valor integral pelo passaporte, sem qualquer benefício, e não consegui aproveitar a maior parte das atrações.
Tive despesas significativas para viagem, alimentação, ingresso e deslocamento tudo para viver uma experiência que deveria ser inclusiva, mas se mostrou o oposto.
Saí do parque com a sensação de ter sido enganado, desrespeitado e invisibilizado como pessoa com deficiência.

O que solicito
Diante de tudo isso, peço que o Beto Carrero World:
1. Reconheça formalmente as falhas de acessibilidade e atendimento;
2. Realize a devida compensação financeira, já que paguei por uma experiência que não pude utilizar;
3. Informe medidas reais que serão adotadas para garantir acessibilidade e respeito aos visitantes com deficiência;
4. Treine adequadamente seus colaboradores, para que nenhuma outra pessoa passe pelo constrangimento que vivi.
Aguardo um posicionamento.
A experiência que tive não condiz com o tamanho e a reputação do parque e, principalmente, fere direitos básicos garantidos por lei às pessoas com deficiência.

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Resposta da empresa

04/02/2026 às 18:18

Olá, Ricardo.

O Beto Carrero World dispõe de estrutura e procedimentos voltados ao atendimento de pessoas com deficiência, conforme normas de segurança aplicáveis.

O estacionamento do parque conta com vagas devidamente sinalizadas para pessoas com deficiência, cuja utilização está condicionada à identificação obrigatória junto aos nossos monitores, não sendo orientado ou autorizado o estacionamento em locais irregulares.

O acesso ao parque é organizado por meio de filas regulares e filas preferenciais, destinadas aos públicos previstos em lei. O acesso Fast Pass é adquirido separadamente e não interfere nos direitos garantidos pelas filas preferenciais nem elimina a prioridade legal estabelecida.

As atrações do parque possuem diferentes critérios de acessibilidade, definidos com base em aspectos técnicos, operacionais e de segurança. Nem todas permitem acesso direto por cadeira de rodas, sendo que, quando aplicável, a transferência para o assento da atração segue protocolos específicos e previamente definidos. As orientações repassadas pelas equipes operacionais seguem esses critérios, visando garantir a segurança do visitante.

O passaporte de acesso ao parque permite a utilização das atrações disponíveis, respeitadas as condições operacionais, restrições técnicas e normas de segurança de cada atração.

As informações referentes a acessibilidade, funcionamento, restrições e serviços estão disponíveis em nosso site oficial.

O relato apresentado será encaminhado para análise interna, visando a avaliação contínua de processos e procedimentos operacionais.

Atenciosamente,

BCW.

Réplica do consumidor

05/02/2026 às 09:57

Agradeço o retorno, porém a resposta apresentada pelo Beto Carrero World não condiz com a realidade vivenciada no dia 07/01/2026, tampouco reconhece falhas claras de acessibilidade, organização e atendimento. É importante esclarecer ponto a ponto:
1. Estacionamento
A resposta não condiz com a prática
O parque afirma possuir vagas devidamente sinalizadas e monitoramento. Porém:
As vagas para pessoas com deficiência estavam ocupadas por veículos sem qualquer identificação.
Não havia nenhum monitor no local orientando, fiscalizando ou verificando credenciais.
Em nenhum momento fui abordado ou instruído por monitores sobre onde estacionar de forma adequada.
Afirmar que não é orientado estacionar em local irregular não resolve o problema:
eu só estacionei assim porque o parque não cumpriu a própria obrigação de fiscalizar e garantir o uso correto das vagas especiais.
Responsabilidade não é do visitante é do estabelecimento.

2. Entrada do parque
A resposta ignora totalmente o ocorrido
O parque afirma que existe fila preferencial e que ela é organizada conforme previsto em lei.
Na prática:
Não havia fiscalização, permitindo que qualquer pessoa entrasse na fila preferencial.
Não havia orientadores, monitores ou colaboradores garantindo a prioridade legal.
Enquanto isso, várias entradas estavam abertas exclusivamente ao Fast Pass, priorizando um serviço pago em detrimento da prioridade legal obrigatória.
Portanto, a informação de que a entrada é organizada simplesmente não se aplicou no dia da minha visita.

3. Acessibilidade nos brinquedos
Principal ponto ignorado
O parque afirma que algumas atrações exigem transferência do visitante para o assento e que seguem protocolos específicos.
O que ocorreu comigo foi o oposto:
Em diversas atrações, a equipe não mencionou nenhum protocolo técnico, somente repetiu:
O senhor precisa se deslocar até o brinquedo andando.
Não houve orientação adequada, apoio, alternativa ou sequer explicação técnica.
A frase repetida demonstra falta de preparo, falta de empatia e ausência de treinamento.
Se existem protocolos, eles claramente não foram aplicados, pois me deram instruções impossíveis de serem cumpridas por uma pessoa paraplégica.
Além disso, não existe acessibilidade real quando a única alternativa apresentada ao cadeirante é levantar e andar.

4. Passaporte integral
O argumento não justifica a experiência negada
O parque afirma que o passaporte dá acesso às atrações conforme regras de operação.
Contudo:
O que foi vendido não condiz com o que foi entregue.
Paguei valor integral, mas fui impedido de utilizar grande parte das atrações, não por restrição técnica real, mas por falta de preparo da equipe.
Isso configura falha na prestação do serviço, prevista no Código de Defesa do Consumidor.

5. As informações estarem no site não elimina o ocorrido
O parque menciona que as informações de acessibilidade estão disponíveis no site.
Ter informações no site não substitui atendimento adequado, fiscalização, treinamento ou acessibilidade funcional no dia da experiência.
O que importa é a prática, não o discurso.

O mais triste de tudo é que, mesmo após relatar uma experiência tão evidente de falhas, constrangimentos e violações de direitos, a resposta apresentada pelo parque foi fria, genérica, distante da realidade e completamente incapaz de reconhecer o preconceito implícito nas situações que vivi.
É revoltante perceber que, ao invés de acolher, investigar e assumir responsabilidade, o parque prefere justificar-se com padrões, protocolos e discursos prontos, como se tudo estivesse perfeito quando eu e minha família vivemos exatamente o contrário.
A postura do Beto Carrero World não apenas minimiza o ocorrido, mas desconsidera meu relato, minha condição, meu constrangimento e o impacto emocional de ouvir repetidamente que eu precisava andar para acessar atrações. Isso não é critério técnico:
isso é capacitismo, é desumanidade, é ignorar completamente o que significa ser uma pessoa paraplégica.
Saí do parque me sentindo excluído, invisível, desrespeitado e tratado como um estorvo, e agora, ao ler a resposta da empresa, sinto novamente a mesma dor:
a sensação de que minha experiência foi descartada, como se meu sofrimento fosse irrelevante.
Essa postura apenas reforça o quanto ainda existe de preconceito velado, naturalizado e institucional dentro de estruturas que deveriam promover lazer, acolhimento e inclusão.
O que vivi não foi um incidente operacional.
Foi uma sequência de situações discriminatórias, constrangedoras e profundamente humilhantes.
Deixo registrada minha revolta e tristeza diante da forma como fui tratado tanto no parque quanto na resposta apresentada.
As pessoas com deficiência merecem muito mais do que protocolos:
merecem respeito.

Réplica do consumidor

10/02/2026 às 12:50

Diante do meu relato detalhado, da réplica apresentada e da gravidade dos fatos ocorridos em 07/01/2026, venho solicitar novamente um posicionamento do Beto Carrero World, já que até o momento não recebi qualquer retorno sobre as situações que descrevi situações que representam falhas reais e verificáveis de acessibilidade, atendimento, organização e cumprimento de normas legais.
Minha mensagem anterior não foi apenas um desabafo: foi um relato estruturado, amparado por fatos, baseado em vivência direta e que apontou, de forma clara e objetiva, inconsistências entre a experiência real e a resposta padronizada enviada pelo parque.
Reforcei ponto a ponto:

falha na fiscalização de vagas reservadas;
ausência de controle da fila preferencial;
tratamento inadequado da equipe operacional;
inexistência de orientação técnica nos brinquedos;
acessibilidade prometida, mas não existente na prática;
postura capacitista evidente nos atendimentos;
prejuízo financeiro, emocional e familiar;
descumprimento de direitos previstos em lei.

Ignorar uma réplica tão detalhada, especialmente em um caso que envolve pessoa com deficiência, não apenas fragiliza a credibilidade da resposta inicial, como reforça exatamente o problema central que relatei: a falta de acolhimento, de responsabilidade e de sensibilidade por parte da empresa.
Por isso, reitero formalmente:
Solicito um retorno claro, específico, direto e coerente com os fatos apresentados.
Não busco respostas genéricas, mas sim:

Um reconhecimento objetivo das falhas pontuadas;
Uma resposta individualizada, compatível com a gravidade da situação vivida;
Explicações reais sobre as práticas de acessibilidade do parque e por que elas não foram aplicadas no dia da minha visita;
Propostas concretas de melhoria;
E, evidentemente, a devida compensação pelos danos e prejuízos enfrentados.

Aguardo uma manifestação do Beto Carrero World em respeito ao meu relato, à minha condição, aos direitos das pessoas com deficiência e ao compromisso que uma empresa desse porte deveria ter com seus visitantes.
Fico no aguardo de um retorno.

Consideração final do consumidor

10/02/2026 às 12:51

Prezados,
Diante do meu relato detalhado, da réplica apresentada e da gravidade dos fatos ocorridos em 07/01/2026, venho solicitar novamente um posicionamento do Beto Carrero World, já que até o momento não recebi qualquer retorno sobre as situações que descrevi situações que representam falhas reais e verificáveis de acessibilidade, atendimento, organização e cumprimento de normas legais.
Minha mensagem anterior não foi apenas um desabafo: foi um relato estruturado, amparado por fatos, baseado em vivência direta e que apontou, de forma clara e objetiva, inconsistências entre a experiência real e a resposta padronizada enviada pelo parque.
Reforcei ponto a ponto:

falha na fiscalização de vagas reservadas;
ausência de controle da fila preferencial;
tratamento inadequado da equipe operacional;
inexistência de orientação técnica nos brinquedos;
acessibilidade prometida, mas não existente na prática;
postura capacitista evidente nos atendimentos;
prejuízo financeiro, emocional e familiar;
descumprimento de direitos previstos em lei.

Ignorar uma réplica tão detalhada, especialmente em um caso que envolve pessoa com deficiência, não apenas fragiliza a credibilidade da resposta inicial, como reforça exatamente o problema central que relatei: a falta de acolhimento, de responsabilidade e de sensibilidade por parte da empresa.
Por isso, reitero formalmente:
Solicito um retorno claro, específico, direto e coerente com os fatos apresentados.
Não busco respostas genéricas, mas sim:

Um reconhecimento objetivo das falhas pontuadas;
Uma resposta individualizada, compatível com a gravidade da situação vivida;
Explicações reais sobre as práticas de acessibilidade do parque e por que elas não foram aplicadas no dia da minha visita;
Propostas concretas de melhoria;
E, evidentemente, a devida compensação pelos danos e prejuízos enfrentados.

Aguardo uma manifestação do Beto Carrero World em respeito ao meu relato, à minha condição, aos direitos das pessoas com deficiência e ao compromisso que uma empresa desse porte deveria ter com seus visitantes.
Fico no aguardo de um retorno.

O problema foi resolvido?

Reclamação não resolvida

Não resolvido

Voltaria a fazer negócio

Não

Nota do atendimento

0

Consideração final da empresa

10/02/2026 às 16:57

Olá, Ricardo.

Conforme informado anteriormente, o Beto Carrero World possui protocolos específicos de atendimento e acessibilidade para visitantes com deficiência, os quais estavam em pleno funcionamento na data de sua visita.

Após nova verificação interna, reafirmamos que os procedimentos operacionais, fluxos de acesso, filas preferenciais, vagas reservadas e critérios técnicos das atrações operaram normalmente, em conformidade com as normas de segurança e legislação aplicável.

As orientações prestadas pelas equipes seguiram os protocolos definidos para cada atração.

Atenciosamente,

Beto Carrero World