Terceirização precária no home care compromete assistência de paciente autista e PCD

Em réplica
Juiz de Fora - MG
09/06/2026 às 11:14
ID: 249173643
Prezados,
Venho registrar formalmente a extrema preocupação da família diante da grave instabilidade no serviço de home care prestado ao meu filho, adolescente autista, PCD e integralmente dependente de assistência contínua, especializada e estável.
O atendimento vem sendo marcado por sucessivas trocas de profissionais, insegurança permanente nas escalas e ausência de continuidade mínima da equipe assistencial, cenário absolutamente incompatível com a complexidade clínica e emocional de um paciente com Transtorno do Espectro Autista.
No caso do TEA, vínculo, previsibilidade e estabilidade da equipe não representam mero conforto operacional, mas parte essencial do próprio tratamento. Mudanças constantes de profissionais geram desorganização emocional importante, crises comportamentais, aumento de ansiedade, sofrimento psíquico e prejuízo direto à estabilidade terapêutica do paciente.
Além disso, chama atenção a estrutura de terceirização atualmente adotada:
* Unimed do Brasil;
* Solar Cuidados;
* Capitamed;
* Copermed.
Na prática, essa fragmentação criou um sistema extremamente fragilizado, sem estabilidade operacional, sem retenção adequada de profissionais e sem continuidade assistencial segura.
Os próprios documentos de contratação demonstram modelos extremamente precários, sem estabilidade mínima e com possibilidade constante de substituição e desligamento dos profissionais.
Outro ponto extremamente preocupante é a aparente tentativa de impor aos profissionais condições incompatíveis com a realidade do trabalho prestado, ao mesmo tempo em que os plantões vêm sendo remunerados muito abaixo da média praticada na região.
Essa combinação de:
* baixa remuneração;
* vínculos frágeis;
* pressão operacional;
* ausência de estabilidade;
* terceirizações sucessivas;
vem tornando impossível a manutenção de equipe fixa e contribuindo diretamente para a alta rotatividade no caso.
O resultado é um ambiente de absoluta insegurança assistencial, no qual a família nunca possui garantia concreta de continuidade do cuidado no dia seguinte.
Profissionais entram e saem constantemente porque o modelo adotado não consegue sustentar estabilidade mínima da assistência.
É extremamente grave que um serviço destinado a um paciente altamente vulnerável esteja sendo conduzido sob lógica de precarização progressiva da mão de obra e fragmentação sucessiva de responsabilidades.
Estamos falando da saúde, estabilidade emocional, dignidade e segurança de um adolescente PCD e autista, e não de um serviço operacional comum.
Diante disso, solicito com urgência:
* estabilização efetiva da equipe;
* manutenção de profissionais fixos;
* redução imediata da rotatividade;
* garantia formal de continuidade assistencial;
* revisão urgente da estrutura operacional atualmente utilizada;
* posicionamento formal acerca das medidas concretas que serão adotadas para impedir novas descontinuidades.
Caso a situação permaneça sem solução efetiva, a questão será encaminhada também à Ouvidoria da operadora, ANS, Ministério Público e demais órgãos competentes para apuração de possível falha assistencial, precarização do serviço e violação da continuidade do cuidado de paciente vulnerável.
Aguardo retorno urgente.
Atenciosamente,
*****
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Resposta da empresa
09/06/2026 às 12:54
Obrigado por compartilhar sua experiência conosco. Sentimos muito pelo ocorrido e queremos ajudar a entender melhor o que aconteceu. Vamos verificar tudo com atenção e em breve, entraremos em contato com um retorno. Nosso compromisso é sempre oferecer o melhor cuidado e atenção para você. Conte conosco!
Réplica do consumidor
09/06/2026 às 13:01
A resposta apresentada pela empresa é meramente protocolar e não enfrenta os problemas reais relatados nesta reclamação.
O que foi exposto não é um fato isolado, mas uma situação recorrente de instabilidade na assistência prestada ao paciente. A alta rotatividade dos profissionais, as constantes mudanças na equipe e a dificuldade de manutenção dos atendimentos vêm ocorrendo há meses e continuam sem solução efetiva.
A empresa também ignorou completamente os questionamentos sobre o modelo de contratação atualmente utilizado por meio da Coopermed. Diversos profissionais relataram insatisfação com as condições oferecidas, remuneração inferior à praticada por outras empresas da região e dificuldades contratuais, o que contribui para a perda constante de profissionais e para a descontinuidade da assistência.
O resultado dessa política é sentido diretamente pelo paciente e por sua família. Não se trata de uma questão administrativa interna, mas de um serviço de saúde que exige estabilidade, vínculo e continuidade, especialmente no caso de um paciente autista, PCD e dependente de cuidados permanentes.
Se o modelo atualmente adotado não consegue reter profissionais e garantir uma equipe estável, a empresa deveria reavaliar a utilização da cooperativa contratada e buscar uma alternativa capaz de oferecer condições adequadas de trabalho e permanência dos profissionais. A troca da cooperativa ou do modelo de contratação seria uma medida muito mais eficaz do que respostas genéricas sem qualquer providência concreta.
Até o momento, nenhuma solução foi apresentada. A reclamação permanece sem resolução.