Internação traumática e violação ..

Em réplica
Rio de Janeiro - RJ
10/03/2026 às 00:59
ID: 242802493
Internação traumática e violação de direitos de puérpera e recém-nascido na Casa de Saúde São José
Venho relatar uma experiência extremamente traumática que vivi semana passada durante uma internação na Casa de Saúde São José, no setor de maternidade.
Procurei a emergência obstétrica do hospital devido a uma dor intensa na mama esquerda, presença de caroços e febre. Após avaliação médica, fui diagnosticada com abscesso mamário e informada de que precisaria realizar um procedimento cirúrgico.
As médicas da emergência orientaram que eu levasse meu bebê comigo para a internação, pois ele tem apenas 1 mês de vida e a amamentação seria importante inclusive para minha recuperação.
Fui em casa arrumar as coisas e voltei ao hospital por volta das 20h com meu marido e meu filho recém-nascido. Ainda estou no puerpério e me recuperando de uma cesariana.
Apesar da internação já estar encaminhada, fomos colocados em um box da emergência para aguardar por horas. O ambiente estava extremamente gelado e havia pessoas tossindo ao redor. Meu bebê, com apenas 1 mês de vida, chegou a bater os lábios de frio enquanto aguardávamos atendimento.
A internação demorou horas para acontecer. Durante esse tempo eu estava com dor, frio e fome, pois precisava iniciar jejum à meia noite para a cirurgia. Inicialmente, o hospital ofereceu apenas torradas e requeijão como alimentação, porque solicitamos meu jantar. Após insistência do meu marido, trouxeram um sanduíche de queijo improvisado. Também não permitiram que ele buscasse comida fora do hospital.
A internação só ocorreu por volta de meia noite, após cerca de 4 horas de espera.
Já no quarto da maternidade surgiu outro problema grave. Meu bebê faz alimentação mista e levamos nossa fórmula e nossas mamadeiras. Perguntamos como poderíamos higienizar e esterilizar esses utensílios durante a internação.
A equipe informou que não poderia higienizar ou esterilizar as mamadeiras porque meu bebê não era paciente, mas sim acompanhante. Também não permitiram que utilizássemos nosso próprio esterilizador.
Perguntamos então se poderiam fornecer as mamadeiras descartáveis com fórmula usadas pelo hospital. A resposta foi que não poderiam, pois essas mamadeiras são destinadas apenas aos bebês pacientes e isso geraria custo para o hospital.
Ou seja, eu estava internada na maternidade, com um bebê recém-nascido de 1 mês, e a própria maternidade não apresentava nenhuma solução para garantir a alimentação segura de um recém-nascido.
Recebi o antibiótico apenas por volta das 2h da madrugada, e não por volta das 22h, como havia sido orientado inicialmente.
Por volta das 3h da manhã, quando eu estava entrando banho, duas médicas entraram no quarto para tratar da situação. Eu estava apenas de toalha, extremamente cansada, com dor, fome e preocupada com meu bebê.
A abordagem foi extremamente rude e arrogante. Fui tratada como se estivesse criando um problema. Chegaram a afirmar que eu não deveria ter levado meu filho comigo e que deveria tê-lo deixado em casa bebendo apenas fórmula.
Isso foi dito mesmo após eu explicar que meu bebê tem apenas 1 mês de vida, que seu principal alimento é meu leite e que o abscesso que eu estava tratando era justamente consequência de acúmulo de leite. Também expliquei que a própria equipe da emergência havia orientado que ele estivesse comigo durante a internação. Chegaram a dizer que eu poderia então dar apenas meu leite nesse período. Expliquei que a alimentação mista foi orientada pela pediatra e que, de qualquer forma, eu não poderia amamentá-lo por algumas horas devido ao procedimento, de modo que ele precisaria da fórmula.
Mesmo assim fui tratada com grosseria e recebi um verdadeiro sermão em um momento de extrema vulnerabilidade física e emocional.
Sem qualquer solução apresentada pelo hospital, meu marido precisou sair do hospital às 3h da madrugada para ir em casa esterilizar as mamadeiras.
Meu pai também precisou sair de sua casa no meio da madrugada para vir me acompanhar. Ele chegou a oferecer comprar a mamadeira do hospital, mas a mesma médica disse que isso não era possível e ainda afirmou a ele que eu deveria ter deixado meu filho em casa bebendo fórmula.
Na manhã seguinte, o médico responsável pelo setor e que realizou minha cirurgia, Dr. *****, conversou conosco. Relatamos tudo o que havia acontecido e ele demonstrou indignação com a situação, pediu desculpas e reconheceu a importância da presença do meu bebê durante a internação, inclusive por ele ser fundamental na minha recuperação.
Apesar disso, o problema das mamadeiras continuou sem solução e meu marido precisou novamente ir em casa esterilizá-las.
Em outro momento quisemos dar banho no nosso bebê. Para isso, precisaríamos utilizar o berço que se transforma em banheira. Como eu estava recém-operada, não podia segurá-lo. A equipe da maternidade informou que também não poderia nos ajudar no banho do bebê, novamente alegando que ele era meu acompanhante, mesmo eu estando acamada e sem poder ajudar, e meu marido impossibilitado de encher a banheira e segurá-lo ao mesmo tempo.
No dia seguinte pela manhã recebi alta hospitalar ainda com dreno na mama, sendo orientada a retornar à emergência no dia seguinte para removê-lo. Isso foi muito diferente da previsão inicial de internação de três a cinco dias.
Toda essa experiência foi extremamente angustiante. Em um momento de grande vulnerabilidade física e emocional, no puerpério, com um bebê recém-nascido e enfrentando uma infecção mamária, fui tratada com descaso e falta de empatia dentro da própria maternidade.
Gostaria também de registrar que, de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde e com as políticas de humanização do cuidado materno-infantil, a puérpera e o recém-nascido devem receber assistência adequada, acolhimento, respeito e condições seguras para alimentação e cuidados do bebê. O que vivenciei durante essa internação foi exatamente o oposto.
Espero sinceramente que a Casa de Saúde São José investigue seriamente esse episódio e reveja suas condutas, para que nenhuma outra mulher em puerpério e nenhum recém-nascido sejam submetidos a uma situação semelhante dentro de um hospital.
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Resposta da empresa
10/03/2026 às 14:02
Prezada Sra. Tatiana, boa tarde!
Recebemos sua manifestação por meio de nossa Ouvidoria e realizamos tentativas de contato telefônico, porém não obtivemos sucesso. Lamentamos a percepção negativa relatada e informamos que a situação já está sendo analisada junto aos setores responsáveis. Assim que tivermos um posicionamento, entraremos em contato para prestar os devidos esclarecimentos.
Colocamo-nos à sua disposição através do nosso e-mail: [email protected] ou do telefone (21) 2538-7600.
Réplica do consumidor
11/03/2026 às 19:44
Agradeço o retorno.
De fato não atendo ligações de números desconhecidos, especialmente neste momento em que estou em recuperação pós-operatória e cuidando de um recém-nascido. Caso tentem contato telefônico novamente, peço a gentileza de deixar mensagem, e-mail ou WhatsApp identificando o hospital para que eu possa retornar.
De todo modo, prefiro que os esclarecimentos sobre o ocorrido também sejam registrados por escrito nesta plataforma ou por e-mail, para que fique documentado.
Reforço que aguardo o posicionamento do hospital após a análise dos setores responsáveis, especialmente em relação às situações relatadas envolvendo o atendimento prestado durante minha internação na maternidade.
Atenciosamente,
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