Demora no atendimento e impedimento de acesso a resultado de exame no Hospital Stella Maris

Não respondida
Taubaté - SP
03/07/2026 às 08:52
ID: 252980687
Prezados,
Assim como registrei por outros meios venho através desse fazer a reclamação em razão das falhas ocorridas durante o atendimento que recebi no Pronto-Socorro Obstétrico do Hospital Stella Maris de Caraguatatuba, iniciado na data de ontem, quando fui atendida pelo Dr. Rafael Moreno, e que se estenderam até o meu retorno ao hospital no dia de hoje.
Inicialmente, faço questão de registrar que o Dr. Rafael Moreno me atendeu de forma atenciosa, respeitosa e profissional, não havendo qualquer reclamação quanto à sua conduta durante a consulta. Minha manifestação diz respeito à organização do serviço e às condutas adotadas pela equipe após o atendimento médico.
Desde a minha chegada ao hospital, o atendimento foi marcado por demora excessiva, falta de organização, informações desencontradas e condutas incompatíveis com o direito do paciente de receber um atendimento digno, eficiente e respeitoso. Infelizmente, os transtornos não se limitaram ao atendimento inicial, mas continuaram no dia seguinte, quando fui impedida de ter acesso ao resultado de um exame realizado em meu nome, situação que considero inadmissível.
Ao chegar ao pronto-socorro obstétrico, permaneci aguardando por um longo período para ser chamada pelo médico. Havia poucas pessoas na recepção, o que torna a demora ainda mais difícil de compreender, sobretudo porque durante todo esse tempo não houve qualquer informação ou justificativa por parte da equipe. Enquanto aguardava, presenciei uma gestante informando que estava tentando internação desde o período da manhã. Ela demonstrava intenso sofrimento, gritava de dor e somente quando seu estado aparentava estar extremo percebi uma movimentação efetiva da equipe para atendê-la, situação que me causou grande preocupação.
Após ser chamada, fui atendida pelo Dr. Rafael Moreno, que realizou o exame clínico e solicitou um exame de urina. Após a consulta, permaneci aguardando até perceber que ninguém me chamaria para realizar a coleta. Precisei procurar uma enfermeira para solicitar o frasco, ocasião em que fui informada de que a solicitação do exame não havia subido no sistema. Somente então consegui realizar a coleta.
Após a coleta, fui informada pela equipe de enfermagem de que o resultado ficaria pronto em aproximadamente três horas e que o ideal seria permanecer no hospital aguardando sua liberação. Confiei na orientação recebida e permaneci aguardando conforme recomendado.
Entretanto, após transcorrido esse período, procurei novamente a equipe para obter informações e fui surpreendida com a notícia de que o exame não ficaria pronto naquele dia, sendo orientada a retornar apenas no dia seguinte. Ou seja, permaneci aguardando inutilmente em razão de uma informação incorreta prestada pela própria equipe do hospital, desperdiçando meu tempo e sendo submetida a um desgaste completamente evitável.
Hoje retornei ao hospital exclusivamente para obter o resultado do exame solicitado durante o atendimento realizado no dia anterior. Em nenhum momento solicitei nova consulta médica, nova avaliação clínica ou qualquer outro atendimento. Meu único objetivo era ter acesso ao resultado de um exame realizado em meu nome.
Para minha surpresa, fui informada de que somente teria acesso ao exame caso abrisse uma nova ficha de atendimento. Expliquei diversas vezes que não desejava realizar uma nova consulta, principalmente em razão da demora e dos transtornos vivenciados no dia anterior, e que queria apenas retirar o resultado do exame.
Mesmo assim, todas as enfermeiras com quem conversei recusaram-se a fornecer o resultado. O mais contraditório é que a própria enfermeira de plantão consultou o sistema, confirmou que o exame já estava disponível e, ainda assim, afirmou que não poderia entregá-lo sem a abertura de uma nova ficha. Inclusive, perguntei se poderia ao menos visualizar o resultado na tela, e a resposta também foi negativa.
Diante da minha insistência, a enfermeira dirigiu-se ao médico de plantão, que me chamou e afirmou que somente conseguiria acessar o sistema caso eu abrisse um novo atendimento. Questionei, então, como a enfermeira havia conseguido consultar o exame poucos minutos antes sem que qualquer ficha tivesse sido aberta. Não recebi qualquer explicação lógica ou coerente para essa contradição.
Nesse momento, o médico encontrava-se na sala acompanhado de outras três pessoas, sem qualquer paciente em atendimento. Questionei se, caso abrisse uma nova ficha, enfrentaria novamente a longa espera do dia anterior. A resposta foi que ele não saberia informar. Essa resposta apenas reforçou a sensação de desorganização e ausência de informações claras ao paciente.
Também ressaltei que não estava solicitando uma nova consulta, tampouco qualquer avaliação médica. Apenas buscava exercer meu direito de acesso ao resultado de um exame realizado em meu nome, direito esse que me foi negado de forma injustificada.
Em momento algum houve disposição da equipe em buscar uma solução simples para o problema. Ao contrário, limitaram-se a repetir que eu deveria abrir uma nova ficha ou, caso não quisesse, solicitar posteriormente o exame na Central, em horário comercial, obrigando-me a realizar mais um deslocamento por uma falha exclusivamente atribuível ao hospital.
Ressalto que sou gestante e procurei o pronto-socorro justamente em busca de atendimento especializado, acolhimento e segurança. Em vez disso, fui submetida a dois dias de desgaste, informações contraditórias, demora excessiva, falta de organização e, por fim, impedida de acessar um documento que diz respeito à minha própria saúde.
Considero especialmente grave o fato de que o exame já estava disponível, conforme confirmado pela própria equipe de enfermagem, mas ainda assim me foi negado acesso ao seu conteúdo sob uma justificativa que sequer se mostrou coerente, uma vez que a própria enfermeira havia conseguido localizar o exame no sistema antes mesmo da abertura de qualquer nova ficha.
Diante de todos esses fatos, solicito que a Ouvidoria apure a conduta adotada pela equipe envolvida, esclareça qual fundamento justifica impedir um paciente de obter o resultado de um exame realizado em seu próprio nome mediante a alegação da obrigatoriedade de abertura de um novo atendimento e informe quais providências serão adotadas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
Solicito, ainda, que o resultado do meu exame seja disponibilizado, uma vez que se trata de informação pertencente ao meu prontuário e cujo acesso constitui um direito assegurado ao paciente.
Atenciosamente,
Raquel Reis Dantas