Consumidora alega ter sido induzida a erro na compra de panelas e solicita cancelamento e estorno.

Não respondida
Mesquita - RJ
11/09/2026 às 19:51
ID: 258835891
No dia 09/09/2026, por volta das 19h25, em Belford Roxo/RJ, fui abordada no estacionamento de um mercado, quando estava saindo do local e me dirigindo para casa, por uma mulher que se apresentou como representante da Casa Lar.
Desde o início, deixei claro diversas vezes que não tinha interesse em comprar qualquer produto, informando inclusive que estava indo embora. Apesar das minhas recusas, a mulher insistiu de forma extremamente intensa para que eu pelo menos olhasse o produto.
Após muita insistência, permiti que ela apresentasse um conjunto de panelas de cerâmica, modelo CRETA. Durante a abordagem, afirmou que o conjunto custava originalmente aproximadamente R$ 4.900,00, mas que, naquela situação, poderia vendê-lo por apenas R$ 420,00, parcelado em 12 vezes. Em outro momento, informou também que seriam 12 parcelas de aproximadamente R$ 408,00.
A vendedora afirmou ainda que precisava ir embora e que não poderia levar o jogo de panelas no avião, motivo pelo qual estaria vendendo o conjunto por aquele valor excepcional. Reforçou diversas vezes que se tratava de uma oportunidade especial.
Para dar credibilidade à oferta, mostrou um QR Code existente na própria embalagem e pediu que eu mesma o escaneasse. O código direcionou para a página https://www.minhapanela.com/garantia, na qual o conjunto aparecia pelo valor aproximado de R$ 4.900,00, exatamente como havia sido informado pela vendedora.
Esse fato foi determinante para que eu acreditasse que estava diante de uma representante legítima da marca e de uma oportunidade real de adquirir um produto de alto valor por um preço excepcional. As panelas também eram visualmente muito bonitas, o que contribuiu para a decisão naquele momento.
A vendedora também afirmou que o produto possuía três anos de garantia. Mesmo depois de eu continuar recusando a compra, a insistência prosseguiu, sendo acrescentadas novas vantagens e brindes. Em determinado momento, informou que uma empresa enviaria um brinde posteriormente e solicitou meu endereço residencial.
Também afirmou repetidamente que o produto não era comercializado na Shopee nem no Mercado Livre, reforçando a ideia de que se tratava de um produto diferenciado e de uma oportunidade exclusiva.
Diante de toda essa pressão, das informações apresentadas, do QR Code existente na embalagem, do suposto preço original de R$ 4.900,00, da afirmação de que ela era representante da Casa Lar e da garantia de três anos, acabei cedendo e realizando a compra, acreditando que estava pagando R$ 420,00 pelo conjunto.
Entretanto, somente depois de deixar o local e chegar em casa, quando a situação de pressão já havia terminado, fui verificar a cobrança no cartão e constatei, com surpresa, que o valor efetivamente cobrado foi de R$ 4.200,00, e não R$ 420,00 como eu havia compreendido.
Assim que cheguei em casa, comecei a pesquisar sobre o produto e encontrei o mesmo modelo sendo comercializado por valores muito inferiores. Encontrei anúncios na Shopee pelos valores aproximados de R$ 988,08 e R$ 850,96, inclusive com compradores relatando que os produtos adquiridos por essa plataforma são originais.
Diante disso, considero especialmente grave o fato de o QR Code existente na própria embalagem direcionar para uma página que apresentava o produto por aproximadamente R$ 4.900,00, pois essa informação foi utilizada como elemento de credibilidade e contribuiu diretamente para que eu acreditasse na legitimidade da oferta e na existência de uma grande vantagem econômica.
Também considero relevante o fato de a vendedora ter afirmado diversas vezes que o produto não era vendido na Shopee ou no Mercado Livre, informação que posteriormente verifiquei não corresponder à realidade.
Após a compra, também encontrei diversos relatos, vídeos e reclamações de consumidores descrevendo abordagens semelhantes envolvendo a venda de conjuntos de panelas Casa Lar, inclusive reclamações publicadas no Reclame Aqui. Alguns relatos também levantam dúvidas quanto à autenticidade dos produtos, à garantia e ao suporte oferecido pela empresa que os vendedores afirmam representar.
Outro fato que considero grave é que não recebi nota fiscal da compra, mesmo tendo solicitado o documento. A ausência de nota fiscal, somada às informações posteriormente encontradas, aumentou minhas dúvidas quanto à origem, procedência e autenticidade do produto, bem como quanto à efetiva existência do suporte e da garantia que foram informados no momento da venda.
Quando questionei a mulher sobre sua condição de representante da Casa Lar, ela confirmou que era representante da marca. Ela forneceu seu WhatsApp, pediu indicações de outras pessoas para tentar vender seu último jogo de panelas e solicitou que eu gravasse um vídeo falando sobre a compra, o que recusei.
Mesmo assim, ela chegou a fazer um vídeo com meu filho, afirmando que ele havia comprado as panelas de presente para mim, enquanto eu me dirigia à loja, que já estava encerrando suas atividades.
Ressalto que eu não procurei essa vendedora, não estava procurando panelas, não pretendia realizar qualquer compra e manifestei diversas vezes que não queria comprar. Fui abordada no estacionamento de um mercado, fora de estabelecimento comercial, quando já estava indo para casa. A compra somente ocorreu depois de uma abordagem extremamente insistente, com sucessivas ofertas, vantagens, brindes e informações destinadas a transmitir a ideia de uma oportunidade excepcional e de uma representante legítima da marca.
Entendo, portanto, que fui induzida a realizar uma compra que inicialmente recusei, em circunstâncias que considero abusivas e mediante informações que posteriormente se mostraram incompatíveis com a realidade que me foi apresentada.
A situação deve ser analisada à luz do Código de Defesa do Consumidor Lei n 8.078/1990, especialmente quanto à proteção contra métodos comerciais coercitivos ou desleais e práticas abusivas.
art. 6, III e IV, assegura ao consumidor o direito à informação adequada e clara, bem como à proteção contra publicidade enganosa e abusiva e contra métodos comerciais coercitivos ou desleais.
O art. 39, IV, considera abusiva a prática de prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor para impingir-lhe produtos ou serviços.
Além disso, considerando que a contratação ocorreu fora do estabelecimento comercial, entendo ser aplicável o art. 49 do CDC, que garante ao consumidor o direito de arrependimento no prazo de sete dias, com a devolução dos valores pagos.
Dessa forma, manifesto formalmente meu arrependimento dentro do prazo legal e solicito o cancelamento imediato da contratação.
SOLICITO:
Cancelamento integral da compra;
Estorno integral dos R$ 4.200,00 cobrados no cartão de crédito;
Orientações para a devolução de todos os produtos recebidos, sem qualquer custo para mim;
Disponibilização de canal oficial e efetivo para conclusão do cancelamento e devolução;
Fornecimento da nota fiscal e de toda a documentação fiscal da operação;
Esclarecimento quanto à origem, autenticidade, fabricante, procedência e garantia do conjunto de panelas CRETA;
Identificação formal da empresa e/ou pessoa jurídica responsável pela venda e da condição da pessoa que realizou a abordagem.
Estou integralmente disposta a devolver o conjunto de panelas CRETA e todos os demais produtos recebidos. Não quero permanecer com os produtos e não pretendo obter qualquer vantagem indevida. Quero apenas a restituição integral do valor pago e o desfazimento de uma compra que ocorreu em circunstâncias que considero abusivas.
Registro esta reclamação dentro do prazo legal justamente para deixar inequívoca minha manifestação de arrependimento e minha intenção de desfazer a contratação.
Minha intenção é resolver a situação de forma amigável e imediata. Caso não seja realizado o cancelamento e o estorno integral, buscarei os meios administrativos e judiciais cabíveis, inclusive perante o Procon, demais órgãos de defesa do consumidor e autoridades competentes.