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Pentecoste - CE

20/04/2026 às 12:32

ID: 246499467

Escolhemos a Casa Tuxi principalmente pelas imagens divulgadas nas redes sociais e pela proposta voltada à saúde mental, uma causa com a qual eu e minha noiva nos identificamos muito. No entanto, a experiência foi completamente diferente do esperado. Após uma viagem longa, com escalas, saindo do Nordeste até o Rio, chegamos por volta das 22h, depois de mais de 20 horas de deslocamento, e fomos informadas de que o quarto que havíamos reservado com cerca de dois meses de antecedência não estava mais disponível. O mais preocupante é que, no mesmo dia da chegada, havíamos ligado mais cedo para confirmar a reserva e fomos asseguradas de que estava tudo em ordem. Porém, ao chegarmos, nos disseram que o problema com o quarto já existia desde o dia anterior, o que demonstra falta de organização e transparência.

Em vez disso, fomos direcionadas para um espaço que mais parecia um porão abandonado, em condições extremamente precárias. O quarto tinha iluminação quase inexistente, apenas uma luz amarela muito fraca, e o interruptor fazia barulho e apresentava risco real inclusive, minha noiva chegou a sofrer um choque elétrico ao tentar utilizá-lo. O banheiro não possuía chuveiro e a pia estava mal instalada, quase caindo. Além disso, o ambiente estava sujo, com poeira, móveis velhos e entulhos, e a porta não tinha fechadura adequada, apenas um arame e uma cortina, o que nos deixou extremamente inseguras.

Fomos orientadas a utilizar o banheiro dos funcionários, mas, ao tentar tomar banho, o espaço não fechava corretamente e um funcionário chegou a entrar enquanto eu estava lá. As frestas ainda permitiam visibilidade externa, o que agravou ainda mais a sensação de vulnerabilidade, especialmente por sermos duas mulheres, cansadas e sem qualquer garantia de segurança. Diante disso, tivemos que insistir para trocar de quarto ainda naquela noite, às 22h, logo após mais de 20 horas de viagem. Durante essa insistência, um dos funcionários que nunca havíamos visto antes tentou nos convencer a permanecer no local, afirmando que estaríamos seguras porque ele ficaria na recepção durante toda a noite, mesmo com a porta do quarto improvisada com arame e sem qualquer proteção real.

Mesmo diante dessa situação, a proprietária não se posicionou. Ela permaneceu deitada na recepção e não se aproximou para entender o que estava acontecendo. Após muita insistência, fomos levadas a outro quarto, mas descobrimos que ele já estava ocupado. No dia seguinte, percebemos que outro hóspede havia sido transferido para o quarto precário para que pudéssemos ficar no lugar dele. Ainda assim, o novo quarto não havia sido limpo: as toalhas e lençóis estavam usados, a organização era inexistente e havia até uma mancha de sangue em uma das camas. A tranca da porta também era bastante frágil.

Durante a estadia, o ambiente se mostrou constantemente desorganizado e conflituoso. Fomos acordadas cedo com gritos e discussões entre hóspedes, incluindo situações envolvendo pessoas não registradas nos quartos. Em outro momento, presenciamos uma discussão entre a proprietária e hóspedes, com gritos e grosserias. O cachorro presente no local começou a latir devido à confusão e a dona chegou a ameaçar de fato [Editado pelo Reclame Aqui] o animal na frente de todos, o que causou ainda mais desconforto especialmente considerando que, no mesmo dia, o local fez uma postagem afirmando ser pet friendly.

O café da manhã também foi bastante desagradável, tanto pelo clima quanto pela qualidade dos alimentos. As frutas estavam sujas, com um pó escuro que parecia poeira ou café, e acabamos consumindo apenas o que tinha casca. Além disso, a estrutura do local apresentava outros problemas graves: a porta principal frequentemente ficava aberta por não ter tranca funcional, havia entulhos e móveis espalhados pela casa e, de forma preocupante, uma caixa com medicamento controlado para epilepsia permaneceu exposta durante toda a nossa estadia de cinco dias, sem qualquer supervisão.

Apesar do discurso de acolhimento e inclusão na área da saúde mental, o que observamos foi uma grande contradição entre a proposta e a prática. A pauta da luta antimanicomial nos pareceu utilizada de forma superficial e puramente comercial, sendo capitalizada, inclusive com exposição de questões pessoais dos funcionários nas redes sociais, o que consideramos antiético. A experiência foi extremamente negativa e só permanecemos no local para evitar o prejuízo financeiro das diárias já pagas, que, inclusive, não foram baratas. No geral, trata-se de um lugar com sérios problemas de estrutura, segurança, higiene e gestão, além de uma postura desrespeitosa e incoerente com aquilo que é divulgado.

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