Vício preexistente na suspensão e práticas abusivas em revisão Caoa Chery São José dos Pinhais

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Curitiba - PR

27/01/2026 às 09:35

ID: 238929129

Sou proprietário de um Caoa Chery Tiggo 5X e registro esta reclamação em razão da postura inadequada da concessionária Caoa Chery de São José dos Pinhais (RMC) diante de um vício preexistente no veículo, somado a condutas abusivas identificadas na revisão de 30.000 km.

O veículo apresenta diferença de altura entre a suspensão traseira direita e esquerda, condição que foi constatada pela própria concessionária durante avaliação técnica. Apesar do reconhecimento do desnível, a concessionária alega que não há nada montado errado, sem apresentar laudo técnico conclusivo, e se recusa a realizar qualquer correção.

A negativa baseia-se exclusivamente no argumento de que a suspensão estaria fora do prazo de garantia. Contudo, tal justificativa ignora o fato de que esse mesmo problema já estava presente desde aproximadamente os primeiros 10.000 km de uso, quando o veículo ainda se encontrava integralmente dentro da garantia. Essa condição foi mencionada à concessionária à época, sem que qualquer providência técnica ou registro formal fosse adotado.

Nos termos dos artigos 18 e 26 do Código de Defesa do Consumidor, trata-se de vício preexistente (ou vício oculto), cuja responsabilidade do fornecedor não se extingue automaticamente com o término da garantia, sobretudo quando o defeito tem origem anterior.

Além disso, durante a revisão de 30.000 km, mesmo havendo pacote de revisão previamente contratado, foram identificadas práticas que demonstram falta de transparência e possível vantagem excessiva, em afronta ao CDC:

O pacote contratado incluía a limpeza do sistema de ar-condicionado, porém a concessionária posteriormente tentou vender, de forma separada e por valor elevado (R$239,65), a troca do filtro do ar-condicionado, o que compromete a coerência e a efetividade do serviço originalmente contratado.

O pacote também previa o nivelamento do fluido de arrefecimento, mas logo após fui informado de que o fluido estaria extremamente usado e que seria necessária a troca completa, orçada em valor superior a R$ 700,00, situação que evidencia ausência de critério técnico claro e prática comercial questionável.

Tais condutas violam os princípios da boa-fé, transparência e informação adequada, previstos no art. 6, inciso III, e configuram vantagem manifestamente excessiva, vedada pelo art. 39, inciso V, do Código de Defesa do Consumidor.

Diante do exposto, solicito:

Posicionamento técnico formal e documentado da Caoa Chery;

Correção do desnível da suspensão traseira, sem ônus, por se tratar de vício preexistente;

Esclarecimento e reavaliação das cobranças realizadas na revisão de 30.000 km.

Registro esta reclamação esperando uma solução definitiva e compatível com os direitos do consumidor.

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Resposta da empresa

04/02/2026 às 17:42

Prezado Senhor(a) Felipe, Boa tarde!

Agradecemos pelo seu contato e informamos que seguimos acompanhando seu caso com atenção.

Conforme análise técnica e de garantia realizada pela concessionária, foi observada apenas uma discreta diferença de altura entre o lado direito e o esquerdo da parte traseira do veículo. Foi efetuada uma avaliação completa, porém não foi identificada qualquer não conformidade, sinal de avaria ou irregularidade. Os componentes da suspensão encontram-se íntegros, sem defeitos e sem indícios de falha de instalação.

Ressaltamos ainda que o item em questão encontra-se fora do período de garantia, conforme previsto no Manual do Proprietário, cujo prazo de cobertura é de 24 meses, encerrado em 06/2025.

Ainda assim, buscando melhor atendê-lo, realizamos um novo agendamento para reanálise junto ao nosso setor técnico no dia 24/02/2026.

Permanecemos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.

Atenciosamente,


GABRIELA
Relacionamento com o Cliente
CAOA CHERY
0800-772-4379 (SAC / WhatsApp)
[email protected]

Réplica do consumidor

11/03/2026 às 00:11

Após a abertura desta reclamação, a concessionária Caoa Chery de São José dos Pinhais solicitou que o veículo retornasse para uma nova avaliação técnica.

Atendendo à solicitação, deixei o carro na concessionária, onde ele permaneceu aproximadamente duas semanas para análise.

Ao final desse período, fui informado de que a diferença de altura entre a suspensão traseira direita e esquerda realmente existe, porém a concessionária afirmou que isso seria uma condição normal do veículo, alegando inclusive que outros veículos zero quilômetro também apresentariam essa mesma característica.

Durante a retirada do veículo, inclusive, fui conduzido pelos responsáveis da concessionária até a área onde estavam outros veículos zero quilômetro, que foram apresentados como exemplo dessa suposta normalidade. Em alguns desses veículos também foi possível observar diferenças de altura entre os lados da suspensão traseira, embora em menor intensidade do que no meu carro.

Essa situação gera ainda mais preocupação, pois indica que:

- o problema é reconhecido pela própria concessionária;

- existem outros veículos novos apresentando a mesma condição;

- e, ainda assim, a situação está sendo tratada simplesmente como algo normal, sem qualquer explicação técnica formal ou solução apresentada ao consumidor.

Outro ponto que considero extremamente inadequado foi que, no momento da retirada do veículo, foi apresentada uma ordem de serviço contendo uma declaração previamente redigida, na qual eu deveria afirmar que estava ciente e de acordo de que essa diferença de altura seria uma condição normal e aceitável do veículo.

Naturalmente, não assinei tal declaração, pois ela implicaria concordar formalmente com uma condição que considero irregular e que motivou toda esta reclamação.

Além disso, durante todo esse processo:

- o veículo permaneceu cerca de duas semanas parado na concessionária, sem que houvesse qualquer solução efetiva para o problema;

- tive que arcar com meus próprios custos de deslocamento, uma vez que o carro estava indisponível;

- e, para minha surpresa, o veículo foi devolvido completamente desalinhado, situação que me obrigou a realizar alinhamento por conta própria, gerando mais um custo que não deveria existir.

Ou seja, após duas semanas de análise:

- o problema original não foi resolvido;

- não foi apresentado laudo técnico conclusivo que explique a assimetria da suspensão;

- e o veículo ainda foi devolvido em condições piores do que foi entregue, no que diz respeito ao alinhamento.

Diante de todos esses fatos, reitero que:

- a própria concessionária reconhece a existência da diferença de altura na suspensão;

- o problema já se manifesta desde os primeiros quilômetros de uso do veículo;

- e a justificativa apresentada até o momento não resolve nem esclarece tecnicamente a situação.

Dessa forma, continuo aguardando da Caoa Chery um posicionamento técnico formal e documentado, bem como uma solução efetiva para o desnível da suspensão, além de esclarecimentos sobre os transtornos e custos adicionais gerados durante esse processo.