Internação Voluntária Convertida em Cárcere Privado e Maus Tratos

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Rio de Janeiro - RJ

14/07/2026 às 09:39

ID: 253854403

Fiz uma internação voluntária na madrugada de segunda-feira, dia 6/7, devido a uma crise de depressão. Na entrada, retiveram quase todos os meus pertences na recepção inclusive os meus celulares como previamente avisado, com exceção dos objetos que subiram para o posto dos enfermeiros do Mirante 1, onde fiquei. Subiu: meu medicamento Concerta, uma camisola e objetos de higiene pessoal, embora alguns destes últimos tenham sido retidos de forma arbitrária, contrariando as instruções prévias que me haviam sido enviadas. A equipe prometeu administrar rigorosamente meus remédios de uso contínuo que fazem parte de um protocolo estrito não relacionado à saúde mental e dos quais não posso prescindir , distribuídos em seis horários ao longo do dia.

Ao ser conduzida ao quarto onde passaria a noite, deparei-me com um cenário estarrecedor: deitaram-me em uma cama sem travesseiro, em um quarto compartilhado com quatro senhoras que roncavam muito e estavam urinadas. O odor era tão forte que, em menos de dois minutos, dirigi-me à funcionária que me acompanhara, exigi meus pertences de volta e declarei que revogava o meu pedido de internação voluntária. Fui, contudo, convencida a permanecer até o amanhecer, sob a promessa de que uma junta médica conversaria comigo e eu seria transferida para uma ala melhor. Acabei acomodada em um sofá rasgado, com o estofamento saindo pelos braços.

Por volta de 1h30 da madrugada, após passar cerca de 40 minutos sentada diante do posto envidraçado dos enfermeiros, trouxeram-me um cobertor para que eu pudesse deitar. Pela manhã, as outras pacientes acordaram e sentaram-se ao meu redor. O ambiente exalava um cheiro pungente de urina misturado a produtos químicos de limpeza e não possuía circulação de ar, provocando-me uma terrível sensação de sufocamento. Além disso, as pacientes tossiam muito. Pedi uma máscara de proteção e tive o ***** por duas vezes; somente na terceira tentativa, uma enfermeira respondeu-me sem desdém e me entregou o item.

Devido a uma lesão física da qual estou me tratando, não posso permanecer muito tempo em pé ou sentada. Quando decidi retornar à cama que me havia sido designada para tentar repousar, descobri que outra paciente a havia urinado. Voltei imediatamente ao posto de enfermagem e solicitei a devolução dos meus pertences para ir embora. Fui completamente ignorada.

Diante do silêncio da equipe, reiterei que minha internação era voluntária, que eu respondia legalmente por mim mesma conforme constava na minha própria pulseira de identificação e que, por direito, iria embora. A liberação foi negada. A partir daquele momento, a cada profissional que passava por mim (enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, auxiliares de limpeza, fisioterapeutas, funcionários do laboratório Dasa que colhiam sangue), eu relatava o ocorrido e exigia sair. Ao ouvir negativas, alertava-os de que aquela conduta configurava o [Editado pelo Reclame Aqui] de [Editado pelo Reclame Aqui] e que eu os processaria.

Além de reterem minha liberdade, negaram-me repetidamente a dipirona que integrava meu protocolo de saúde física (e pela qual insisti, apesar de também necessitar de anti-inflamatórios e outros remédios prescritos que não me foram administrados). Minha comunicação com o exterior foi severamente restrita: permitiram-me apenas uma única ligação de cinco minutos sob vigilância, como se eu fosse de fato uma prisioneira. Exigiram que a saída só ocorresse mediante a presença de um familiar, mas sem acesso a meus celulares, impediam-me de consultar números ou enviar mensagens. Fui obrigada a usar um telefone fixo institucional, no modo viva-voz. Como quase ninguém atende números fixos desconhecidos hoje em dia, o processo foi extremamente difícil.

Enquanto eu tentava convencer a enfermeira que me escoltava a me deixar enviar uma mensagem de texto para alertar meus parentes que ligava de número fixo para que atendessem, avisei-a de que manter-me presa contra a minha vontade era um [Editado pelo Reclame Aqui] e que ela também seria processada. Ela respondeu que não tinha nada a ver com isso, que eram as regras da clínica, que eu devia sim processar a clínica pois eles mantinham muitas pessoas ali que, como eu, queriam ir embora, tinham sido internadas voluntariamente e que continuavam ali internadas por puro interesse financeiro da instituição.

Mantendo uma calma extrema que precisei extrair das minhas forças mais profundas para não me colocar em uma situação de ainda maior vulnerabilidade , consegui contato com minha mãe, que se dirigiu imediatamente ao local. Mesmo após a chegada dela, a liberação continuou sendo protelada. Mentiam para mim dizendo que ela ainda não havia chegado, negando-me novos telefonemas e deixando-me apreensiva com a possibilidade de ela ter sofrido um acidente de trânsito, devido a demora fora do comum.

Quando finalmente anunciaram a chegada da minha mãe, acompanhei o funcionário até a porta que dava acesso ao pátio externo de visitantes. Ao cruzar o limite, fui informada de que deveria retornar para dentro. Recusei-me veementemente, argumentando que já estava mantida em [Editado pelo Reclame Aqui] há quase quatro horas e que as exigências ilegais da clínica já haviam sido cumpridas (me informaram que desceria assim que chegasse um parente na clínica).

Nesse momento, os funcionários começaram a me puxar fisicamente de volta. Segurei-me ao corrimão com um dos braços enquanto era puxada com violência pelo outro. Falei tão alto quanto pude sem perder minha correção para os visitantes que assistiam à cena: "Vocês estão vendo isso? Estou detida contra a minha vontade, é meu direito sair e estão me forçando, por favor chamem a policia!". Os visitantes observavam chocados. Uma das enfermeiras que me agredia disse, em tom de ameaça, apesar de eu nada fazer além de me manter em meu lugar: "Você está resistindo, vou te dar uma injeção!". Foram necessários cerca de quatro funcionários para me arrastar de volta ao confinamento. Esse esforço físico brutal piorou drasticamente a lesão física que eu tratava.

Ao conseguir finalmente me reunir com minha mãe, descobri que ela já estava há muito tempo na recepção. A clínica tentava convencê-la a me manter internada alegando que eu "falava coisas sem nexo", como o fato de eu residir no exterior o que é uma verdade factual sobre a minha vida, mas que foi usada de forma sórdida para tentar deslegitimar minha capacidade de autodeterminação.

Após um abraço, minha primeira atitude foi anotar os nomes de todos os profissionais que consegui guardar antes de ser liberada do M1. Antes de sair da ViV, exigi a devolução do meu medicamento Concerta. A equipe tentou alegar que eu não havia entregado o remédio na admissão. Após eu preencher formalmente um requerimento de imagens das câmeras de segurança, o medicamento foi "encontrado" (com menos da metade do conteúdo original). No fim do dia, retornamos à clínica e protocolamos um requerimento formal exigindo a preservação e entrega de todas as filmagens do período em que estive lá (entre a 00:20 e as 13h do dia 6/7).

Os impactos desse trauma físico e psicológico manifestaram-se imediatamente:
- Acordei no dia 7/7 com o rosto extremamente inchado, uma reação física inédita até então.
- Minha condição física regrediu gravemente, anulando semanas de evolução que eu havia conquistado na fisioterapia.
- Passei a sofrer ataques de pânico desencadeados por pequenas alterações no meu campo de visão periférica.
- O odor do veículo utilizado para me buscar na clínica tornou-se um gatilho imediato de náusea e desespero.

Se você tem parente nessa instituição, peço que reconsidere urgentemente. Se eu não possuísse firmeza, conhecimento das leis e o apoio inquestionável de minha mãe, eu poderia ter sido dopada, como sugerido pela enfermeira e o desdobramento disso não gosto nem de imaginar. Só de lembrar o que aconteceu já sinto meu corpo todo tenso, como se eu voltasse àquelas horas de terror.

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Resposta da empresa

14/07/2026 às 10:36

Prezada Ana Gabriela,

Informamos que o seu relato foi formalmente registrado na Ouvidoria ViV e está em análise junto às áreas responsáveis para as devidas tratativas.

O retorno será realizado por meio da Ouvidoria ViV e as informações referente a protocolo e prazo foram encaminhadas através do e-mail informado.

Permanecemos à disposição para quaisquer esclarecimentos através do formulário disponível em https://ouvidoria.vivsaude.com.br/

Atenciosamente,
Ouvidoria ViV
ViV Saúde mental e emocional