Negligência e erro em extração de siso na Clínica Guimarães causam comunicação buco-sinusal, sinusite crônica e múltiplas cirurgias corretivas

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Belo Horizonte - MG
16/12/2025 às 15:25
ID: 234984685
Procurei a Clínica Guimarães Odontologia por indicação e confiança no Dr. Virgílio Guimarães, profissional que dá nome à clínica. Desde o início, todo o atendimento e orientação foram conduzidos por ele, inclusive a avaliação inicial, na qual foi indicada a retirada dos quatro sisos de uma única vez.
Na ocasião, o Dr. Virgílio Guimarães informou que, embora o procedimento fosse realizado pelo Dr. Eduardo Morato, ele acompanharia todo o processo, o que foi determinante para minha decisão de realizar a cirurgia nessa clínica.
No dia 04/07/2025, realizei a extração dos meus quatro sisos com o Dr. Eduardo Morato. Segundo ele, a cirurgia teria sido super tranquila, principalmente a extração dos sisos superiores. Entretanto, o Dr. Virgílio Guimarães não esteve presente em nenhum momento do procedimento cirúrgico, apesar de ter afirmado previamente que acompanharia o caso.
No dia 11/07/2025, fiz a retirada dos pontos com o Dr. Virgílio Guimarães, que me orientou que eu poderia retomar minha vida normalmente.
Contudo, em 01/08/2025, comecei a perceber que água e alimentos estavam saindo pela narina esquerda, situação claramente anormal. No dia seguinte, 02/08/2025, passei a sentir um odor extremamente forte e desagradável vindo do nariz, sugestivo de infecção. Entrei em contato com ambos os profissionais, e o Dr. Eduardo Morato solicitou que eu retornasse à clínica no dia 04/08/2025.
Nesta consulta, fui informada pelo Dr. Eduardo Morato que havia ocorrido uma comunicação buco-sinusal, alegando que isso seria algo normal, afastando qualquer responsabilidade profissional. Após pesquisar amplamente, não encontrei respaldo técnico que considere essa intercorrência como algo normal. Ainda assim, foi prescrito apenas um antibiótico por 7 dias, sem solicitação de exames de imagem para avaliação adequada da gravidade do caso.
Mesmo após o uso do antibiótico, não houve melhora dos sintomas. Procurei então uma médica otorrinolaringologista, que informou que o antibiótico prescrito não era adequado para sinusite, prescreveu outro medicamento e solicitou tomografia, destacando que essa situação não é comum.
A tomografia, realizada em 09/08/2025, teve o laudo liberado em 14/08/2025, apontando:
Ampla deiscência óssea na região apical do terceiro molar da maxila esquerda, havendo processo inflamatório crônico.
Enviei o resultado ao Dr. Virgílio Guimarães e ao Dr. Eduardo Morato, que novamente minimizaram o quadro, afirmando que seria normal e que fecharia espontaneamente com antibióticos. A partir desse momento, o atendimento tornou-se frio, pouco esclarecedor e sem empatia, em contraste com a postura adotada antes da cirurgia.
No mesmo dia, procurei outro dentista, que classificou o caso como grave, prescreveu nova rodada de antibióticos e alertou que, caso não houvesse fechamento espontâneo, seria necessária cirurgia corretiva.
Após cerca de um mês, os sintomas retornaram, incluindo novamente a saída de líquido pelo nariz. Em 04/10/2025, precisei realizar o fechamento da comunicação buco-sinusal com outro profissional.
Mesmo após esse procedimento, em novembro, os sintomas nasais retornaram, evoluindo para sinusite crônica decorrente da falha na extração do siso. Um otorrinolaringologista confirmou a necessidade de cirurgia para fechamento interno da fístula e cirurgia para tratamento da sinusite.
No dia 10/12/2025, fui submetida a uma cirurgia em bloco cirúrgico, com anestesia geral, para realização dos dois procedimentos. Durante a cirurgia, foi identificado um fragmento ósseo dentro do seio maxilar esquerdo, além da presença de fungos, ambos relacionados à erro na extração do siso.
Um procedimento inicialmente apresentado como simples resultou em:
Comunicação buco-sinusal
Sinusite crônica
Múltiplos ciclos de antibióticos
Duas cirurgias corretivas
Necessidade de anestesia geral
Sofrimento físico, emocional e prejuízo financeiro
Diante de todo o ocorrido, não recomendo a Clínica Guimarães Odontologia, nem os profissionais Dr. Virgílio Guimarães e Dr. Eduardo Morato. Houve falha técnica, quebra de confiança, negligência no acompanhamento, minimização de sintomas relevantes e ausência de responsabilidade diante das consequências causadas. Espero que este relato sirva de alerta para que outros pacientes não passem pela mesma experiências.