Desleixo com o paciente

Em réplica
Rio de Janeiro - RJ
05/02/2021 às 20:47
ID: 119256513
Essa reclamação possui mais de 3 anos e não está mais sendo contabilizada no índice da empresa
Ver todas ReclamaçõesVenho por meio deste relato registrar minha reclamação e indignação contra o Hospital Placi-Cuidados Extensivos, situado na rua General Polidoro n *******, Botafogo, Rio de Janeiro/RJ.
Regina Katia da Silva Ferrari, segurada pelo plano Quality M122 da Amil através da ANAJUSTRA, com n cartão 212457675, deu entrada no referido hospital no dia 08/10/*******, transferida do Hospital Pró-cardíaco com diagnóstico de C71 neoplasia maligna do encéfalo, tipo glioblastoma, vindo a óbito no dia 29/01/*******.
Neste período de internação, o que se percebeu foi uma falta total de interesse do Hospital Placi-Cuidados Extensivos em informar e esclarecer devidamente ao declarante, irmão da paciente, sobre os exames, procedimentos e medicações a ela prestadas e seu real quadro médico, bem como a demora no atendimento dos pedidos do declarante e as promessas não cumpridas de conferências quinzenais com os responsáveis pela instituição, causando-lhe um imenso desgaste ao ter que repetir suas solicitações várias vezes. Soma-se a isso à crença generalizada por parte de alguns profissionais de que não havia mais o que fazer, criando uma sensação de relativa normalidade, como poderá ser demonstrado pelos exemplos descritos abaixo.
A paciente chegou com sonda nasogástrica instalada para ingestão de alimentos e medicações e com quadro de anemia oriunda de doença crônica mas, no decorrer do tempo, se manteve estável. No mês de dezembro, ela começou apresentar sintomas de diarreia alternado com constipação, bem como náuseas e vômitos, sendo que estes eram se repetiam significativamente quando os profissionais de saúde abaixavam sua cabeça de maneira não especialmente cuidadosa após o banho e/ou nas trocas de posição e de fraldas no decorrer do dia e da noite.
Depois de muita insistência do declarante, se conseguiu junto ao referido hospital a determinação para que os seus profissionais não abaixassem a cabeceira da cama a ponto de zerar com a parte inferior, a fim de que a cabeça da paciente permanecesse elevada por um travesseiro de modo a evitar que ela vomitasse. Apesar de tal determinação, alguns técnicos de enfermagem insistiam em não cumpri-la, o que acabava, na maioria das vezes, provocando episódios de vômito em seguida ou após o término do manuseio, principalmente por uma técnica de enfermagem chamada Maiara.
Diante de sucessivas repetições dos episódios acima, no final de mês de dezembro, conseguiu-se que a referida técnica não tivesse mais contato com a paciente, mas ela permaneceu na equipe no mesmo andar, o que gerou um constrangimento e uma animosidade para com o declarante, irmão da paciente.
Lamentavelmente, mesmo com tal determinação, em meados do mês de janeiro, por volta das 4:30 da manhã, a mencionada técnica ingressou no quarto e não só medicou como manuseou a paciente e, após 40 minutos de tal intervenção, esta começou passar mal. Ao comunicar o ocorrido à chefe da enfermagem do Hospital, por volta das 7:00 da manhã, a mesma se limitou a afirmar que a nome da citada técnica não constava da equipe de técnicos do respectivo plantão e que haveria algum engano, declaração esta evidentemente [Editado pelo Reclame Aqui] e absurda, tendo em vista que o episódio foi presenciado pelo declarante.
Contactou-se, então, a responsável pela gerência do Hospital, chamada Flávia, ocasião em que foi lhe dito que, apesar de não constar o nome da referida técnica no plantão, a mesma prestou serviços no andar. Afirmou-se, ainda, que se a instituição insistisse na negativa de tal fato, deveria providenciar a imediata transferência para outro nosocômio, o que fez a referida responsável se comprometer a apurar e fornecer uma resposta sobre o ocorrido. No entanto, ainda que tal resposta formal ou um pedido de desculpas nunca tenha ocorrido, a aludida técnica envolvida no episódio não permaneceu mais no andar.
Contudo, além de abalar a confiança do declarante no mencionado Hospital, tal episódio não impediu que alguns outros técnicos de enfermagem deixassem de cumprir com a aludida determinação de cuidados para evitar quadros de vômitos, o que levou ao declarante à desgastante posição de fiscal dos profissionais que ali atuavam e não mais a instituição, pois era quem normalmente era obrigado a alertar sobre algo de errado que acontecia.
Durante este período, foi necessário a retirada e a colocação na paciente de várias sondas nasogástricas devido ao constante entupimento delas ou acotovelamento no estômago, trocas essas que causavam dor e sofrimento à paciente não só pela colocação, mas por provocar novos vômitos. Depois de muita insistência do declarante, no dia 21/01/*******, obteve-se a autorização para realização ,no Hospital Pró-Cardíaco, de uma gastrostomia por via endoscó[Editado pelo Reclame Aqui] com passagem de sonda, tendo a paciente evoluído bem mesmo diante do respectivo laudo ter constatado uma esofagite erosiva péptica acentuada, grau D de Los Angeles, tendo havido um único episódio de pouco vômito após 4 dias, justamente por acúmulo de resíduo no estômago após movimentação.
No entanto, no dia 28/01/*******, uma técnica de nome Lidiane que já havia atuado com a paciente em outros dias em substituição no andar, no momento do banho pela manhã, tornou a baixar demasiadamente a cabeceira da paciente, a qual nauseou bastante com o movimento de subida, mas sem vômito. Uma nova troca de fraldas ocorreu antes das 14:00 h, antes do horário que normalmente se realizava com a participação desta mesma técnica. Ao chegar um pouco depois, o irmão da paciente percebeu que a mesma passou a vomitar novamente. Pediu-se, então à enfermeira do andar para que a mencionada técnica não manuseasse mais a paciente.
Tal solicitação, porém, como de praxe na postura negligente do hospital, não foi atendida. Ao retornar após às 18:00 h, o declarante verificou que a mesma técnica de enfermagem já havia participado da última troca de fralda do plantão. Infelizmente, porém, logo após essa troca, a paciente passou a apresentar um quadro que jamais ocorrera antes, pois estava em agonia, respirando fundo, com pressão alta e batimentos cardíacos elevados (******* bpm). Solicitou-se socorro imediato, levando a médica de plantão a prescrever alguns medicamentos que baixaram a pressão e os batimentos, mas, volta e meia, permaneciam os episódios de agonia.
Por volta das 20:00 h, provocou-se a vinda da plantonista, dra. Isabela, a qual, após verificar a permanência de tal quadro, prescreveu morfina. Ao reexaminá-la, por volta das 22:00 h, afirmou que a paciente teria se estabilizado e que a insistência dos episódios de agonia, que não cessaram, seria algo que se repetiria, não havendo motivo para preocupação. O declarante solicitou um aparelho para monitorar a pressão e os batimentos da paciente, mas tal pleito foi negado sob a alegação que o hospital não tinha este propósito.
O irmão da paciente resolveu confiar no que lhe dissera a médica plantonista e foi dormir. Porém, ao acordar para ir ao banheiro por volta das 5:00 h, verificou que a paciente piorara do seu quadro de agonia, tendo logo procurado por socorro, inicialmente no primeiro andar, já que no seu andar não havia ninguém no posto de enfermagem. A referida médica plantonista chegou um tempo depois e, após examiná-la e determinar a aplicação de uma injeção, afirmou que a paciente morreria em pouco tempo, pois já estava sem pulsação e com a pressão muito baixa, vindo logo a falecer às 5:53 min.
Verifica-se que a [Editado pelo Reclame Aqui] da paciente se deu subitamente sem que a equipe médica jamais alertasse a família sobre a possibilidade de que isto viesse a acontecer em tão breve tempo. Não foi dada a oportunidade ao irmão da paciente de permanecer por mais tempo nos últimos momentos de vida e se despedir dela, já que, naquela ocasião, jamais, lhe foi alertado que ela poderia morrer a qualquer momento em razão do quadro que estava apresentando.
A dra. Scyla Reis, quando da entrega da declaração de óbito, afirmou que talvez não se tenha passado tal informação pelo fato do declarante ter manifestado várias vezes o desejo de não falar em [Editado pelo Reclame Aqui]. Contudo, há um enorme diferença entre especulações sobre a possibilidade de [Editado pelo Reclame Aqui] em um futuro hipotético e o direito do declarante, como membro da família, de ser informado sobre a iminência da [Editado pelo Reclame Aqui] da paciente. Este, s.m.j., jamais poderia lhe ser subtraído.
Dessa forma, encerro este relato, ante as diversas violações físicas e morais acima descritas, bem como a falta de humanidade a que foi submetida a paciente e seus familiares, solicitando as providências cabíveis para que outros pacientes em cuidados paliativos não venham a passar pela mesma situação.
Att.,
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Resposta da empresa
09/02/2021 às 17:36
Prezado Sr. João Ricardo, boa tarde. Sabemos o quanto é difícil acompanharmos a partida de pessoas muito próximas e queridas. Em respeito à sua dor, vamos nos colocar à disposição para apoiá-lo ou ouvir suas contribuições de melhorias. Sempre temos muito a melhorar, mas jamais conseguiremos cuidar tão bem na mesma intensidade do amor que tinha por sua irmã. Respeitosamente, aceite nossos sinceros sentimentos.
Réplica do consumidor
09/02/2021 às 21:40
Que, apesar da resposta insatisfatória, já que não se enfrentou as questões por mim levantadas, continuo profundamente decepcionado com o serviço prestado pela instituição e que não precisa de apoio nenhum, mas sim que o serviço fosse prestado humanamente e adequadamente no momento em que era devido.