Consulta virou pretexto para venda de plano de R$ 8.700 e venda direta de medicamentos fora das normas da Anvisa

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Belo Horizonte - MG

24/06/2025 às 18:35

ID: 220447475

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Eu e minha irmã agendamos uma consulta médica acreditando se tratar de um atendimento convencional. No entanto, o que recebemos foi uma abordagem puramente comercial. O médico nos atendeu por cortesia, mas com o objetivo claro de vender um plano de tratamento de 6 meses no valor de R$ 8.700,00 valor esse que não havíamos solicitado e que em nenhum momento foi informado previamente.
Paguei pela consulta normalmente, que durou cerca de 20 minutos para que o Dr. ***** tão somente lesse os exames em uma planilha, e, ao final, fomos abordadas por uma funcionária da clínica, *****, insistindo para que fechássemos o plano. A situação foi desconfortável, e se isso tivesse sido informado antes, nenhuma de nós teria comparecido.
Outro ponto gravíssimo: a receita médica do medicamento combinado (Monjaro) só seria entregue caso optássemos por fazer o tratamento diretamente com a clínica. Após inúmeros pedidos por mensagem todos registrados fomos informadas de que o médico não indicaria o medicamento industrializado e que só receitaria a versão manipulada. Deixou claro que as injeções apenas seriam receitadas, caso fossem aplicadas pela prórpia clínica. Cada dose, segundo nos foi informado, custa aproximadamente R$ 1.000,00.

O mais alarmante: a clínica vende essas doses diretamente aos pacientes. Isso fere não só a autonomia do paciente como também normas sanitárias vigentes. A justificativa de procedência garantida não justifica a recusa na prescrição e a tentativa de fidelização forçada.

Segundo a Anvisa:
Apenas farmácias e drogarias podem vender medicamentos;
O Mounjaro não pode ser vendido por dose, pois sua embalagem registrada não é fracionável;
O medicamento só pode ser vendido mediante receita médica, e apenas médicos podem prescrevê-lo.

A prática de condicionar o acesso ao tratamento à contratação de um plano pago ou ao uso de produto vendido pela própria clínica é, no mínimo, antiética e, possivelmente, ilegal. Saímos da clínica com a nítida impressão de que a saúde ficou em segundo plano, substituída por interesses comerciais.

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