Desvio de função, demissão arbitrária e problemas com verbas rescisórias

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Fortaleza - CE

17/08/2026 às 16:33

ID: 256683509

Minha filha trabalhou no Colégio Provecto (razão social: Lima Campos SS Eireli-EPP) no período de 05/01/2026 até 25/06/2026 no cargo de Auxiliar de Coordenação. Conforme foi passado na entrevista de contratação, suas atribuições seriam:
. Auxiliar nos processos da Coordenação (rotinas inerentes ao cargo)
. Observar/ organizar, quando necessário, a disciplina entre alunos
. Manter contato, quando necessário, com os pais de alunos.
. Horário: 7:00h às 17:00h com intervalo de almoço de 10:h48 às 12:00h
Passou por treinamento, cumprindo as orientações recebidas pela Coordenação, e estava exercendo o cargo conforme o exigido pela função.
Mas aí as coisas começaram a mudar: Por ser a única Auxiliar de Coordenação para atender a demanda do cargo, começou a haver um acúmulo/desvio de funções que, apesar de não fazer parte do seu trabalho, passou a ser cobrado como se fosse.
A realidade era outra:
. O horário de trabalho era de 7h às 17:00, mas chegava às 6:20 (não batia o ponto) porque tinha que abrir 4 salas na parte da manhã e 6 salas no período da tarde (Isso já comprometia o intervalo para descanso?almoço).
Tinha que verificar se o equipamento a ser utilizado pelos professores (computadores) estavam funcionando bem. Era comum que não estivessem) Acionava o setor de TI para resolver
Ligar os aparelhos de ar-condicionado antes que os alunos chegassem. Detalhe, é que a aula iniciava às 7:20h.
Ligava para os faltosos (pois muitas vezes os pais deixavam os alunos no portão mas os mesmos não entravam, iam para outros lugares, então por questão de segurança, ligava para confirmar a falta).
Todos os dias para saber quem eram os faltosos era necessário emitir um relatório de AUSENTES, altamente falho, pois nem todos os dias todas as catracas estavam funcionando. Esse relatório dependia de um funcionário da TI que não tinha uma rotina de horário para entrega. Fazia quando dava, isso prejudicava todo o andamento dessa tarefa.
Ficava em sala de aula quando algum professor faltava. Algumas vezes deixavam trabalhos para ocupar o alunos mas os mesmos simplesmente rasgavam. Mesmo sendo comunicadas, a Coordenadora e muito menos a Supervisora tomavam providências para manter a ordem. Em dias assim, o relatório poderia até ser emitido, mas era só pra ficar arquivado. Não tinha utilidade nenhuma. Mas caso ela não fizesse, seria cobrada.
Justamente por passar muito tempo cobrindo faltas quase diárias de professores, de quaisquer disciplinas, não havia tempo hábil para o contato por telefone com os pais, nem as rotinas burocráticas eram cumpridas por simples falta de tempo. Resultado?? Cobrança, por não ter feito tudo.
A auxiliar tinha que parar o que estava fazendo para saber quanto tempo os alunos demoravam nos banheiros, principalmente os meninos. Pois os mesmos levavam cigarro eletrônico, ou coisas ilícitas. Mas tudo isso era velado.
Todos os dias as agendas (que seria mais coerente os professores fazerem em sistema, lá era feito pelos alunos e levados para a digitação) Detalhe que os alunos não faziam. Então como ela poderia inserir no sistema um material que não tinha sido feito? os alunos não faziam. Mesmo sabendo disso, repetindo, a Coordenação e nem a Supervisão sequer ouviam.
A mesma não podia faltar, pois segundo ouvia: Quando você falta todo mundo percebe, o serviço não anda pois a coordenação fica sobrecarregada ou Desse jeito você não vai durar aqui.
Alunos chegaram a danificar a parede de uma sala, com chutes e socos e a auxiliar teve que abrir um chamado informando que foi uma pequena brincadeira dos alunos (detalhe que abrir um buraco na parede virou brincadeira)
Muitos alunos laudados , com os quais ela criou vínculo . Diariamente um ou outro tinha crise, mas não queriam ir para a psicóloga pois queriam conversar com a tia que estava ali com eles todos os dias.
Nas 4 feiras ficava nos corredores fiscalizando a movimentação dos alunos com relação ao uso dos banheiros, nesse horário, mais uma vez as rotinas eram deixadas de lado.

Foram 5 meses de muito trabalho e muito desgaste físico e mental.
Resultado: O corpo sentiu e por duas ocasiões ela faltou ao trabalho por simplesmente não ter condições físicas de passar o dia inteiro subindo e descendo três andares de escadas para poder atender todas as demandas.
Nesses dois dias que faltou ao trabalho, levou atestado médico. Um dos dias foi descontado do salário.
Sentindo que não tinha como resolver a situação sozinha, procurou ajuda no RH da empresa, relatou todo o excesso de carga de trabalho, a falta de organização por parte da Coordenação (gestora direta) que ao invés de procurar solução para otimizar o trabalho simplesmente ignorava e achou que com isso seria ouvida e poderia contribuir com um melhor resultado para o setor e para a Instituição como um todo.
Uma semana depois de ter conversado com o RH, a mesma pessoa foi até a Coordenação levando em mãos o Aviso Prévio para que fosse assinado.
Motivo: Afirmou que ela não iria aguentar o Segundo semestre. Também questionou o fato de que ela não tinha formação Superior em Pedagogia. Só que por ocasião da contratação foi exigido Ensino Médio (que tem completo).
Finalmente, a corda arrebentou:
Desta vez foi a um médico Psiquiatra,no dia seguinte (26/06/26) que fez uma consulta minuciosa e forneceu um Laudo com o CID- Síndrome de Burnout dando 15 dias de afastamento. A escola recebeu o laudo e suspendeu o Aviso Prévio, informando que ela deveria retornar dia 13/07/26 para retomar as atividades normais.
Ela cumpriu o prazo dado pelo Atestado e retornou dia 13/07, conforme o combinado.

Só que não chegou a sequer iniciar o trabalho. Foi chamada na sala de Reunião onde, na presença do Diretor e da Gerente, foi comunicada que, se não tivesse outro laudo o processo de demissão seria continuado, a não ser que ela levasse um novo laudo médico. Foi coagida a assinar um novo aviso prévio, e que entrariam em contato para a Rescisão de Contrato.
No dia seguinte, ela voltou ao médico Psiquiatra, relatou que tinha sido novamente demitida e ele desta vez forneceu um laudo de afastamento por tempo indeterminado, por incapacidade laboral.
A essas alturas, já tinha um advogado cuidando do caso (foi quem recebeu o laudo médico), foi comunicada também pelo advogado que não poderia entrar em contato com ninguém da escola (por mensagem, e-mail, celular ou presencialmente), e que a verbas rescisórias já tinham sido depositadas em Juízo.
Até esta data as verbas não foram creditadas na conta bancária fornecida diretamente na 14. Vara conforme o advogado da escola havia falado.
Aí me diga: como se faz um tratamento? Como sobrevive sem saber onde suas verbas depositadas judicialmente à sua revelia? Como se demite uma funcionária com laudo de incapacidade? A escola o tempo inteiro se isentou de ajudar perante os problemas apresentados e os devidos consertos! E continuam nem aí. Pois ela foi só mais uma. Era mais fácil trocar uma pessoa que vivenciava isso todos os dias e trocar por uma de 24 anos com a cabeça fresca? Que tipo de tratamento e cuidado e zelo por quem estava lá todos os dias, dando além do seu máximo? Que mesmo com o Burnout ia trabalhar, que mesmo sem dormir pois já estava no seu limite ia trabalhar.
Quem leu até aqui, deve estar se perguntando: Por que a mãe é quem está falando por ela?
Resposta: Minha filha foi destruída física, emocional e psicologicamente por essa escola de fachada. Na verdade, não constrói cidadãos. Destrói pessoas que querem trabalhar de forma honesta e eficiente.
Aí eu pergunto: QUEM VAI RESOLVER ISSO? JÁ FOMOS 2 VEZES NA 14 VARA E NADA FOI RESOLVIDO. O ADVOGADO JÁ DEU COMO RESPOSTA QUE A VERBA FOI DEPOSITADA. QUANDO? ONDE? DEUS É QUEM SABE.
Enquanto isso, eu estou escrevendo por ela por um único motivo:
ELA NÃO TEM CONDIÇÕES EMOCIONAIS PARA RELATAR TUDO QUE ACONTECEU.
EU SÓ SEI DE TUDO PORQUE NOSSA FAMÍLIA É SOMENTE NÓS DUAS E A FILHA DELA, MINHA NETA.

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