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Rio de Janeiro - RJ

25/06/2026 às 14:53

ID: 252342883

À Coordenação da Escola,

Escrevo esta mensagem para registrar formalmente minha preocupação com o episódio ocorrido hoje envolvendo meu filho, Pedro, aluno do 5 ano.

Antes de relatar os fatos, considero importante destacar que este não é um caso isolado. Ao longo dos últimos anos, nossa família já procurou a escola em outras oportunidades para relatar episódios de bullying, provocações e dificuldades de relacionamento vivenciadas pelo Pedro. Portanto, trata-se de uma situação recorrente, que já foi objeto de registros e conversas anteriores.

O Pedro possui laudo de TDAH leve e, como é de conhecimento da equipe escolar, apresenta dificuldades de interação social. É uma criança que normalmente permanece isolada no ambiente escolar. Basta observá-lo na saída das aulas para perceber que, diferentemente da maioria das crianças, raramente está conversando ou brincando com colegas. Esse contexto faz com que ele seja mais vulnerável a situações de exclusão e provocações.

Segundo o relato dele, durante a aula um colega iniciou comentários depreciativos sobre sua letra. Em seguida, passou a fazer ofensas pessoais, dirigindo palavras ofensivas contra sua família, inclusive comentários relacionados à cor da pele do pai e ao peso da mãe.

O Pedro procurou a professora para pedir ajuda e informou que estava sendo ofendido. Entretanto, recebeu a orientação de aguardar, pois a professora estava ocupada corrigindo provas de outra turma. Sem a intervenção de um adulto, as provocações continuaram, passaram a envolver outros alunos da sala e ganharam intensidade.

O próprio Pedro tentou encerrar a situação, mas, sem conseguir suportar a pressão, pediu autorização para procurar a coordenação. Lá, relatou todo o ocorrido e, inclusive, afirmou que aceitava receber uma advertência, desde que o outro aluno também fosse responsabilizado. Essa postura demonstra que ele buscou resolver o conflito pelos meios adequados, recorrendo aos adultos responsáveis pela condução da escola.

Compreendo que conflitos entre crianças fazem parte da convivência escolar e reconheço a importância de ouvir todos os envolvidos antes de qualquer decisão. Entretanto, me preocupa profundamente que uma criança que procurou ajuda, tentou interromper o conflito e utilizou os canais institucionais tenha recebido exatamente a mesma consequência disciplinar daquele que iniciou as provocações e as ofensas.

Minha maior preocupação não é a advertência em si, mas a mensagem que esse episódio transmite ao Pedro. Ao procurar ajuda e não receber uma intervenção imediata, ele viu a situação se agravar. Ao final, foi punido da mesma forma que quem iniciou as agressões. Isso pode levá-lo a acreditar que buscar auxílio dos adultos não produz qualquer diferença.

Também considero importante registrar que, diante do histórico já conhecido pela escola, esperávamos uma atuação mais preventiva e cuidadosa. Justamente por não ser a primeira vez que relatamos episódios dessa natureza, acreditávamos que haveria um acompanhamento mais próximo para evitar que novas situações de bullying se repetissem.

Faço este registro não com o intuito de questionar a autoridade da escola, mas porque acredito que esse episódio merece uma reflexão mais profunda sobre os protocolos de prevenção e intervenção em casos de bullying, especialmente quando envolvem um aluno que já possui histórico de vulnerabilidade social dentro do ambiente escolar.

Solicito que esta manifestação seja anexada ao registro do ocorrido e considerada nas avaliações futuras, para que situações semelhantes possam ser prevenidas e conduzidas de maneira a proteger todos os alunos, especialmente aqueles que apresentam maior dificuldade de integração.

Continuamos acreditando no trabalho da escola e desejamos manter um diálogo construtivo. Nosso único objetivo é garantir que o Pedro possa frequentar o ambiente escolar sentindo-se seguro, respeitado e amparado.

Atenciosamente,

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