Reforma residencial abandonada com múltiplos problemas e quebra contratual

Reclamação em réplica

Em réplica

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Rio de Janeiro - RJ

15/01/2026 às 23:30

ID: 237845119

Em maio de 2025, eu e meu marido contratamos a Company House, representada por *****, para realizar a reforma completa da nossa residência. O contrato, assinado no mesmo mês, previa entrega em novembro de 2025.

Os problemas começaram logo em seguida: três trocas repentinas de arquitetos, mestre de obras e pedreiros em menos de dois meses. A cada mudança, precisávamos explicar novamente todo o projeto, pois a empresa não repassava informações às novas equipes.

Durante a execução, paredes foram construídas fora do projeto e precisaram ser demolidas três vezes, gerando atraso e desperdício de material. Em várias ocasiões, tive que sair do meu trabalho às pressas para receber entregas de materiais, já que não havia nenhum pedreiro na obra, mesmo em horário comercial. Visitávamos semanalmente o local e notávamos pouca ou nenhuma evolução. A comunicação com o responsável e com a equipe técnica se tornou cada vez mais difícil.

A execução da obra se tornou um completo desastre, e nos sentimos enganados. Até que, em setembro de 2025, a obra foi simplesmente abandonada, quando o próprio responsável informou que não tinha verba nem equipe para continuar. Na ocasião, a empresa já havia recebido cerca de 80% do valor total contratado, sem entregar nem 20% dos serviços previstos. O imóvel foi deixado em condições inadequadas, com lixo orgânico, vestimentas e calçados espalhados, e não recebemos sequer a chave da casa.

O último mestre de obras chegou a nos ligar logo após ser demitido. Ele relatou que recebeu apenas metade do salário combinado e que também foi enganado por pela empresa. Disse ainda que outras obras haviam sido abandonadas e pediu desculpas por ter deixado tudo pela metade.

Após o abandono, Vinícius propôs um acordo, apresentando um texto gerado por IA em que afirmava nos dever apenas metade do valor da obra. Questionamos o cálculo, pois ele não apresentou nenhum documento que comprovasse o andamento real dos serviços. Mesmo assim, sugeriu formas absurdas de pagamento, como o parcelamento da dívida em mais de 30 meses.

Ele também disse que faria o pagamento em 03/10/2025. Quando a data chegou, enviou uma mensagem às 2h da manhã com uma história sobre acionar um seguro, usada como justificativa para não cumprir o combinado. Depois, falou que isso não deu certo.

Hoje, a casa permanece inacabada e parcialmente demolida, o que nos causou grande prejuízo financeiro e emocional.

Esperamos que este relato sirva de alerta para que outros consumidores não passem pelo mesmo que vivemos.

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Resposta da empresa

17/01/2026 às 09:28

Olá, Julyete e Edwin,
Recebemos o relato de vocês com a máxima atenção e respeito. Primeiramente, gostaríamos de expressar nosso sincero pedido de desculpas por todos os transtornos mencionados. Entendemos que uma reforma não é apenas uma construção, mas a realização de um sonho, e lamentamos profundamente que a experiência de vocês tenha sido impactada por questões operacionais críticas.
Gostaríamos de esclarecer alguns pontos importantes sobre o que ocorreu e as medidas que estamos tomando:
No período mencionado, enfrentamos uma interrupção inesperada em nossa operação devido ao bloqueio das atividades por parte de nossa parceira financeira e de suprimentos (Stone). Isso afetou diretamente o fluxo de caixa de várias obras e a gestão das equipes em campo, o que explica a rotatividade de profissionais e os atrasos relatados. Assim que identificamos a impossibilidade de manter o cronograma original, apresentamos duas opções: a continuidade com um novo prazo ou a devolução dos valores. Optamos juntos pela devolução. É importante ressaltar que realizamos um levantamento detalhado dos serviços e, embora tenha havido divergências iniciais, aceitamos os novos valores pleiteados pelo Sr. Edwin em demonstração de boa-fé.
Informamos que o processo de ressarcimento já foi iniciado e parte considerável do valor acordado já foi devolvida. Estamos seguindo um fluxo de pagamentos para garantir que 100% da pendência seja sanada, conforme nossa disponibilidade financeira atual pós-crise.
Sobre o relato do mestre de obras, a Company House preza pelo cumprimento de suas obrigações trabalhistas. Estamos verificando internamente qualquer ruído de comunicação, mas reforçamos que nosso foco é não deixar nenhuma pendência com colaboradores ou clientes.
Reiteramos que a comunicação com o Sr. Edwin permanece aberta. Nosso objetivo não é apenas devolver o valor, mas encerrar este ciclo com a responsabilidade que a situação exige. Estamos à disposição nos canais oficiais para alinhar os próximos fluxos de pagamento e sanar qualquer dúvida remanescente.

Atenciosamente, Priscila do Grupo Company House

Réplica do consumidor

27/01/2026 às 16:27

Prezada Priscila,

Agradecemos a resposta, mas ela contém omissões e distorções relevantes que precisam ser esclarecidas publicamente.

Pagamos 90% do valor total do contrato (R$ 94.000), sendo 10% em maio, 40% em junho e 40% em setembro. A obra foi abandonada em outubro, ou seja, a última parcela de 40% foi paga cerca de um mês antes do abandono. Se houvesse qualquer responsabilidade na gestão, vocês teriam solicitado a paralisação antes de receber esse valor ou devolvido imediatamente parte substancial do montante ao abandonar o serviço.

A justificativa de bloqueio operacional pela Stone não altera a natureza do problema: má gestão contratual e financeira. Problemas internos de caixa não podem ser transferidos ao consumidor, conforme o Código de Defesa do Consumidor.

Não procede a afirmação de que optamos juntos pela devolução em condições razoáveis. Inicialmente, foi proposto um plano mirabolante, sugerindo que a Akad Seguros arcasse com uma dívida que é exclusivamente de vocês, o que, como era previsível, não se concretizou. Só houve qualquer avanço após a contratação de advogada e o início de medidas formais de cobrança.

Até o momento, foram devolvidos aproximadamente R$ 13.000, o que representa cerca de 15% do valor pago, enquanto vocês retiveram cerca de R$ 81.000. Em termos práticos, receberam R$ 94.000 e entregaram uma casa em condições piores do que antes da obra, fato amplamente documentado por fotos, mensagens e registros técnicos.

O acordo extrajudicial firmado, no valor de R$ 70.000 parcelado em 18 meses, foi descumprido. Apenas duas parcelas foram pagas, e a terceira já está em atraso, caracterizando inadimplência. Portanto, também não procede a afirmação de que uma parte considerável foi devolvida.

Quanto aos relatos de profissionais, trata-se de mais um indício de falhas graves na gestão, que reforçam o padrão de descumprimento contratual.

Diante desse histórico, seguiremos com a cobrança da dívida nos meios cabíveis, além de registrar reclamações nos canais competentes (Procon, Consumidor.gov, Reclame Aqui e outros) para alertar terceiros sobre os riscos de contratar a empresa.

A comunicação permanece aberta, mas qualquer novo fluxo de pagamento deverá ser formalizado judicialmente.

Atenciosamente,
Edwin Aguiar e Jullyete Marques