Falta de isonomia na fiscalização sanitária de medicamentos em plataformas digitais

Não respondida
São Paulo - SP
13/08/2026 às 20:56
ID: 256424089
A responsabilidade sanitária precisa ser igual para todos
Sou farmacêutica e proprietária de uma farmácia que atua há mais de 18 anos no mesmo local. Ao longo de todos esses anos, sempre procurei cumprir rigorosamente as exigências estabelecidas pelos órgãos sanitários e pelo Conselho Regional de Farmácia, especialmente no que diz respeito à presença do profissional farmacêutico, armazenamento adequado, limpeza, POPs, controle de medicamentos e segurança na dispensação.
Por isso, causa preocupação observar a ampliação da comercialização de medicamentos por grandes plataformas de comércio eletrônico, como Shopee e Mercado Livre, enquanto nós, proprietários de farmácias físicas, somos submetidos a inúmeras exigências e penalidades quando qualquer procedimento não está rigorosamente de acordo com as normas sanitárias.
Não questiono a evolução tecnológica nem a possibilidade de utilização de novos canais de venda. O que questiono é: como está sendo garantida a mesma segurança sanitária e assistência farmacêutica ao paciente nesse modelo de comercialização?
É necessária a presença e a responsabilidade de um farmacêutico?
Como são realizados o armazenamento, a limpeza, o controle de temperatura e umidade, os POPs, a rastreabilidade e o controle dos medicamentos?
Quem é o responsável técnico pela dispensação?
Como é realizada a orientação ao paciente?
Como são identificadas possíveis interações medicamentosas, contraindicações e riscos relacionados ao uso simultâneo de diferentes medicamentos?
Inclusive, procurei contato com o Mercado Livre para solicitar esclarecimentos e conversar com um farmacêutico responsável, mas não obtive retorno.
Nós, profissionais farmacêuticos, merecemos respeito e, principalmente, isonomia na aplicação das normas sanitárias.
Se uma farmácia física precisa cumprir rigorosamente determinadas exigências para garantir a segurança do paciente, é fundamental esclarecer como essas mesmas garantias são asseguradas nas vendas realizadas por grandes plataformas digitais.
Não se trata apenas de uma questão comercial ou de concorrência. Estamos falando de medicamentos e, consequentemente, de saúde pública e segurança do paciente.
Por isso, deixo uma pergunta aos nossos Conselhos, à Vigilância Sanitária e aos órgãos responsáveis:
Quais são os mecanismos efetivamente exigidos e fiscalizados para garantir a assistência farmacêutica, a qualidade, a segurança e o uso racional dos medicamentos comercializados por essas plataformas?
Esperamos uma avaliação séria e transparente dessa questão.
Farmacêuticos também precisam ser ouvidos quando o assunto é segurança do paciente.