Reclamação sobre atendimento psiquiátrico e descontinuidade no tratamento de saúde mental pela Prevent Senior

Não respondida
Osasco - SP
06/07/2026 às 17:03
ID: 252896445
Minha reclamação não se refere apenas ao atendimento psiquiátrico que recebi em 1 de julho de 2026, mas principalmente à forma como o sistema da Prevent Senior vem tratando pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo em saúde mental.
Tenho 54 anos, fibromialgia crônica, TEA nível 1 de suporte, TDAH e vinha apresentando importante agravamento emocional, com suspeita de burnout relacionado ao autismo, sintomas depressivos e relato de ideação suicida aos profissionais que me acompanham.
Meu tratamento já havia sido interrompido anteriormente porque médicos que me acompanhavam foram descredenciados pela Prevent Senior. Depois, consegui iniciar acompanhamento com outro psiquiatra, que compreendeu meu quadro, mas, diante da urgência da minha situação, não consegui retornar com ele porque o sistema da Prevent Senior não permite encaixe nessas circunstâncias. Fui orientada pela própria operadora a procurar outro profissional.
É justamente esse sistema que considero um dos maiores problemas. Pacientes em sofrimento psíquico precisam construir vínculo e confiança com seus médicos. A cada descredenciamento ou impossibilidade de retorno, somos obrigados a recomeçar do zero, revivendo toda a nossa história clínica e emocional para um novo profissional. Isso é extremamente desgastante e pode agravar quadros já delicados.
Foi nesse contexto que consultei o Dr. Carlos Alberto Anderson Correia Mendonça. Durante a consulta, tive dificuldade para expor meu histórico porque fui interrompida diversas vezes. Além disso, durante praticamente todo o atendimento, o médico não manteve contato visual comigo. Permaneceu a maior parte do tempo olhando para baixo e balançando a cabeça em sinal de negativa enquanto eu falava, o que me transmitiu a impressão de que minhas explicações estavam sendo previamente desconsideradas.
Também tive a clara percepção de que o foco da consulta passou a ser apenas a questão do afastamento do trabalho, como se eu estivesse ali unicamente para obter um atestado. Sim, eu realmente precisava de uma avaliação da minha incapacidade laboral, porque meu estado de saúde não me permitia trabalhar naquele momento. Porém, esse não era o principal motivo da consulta. Minha psicóloga havia solicitado uma reavaliação psiquiátrica porque meu estado emocional havia piorado significativamente, com sintomas depressivos e ideação suicida recente. Eu precisava de uma avaliação cuidadosa, de orientação sobre a continuidade do tratamento e da análise da necessidade de ajustes na medicação.
Relatei meus sintomas, mas não percebi investigação clínica aprofundada nem uma avaliação individualizada do meu caso. Também fiquei surpresa quando a hipótese de burnout relacionado ao autismo, levantada pelos profissionais que acompanham meu tratamento, foi descartada de forma categórica. O que mais me marcou, entretanto, foi a falta de sensibilidade diante da minha condição emocional. Em um momento de extrema vulnerabilidade, senti que não fui verdadeiramente ouvida, acolhida nem compreendida.
Saí da consulta profundamente abalada. A crise emocional foi tão intensa que precisei permanecer por cerca de 30 minutos sentada na calçada antes de conseguir dirigir. Durante o trajeto, apresentei dor no peito, formigamento nas mãos e me desorientei no caminho, precisando procurar atendimento de urgência em um Pronto Atendimento da própria Prevent Senior. Após avaliação, fui medicada e recebi afastamento por dois dias. O médico que me atendeu orientou que eu registrasse uma reclamação formal sobre o ocorrido.
Gostaria de deixar claro que meu objetivo não é discutir a autonomia técnica do médico, mas demonstrar que esse atendimento ocorreu dentro de um contexto criado pela própria Prevent Senior. Se eu tivesse conseguido retornar ao psiquiatra que já conhecia meu histórico, ou se meu tratamento não tivesse sido interrompido por sucessivos descredenciamentos, muito provavelmente essa situação não teria acontecido.
A Prevent Senior precisa rever seu modelo de continuidade assistencial. Em saúde mental, não basta oferecer qualquer consulta disponível. É essencial preservar o vínculo terapêutico, especialmente para pacientes em situação de vulnerabilidade. Eu mesma havia relatado recentemente um período de intenso sofrimento psíquico, com ideação suicida. Felizmente consegui buscar ajuda, mas outros pacientes podem não ter a mesma oportunidade. A dificuldade de acesso ao profissional que já acompanha o paciente e as constantes interrupções do tratamento podem agravar crises e expor pessoas vulneráveis a riscos graves.
Espero que minha reclamação seja tratada com seriedade, que o caso seja apurado e, principalmente, que a Prevent Senior reveja seus processos para que outros pacientes não passem pela mesma situação.