Reclamação sobre defeito em veículo, garantia não resolvida e divergências no financiamento

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Itaubal - AP

05/09/2026 às 06:06

ID: 258278677

Problemas na compra de veículo, garantia e divergências no financiamento

Venho registrar minha insatisfação com a condução da negociação realizada com a DSM Multimarcas referente à aquisição de uma Renault Duster.

Faço este registro para buscar uma solução, deixar documentada minha experiência e também alertar outros consumidores sobre a importância de conferirem cuidadosamente a negociação, o reparo em garantia e o financiamento.

1. Defeito no veículo e prazo de 30 dias sem solução

O veículo apresentou uma falha grave no câmbio durante o período de garantia, deixando o automóvel sem condições normais de utilização.

O veículo foi entregue à loja para reparo, porém o problema não foi solucionado dentro do prazo legal de 30 dias.

Durante esse período, solicitei informações sobre o diagnóstico, o serviço que seria realizado e principalmente sobre as peças que seriam utilizadas.

A loja, porém, não forneceu adequadamente as informações técnicas solicitadas e não apresentou uma solução definitiva dentro do prazo.

Também houve divergência quanto à utilização de peça usada. Diante da ausência de informações suficientes sobre procedência, condição e adequação do componente, não autorizei sua utilização.

O prazo de 30 dias transcorreu sem que o veículo fosse definitivamente reparado e colocado em condições normais de utilização.

Diante disso, manifestei minha opção pela substituição do veículo, conforme previsto no art. 18, 1, do Código de Defesa do Consumidor, que prevê ao consumidor, após não solucionado o vício no prazo legal, a possibilidade de escolher entre substituição do produto, restituição da quantia paga ou abatimento proporcional do preço.

A loja não apresentou uma solução para minha opção pela substituição e não se pronunciou de forma efetiva sobre esse pedido.

Minha opção, portanto, é pela substituição do veículo por outro equivalente, e não por permanecer indefinidamente aguardando um reparo.

2. Alerta sobre reparos em garantia

Deixo um alerta aos consumidores: quando um veículo apresentar defeito e for encaminhado para reparo, é importante documentar a entrega e solicitar informações claras sobre:

- diagnóstico do defeito;
- serviço que será realizado;
- peças que serão utilizadas;
- origem e condição das peças;
- orçamento, quando aplicável;
- prazo para conclusão.

O art. 21 do CDC estabelece regras sobre os componentes utilizados na reparação. O dispositivo prevê a utilização de componentes originais, adequados e novos, ou que mantenham as especificações técnicas do fabricante, ressalvada a hipótese de autorização do consumidor quanto a estes últimos.

Também é importante exigir orçamento prévio e discriminado quando houver prestação de serviço, conforme o art. 40 do CDC.

Por isso, minha orientação é: não autorize um reparo sem saber qual é o problema, o que será feito e quais componentes serão utilizados.

3. R$ 8.000,00 relacionados ao meu HB20S

Outro ponto é a composição financeira da negociação.

Durante a negociação do meu HB20S, entregue como parte do pagamento, foi informado que haveria R$ 8.000,00 a serem devolvidos para mim como parte da composição da negociação.

Eu tinha conhecimento desse valor dentro da negociação do meu veículo usado.

O que eu não sabia era que esse valor seria incorporado ao financiamento.

Não solicitei que os R$ 8.000,00 fossem financiados, não fui informado previamente de que seriam incluídos no financiamento e não autorizei essa inclusão.

Por isso, solicitei esclarecimentos sobre quem determinou a inclusão desse valor na operação financeira, de que forma essa informação foi enviada ao banco e qual documento comprovaria minha autorização.

Essa questão é relevante porque, uma vez incorporado ao financiamento, o valor passa a integrar a operação financeira e fica sujeito aos encargos previstos no contrato.

4. Divergências no financiamento e responsabilidade do banco

Também identifiquei divergências entre os valores e informações da negociação, da documentação do veículo e da operação de financiamento, além de questões cadastrais que precisam ser esclarecidas.

Por isso, deixo um alerta importante:

Quando existir divergência em um financiamento, o consumidor não deve tratar o problema somente com a loja.

A instituição financeira também deve prestar esclarecimentos sobre a operação registrada em nome do consumidor, incluindo valores, documentos, dados cadastrais e informações utilizadas para formalizar o contrato.

O consumidor pode procurar diretamente o banco, seus canais de atendimento e Ouvidoria. Caso não obtenha solução, também pode utilizar o Consumidor.gov.br e registrar reclamação perante o Banco Central, quando cabível.

O Banco Central recebe reclamações contra instituições financeiras e encaminha a demanda à instituição para resposta. É importante destacar que o Banco Central não decide individualmente quem tem razão no conflito, mas a reclamação também é utilizada em sua atividade de supervisão.

5. Não é uma questão somente com a loja

Faço questão de registrar este ponto porque muitos consumidores acreditam que, quando o financiamento é realizado dentro da loja, qualquer problema deve ser resolvido exclusivamente com o vendedor.

No meu caso, existem questionamentos relacionados à própria operação financeira.

Por isso, o banco também precisa explicar os dados, documentos, valores e informações que recebeu e utilizou para formalizar o financiamento.

6. Tentativas de solução e judicialização

Procurei solucionar as questões diretamente com os envolvidos e também utilizei os canais de defesa do consumidor.

Como não houve solução satisfatória, a situação foi encaminhada ao Poder Judiciário.

Mesmo com a demanda judicializada, continuo entendendo que uma solução transparente e consensual é possível.

Esta reclamação não tem o objetivo de fazer acusações sem prova. Estou registrando fatos, divergências documentais e problemas que foram comunicados às empresas e que, até o momento, não receberam solução satisfatória.

7. Alerta aos consumidores

Para quem pretende comprar um veículo financiado, recomendo conferir antes de concluir a negociação:

- preço real do veículo;
- valor da entrada;
- avaliação do veículo dado na troca;
- valores que seriam devolvidos;
- valor efetivamente financiado;
- CET;
- parcelas;
- documentos utilizados no financiamento;
- dados cadastrais;
- Nota Fiscal;
- contrato da loja;
- contrato bancário.

E, se houver defeito durante a garantia, documente a entrada do veículo para reparo, solicite diagnóstico e informações sobre as peças e acompanhe o prazo legal de 30 dias.

No meu caso, o prazo transcorreu sem solução definitiva, as informações solicitadas sobre o reparo não foram fornecidas adequadamente e, após eu manifestar minha opção pela substituição do veículo, a loja não apresentou uma solução efetiva.

Registro esta reclamação para buscar transparência, registrar minha experiência e alertar outros consumidores para que tenham atenção redobrada em negociações de veículos usados e financiamentos.

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