Falta de pagamento de diária e condipes de trabalho inadequadas para biomedica

Não respondida
Rio de Janeiro - RJ
18/08/2026 às 02:30
ID: 256723261
Sou Biomédica Esteta e encaminhei meu currículo para a referida empresa. Fui chamada para uma entrevista no dia 3 de agosto.
No dia 7 de agosto, fui convidada para realizar um teste na Barra da Tijuca, no Downtown, em uma sala alugada pela empresa para a realização de procedimentos. Na ocasião, acompanhei um procedimento e, ao término, retornei para a clínica localizada na Rua dos Rubis, 144, Rocha Miranda.
Ao chegar à clínica, a gerente, Kaylane, me ofereceu três dias de acompanhamento dos procedimentos, informando que as diárias seriam pagas. Aceitei a proposta.
No sábado, fui encaminhada para Niterói, também para uma sala alugada pela empresa para a realização de procedimentos. Durante esse período, a auxiliar não permitia sequer que eu saísse da sala para ter contato com clientes, o que me causou bastante estranheza. Ao término do expediente, retornei para minha residência.
Na segunda-feira, seria meu segundo dia. Cheguei à clínica de Rocha Miranda às 9h. Embora tivesse sido informada de que acompanharia os procedimentos, fui colocada para atender uma cliente que havia retornado para revisão.
Ao entrar na sala para realizar o atendimento, três funcionárias entraram comigo: uma auxiliar e duas atendentes. Fiquei extremamente nervosa, principalmente por ser minha primeira cliente naquele ambiente e por estar sendo constantemente monitorada. Além disso, fui informada, na prática, de que tudo o que era realizado durante o atendimento era gravado para ser encaminhado à proprietária da clínica.
Apesar do nervosismo causado pela situação, realizei o atendimento.
Durante todo o período em que permaneci na clínica, tive a sensação de estar sendo excessivamente controlada. Assim como havia ocorrido em Niterói, havia orientação para que permanecêssemos dentro das salas de atendimento, sem contato livre com outros funcionários ou pacientes.
Ao final do expediente, mesmo estando como profissional PJ e tendo sido estabelecido um horário até as 18h, houve necessidade de solicitar autorização para que eu pudesse deixar o local.
Diante de tudo o que havia presenciado e por não concordar com determinadas situações que, para mim, pareciam inadequadas, decidi que não retornaria para continuar os dias de acompanhamento. Agradeci pela oportunidade e informei que, caso precisassem de mim para alguma diária específica, poderiam entrar em contato.
No dia 12 de agosto, fui novamente convidada para realizar uma diária em Niterói, pois estavam previstos dois atendimentos. Saí da minha residência às 8h, para chegar ao local no horário solicitado, às 10h30.
Atendi a primeira cliente, que estava marcada para 11h30. Realizei a avaliação e me encaminhei para a sala de atendimento. Entretanto, o procedimento não foi realizado porque a cliente havia se equivocado em relação ao valor e desistiu.
A segunda paciente desmarcou e, naquele momento, não haveria mais procedimentos em Niterói.
Por volta das 12h40, recebi uma mensagem da gerente informando que eu estaria liberada. Logo depois, a mensagem foi apagada e ela solicitou que eu me deslocasse para a unidade de Rocha Miranda.
Mesmo não tendo sido combinado inicialmente, concordei em ir. Informei, porém, que precisava almoçar antes. A gerente não autorizou que eu almoçasse naquele momento, alegando que eu deveria chegar à clínica para atender uma paciente às 13h30 e que somente depois poderia almoçar.
Dessa forma, segui para Rocha Miranda sem ter realizado minha refeição.
Cheguei à clínica por volta das 14h05, e a paciente já estava no local. Fui informada de que seriam realizados dois procedimentos: preenchimento de glúteos e preenchimento nasal.
Informei que não realizaria o procedimento nasal, pois não possuía experiência prática com esse procedimento e considero o preenchimento nasal um procedimento que exige conhecimento técnico e experiência específicos, devido aos riscos envolvidos. Solicitei que outra biomédica, que estava no local e possuía experiência, realizasse o procedimento nasal. Meu pedido foi inicialmente aceito.
Comecei então a preparação para o procedimento de harmonização glútea.
Durante o preparo, a gerente Kaylane entrou na sala dizendo que precisava conversar comigo. Saí da sala para ouvi-la.
Ela me disse, em tom de cobrança, que eu havia informado durante a entrevista que sabia realizar preenchimento nasal e que esse teria sido um dos motivos pelos quais a empresa havia decidido me aceitar.
Respondi que não me recordava de ter afirmado que realizava preenchimento nasal. Lembrava apenas de ter mencionado, durante a entrevista, que não havia realizado procedimento de quadríceps
Na sequência, ela me disse: Coloque o que aprendeu em prática.
Diante dessa situação, retornei à sala. Posteriormente, fui liberada para almoçar, pois já estava passando mal em razão de estar sem me alimentar desde a manhã, naquele momento já por volta das 15h.
Ao sair, comuniquei à proprietária que iria almoçar, mas que não retornaria para realizar o procedimento nasal, pois considero esse procedimento delicado e não me sentiria segura em realizá-lo sem experiência prática suficiente. Também deixei claro que não colocaria uma paciente em risco apenas para atender a uma exigência da empresa.
Informei ainda que, caso ela entendesse que não deveria pagar a diária, eu não criaria qualquer problema, embora tivesse me deslocado de casa para Niterói especificamente para realizar aquela diária e não tivesse sido contratada para trabalhar na unidade de Rocha Miranda.
Saí de casa às 8h, fui até Niterói conforme solicitado, posteriormente fui direcionada para Rocha Miranda e, ao final, não recebi o pagamento da diária nem o valor referente à alimentação.
Além disso, ouvi da proprietária que, por eu ser profissional PJ, não teria horário de almoço.
Diante de toda essa experiência, fiquei extremamente desconfortável com a forma como os profissionais são tratados. Tive a percepção de um ambiente de trabalho excessivamente controlador, no qual há restrições quanto à circulação, ao contato com pacientes e à comunicação com outras pessoas, além de monitoramento constante dos atendimentos.
Também me causou preocupação a expectativa de que o profissional realize procedimentos para os quais não possui experiência prática suficiente, especialmente procedimentos de maior complexidade e risco.
Como Biomédica Esteta, entendo que minha responsabilidade profissional deve estar acima de qualquer pressão comercial ou exigência interna. Não considero correto realizar um procedimento com o qual não me sinto tecnicamente segura apenas porque a empresa espera que eu o faça.
Minha decisão de não realizar o preenchimento nasal não foi por falta de comprometimento, mas justamente por responsabilidade profissional e respeito à segurança da paciente.
Por fim, considero importante registrar que toda essa situação me causou grande desconforto e frustração, principalmente porque aceitei realizar as diárias acreditando que estaria em um ambiente de aprendizado e acompanhamento profissional, mas acabei vivenciando situações que considerei desrespeitosas, excessivamente controladoras e incompatíveis com a forma como acredito que um profissional da saúde deva ser tratado.