Clínica "Reconstruindo Sonhos" é acusada de maus-tratos, agressão e negligência grave contra paciente em tratamento de alcoolismo

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São Paulo - SP

26/05/2026 às 17:29

ID: 249754141

Meu sogro, *****, foi internado no dia 20/05 na clínica denominada Reconstruindo Sonhos, nome amplamente divulgado na internet. Porém, posteriormente descobrimos que o nome não corresponde ao CNPJ oficial da instituição, que estaria vinculado à Ecovale. Tal divergência já demonstra uma possível tentativa de ocultação ou irregularidade na atuação da clínica, levantando sérias dúvidas sobre sua legalidade, transparência e responsabilidade perante os pacientes e familiares.

A internação ocorreu por iniciativa do próprio *****, que reconhecia possuir um problema com alcoolismo e desejava tratar seu vício. Importante ressaltar que ele nunca foi uma pessoa incapaz de viver em sociedade ou debilitada física e mentalmente. Sempre trabalhou normalmente, possuía carteira registrada, é casado, lúcido e funcional. O vício existia, mas jamais havia causado qualquer estado físico ou psicológico semelhante ao que ele apresentou após passar por essa clínica.

No momento da internação, a clínica se mostrou extremamente atenciosa e prestativa. Entretanto, logo no dia seguinte, começaram a evitar contato e limitar informações sobre o estado do paciente. As respostas eram superficiais, rápidas e sem detalhes. Inclusive, alegavam que não poderiam fornecer muitas informações porque havia muitos pacientes.

Durante os quatro dias em que ***** permaneceu internado, em nenhum momento a família foi devidamente informada sobre qualquer agravamento clínico, medicações administradas, acompanhamento médico, psicológico ou qualquer protocolo utilizado.

No domingo, após quatro dias de internação, a clínica entrou em contato afirmando que ***** estava em um quadro gravíssimo de abstinência e que precisaria ser levado ao hospital. Exigiram que a família realizasse o pagamento de R$ 200,00 para custear uma ambulância.

Nesse momento, foi enviado um vídeo do paciente completamente em choque, extremamente debilitado e coberto por hematomas. A família, desesperada, imediatamente realizou o pagamento solicitado e foi até o local informado pela clínica.

Porém, ao chegarmos na unidade de atendimento, constatamos algo ainda mais grave: ***** não havia sido transportado em ambulância, conforme informado, mas sim em um veículo rural completamente sujo, em condições desumanas, como se estivesse sendo transportado sem qualquer dignidade.

Além disso, ele não foi acompanhado por nenhum responsável técnico da clínica. Não havia, enfermeiro, psicólogo, coordenador ou qualquer representante habilitado. Quem o deixou na unidade foram internos da própria clínica, pessoas visivelmente debilitadas, sem preparo, mal aparentadas e em condições igualmente precárias.

Os próprios internos relataram que trouxeram ***** às pressas para que não acontecesse o pior dentro da clínica, já que ninguém lá teria condições de ajudá-lo.

***** chegou ao hospital em completo estado de choque, sem conseguir falar corretamente, extremamente dopado, desorientado, cheio de hematomas pelo corpo, diversos roxos, marcas nos punhos e nas mãos semelhantes a contenção ou amarração, além de aparentar sinais claros de agressão física severa.

A clínica simplesmente abandonou o paciente na unidade de saúde e foi embora, sem prestar qualquer assistência, suporte ou acompanhamento.

No hospital, ele precisou receber atendimento emergencial imediato, incluindo medicações e exames. Foi constatado quadro de desnutrição, dificuldade urinária, extrema debilidade física e alterações importantes em seu estado mental.

As próprias enfermeiras relataram que não era a primeira vez que pacientes vindos dessa mesma clínica chegavam naquela situação. Segundo elas, aquele já seria o terceiro caso semelhante envolvendo maus-tratos. Inclusive mencionaram haver relatos de paciente que teria vindo a óbito em circunstâncias parecidas.

A família tentou inúmeras vezes obter esclarecimentos da clínica sobre o que aconteceu com *****, quais medicações foram administradas, quem realizou os procedimentos e o motivo das agressões visíveis em seu corpo.

A clínica negou qualquer agressão e alegou possuir vídeos provando que o próprio ***** teria causado os ferimentos em si mesmo. Porém, em nenhum momento tais vídeos foram enviados. Também não souberam informar corretamente quais medicamentos foram utilizados, se houve aplicação intravenosa, quem prescreveu ou quem realizou os procedimentos.

As respostas eram desencontradas, vagas e pareciam ser dadas por pessoas sem qualquer preparo técnico, passando a impressão de que os próprios internos respondiam pelas mensagens da clínica.

No momento em que a família começou a questionar os fatos e exigir explicações, um homem identificado como coordenador, chamado *****, informou que ***** estaria desligado da clínica.

Tal atitude demonstra extrema irresponsabilidade e levanta ainda mais suspeitas sobre a gravidade do que ocorreu dentro da instituição. Afinal, se o próprio estabelecimento decide interromper imediatamente o vínculo após ser questionado, isso demonstra consciência da gravidade dos fatos ocorridos.

Nenhum quadro de abstinência alcoólica justificaria o estado físico em que ***** foi encontrado: cheio de hematomas, marcas pelo corpo, dopado, sem conseguir falar, em estado de terror psicológico e físico.

Posteriormente, os pertences do paciente foram devolvidos em um carro de aplicativo. As roupas estavam extremamente sujas, com barro, urina e fezes. Muitas peças sequer pertenciam a ele. Dos itens pessoais levados no momento da internação, poucos retornaram.

Até o presente momento, ***** permanece em estado de choque psicológico. Ele ainda apresenta dificuldade para falar e, nos poucos relatos que consegue fazer, afirma ter sofrido agressões físicas dentro da clínica.

Relata que foi forçado a tomar medicações contra sua vontade, que tentaram medicá-lo excessivamente, que foi agredido por vários homens e até enforcado com um cadarço.

A família possui fotos e vídeos que comprovam os hematomas, o estado físico do paciente e toda a situação degradante em que ele foi encontrado.

A clínica, por sua vez, quase não responde às mensagens. Quando responde, limita-se a afirmar que falará apenas judicialmente, demonstrando total ausência de humanidade, responsabilidade e transparência diante da gravidade dos fatos.

Além de tudo isso, também foram relatadas condições insalubres dentro da clínica, alimentação inadequada, higiene precária e ausência de informações sobre profissionais responsáveis, médicos, CRMs ou equipe técnica habilitada.

Diante de tudo o que ocorreu, a família entende que ***** foi vítima de negligência grave, maus-tratos, possível cárcere privado, agressão física, violência psicológica e tratamento desumano dentro dessa instituição.

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Resposta da empresa

02/06/2026 às 11:38

Prezados,

Informamos que este contato pertence à Ecovalle Lagos Ornamentais & Aquarismo, empresa atuante no segmento de lagos ornamentais, piscinas naturais e aquarismo, com showroom localizado na cidade de São Paulo.

Não possuímos qualquer vínculo, relação comercial ou societária com a clínica de reabilitação mencionada em sua reclamação.

Dessa forma, solicitamos a gentileza de direcionar sua manifestação à empresa correta, para que ela possa analisar a situação e prestar os esclarecimentos necessários.

Esperamos que sua questão seja resolvida da melhor forma possível.

Atenciosamente,

Ecovalle Lagos Ornamentais & Aquarismo