Crítica sobre a aplicação de ensinamentos em ambientes abusivos e a culpabilização da vítima.

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Resolvido

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São Paulo - SP

11/01/2026 às 03:05

ID: 237301157

Elainne, quero te escrever algo com muito respeito e sinceridade, porque o que você ensina tem impacto profundo na vida das pessoas.

Sou Holo6 e tenho todos seus livros.

Ao longo dos anos, você trouxe a ideia de que quando algo nos incomoda nos outros, o que precisa ser curado está em nós, não no outro. Em muitos contextos isso é verdadeiro, e eu reconheço o valor desse ensinamento quando falamos de gatilhos emocionais, projeções e conflitos internos.

Porém, existe um ponto muito importante que precisa ser considerado com cuidado: isso não se aplica a ambientes de violência, humilhação, abuso emocional, psicológico ou físico.

Há uma diferença fundamental entre alguém me irritar e alguém me violentar, me diminuir, me agredir ou me adoecer diariamente. Quando uma pessoa vive num ambiente desfuncional e abusivo, ela não está reagindo a um problema interno, ela está respondendo a uma realidade objetiva.

Quando dizemos, sem esse cuidado, que toda dor vem apenas de dentro, corremos o risco de produzir culpa em quem já está sofrendo. A pessoa passa a acreditar que, se algo está errado, é porque ela não limpou o suficiente, não evoluiu o suficiente, não se curou o suficiente. Isso pode aprisionar alguém por anos em um ambiente que destrói sua saúde, sua autoestima e sua vida.

No meu caso, eu vivi e ainda vivo em um ambiente familiar com violência, humilhações, agressões verbais, psicológicas e físicas, de forma contínua, por anos. Isso não é percepção subjetiva, é uma realidade concreta que inclusive impactou minha saúde de forma grave, principalmente por sempre ter ecoando dentro de mim, por 8 anos algo que você sempre disse: sua mãe te incomoda? Não. É você que se incomoda com ela. Limpa em você isso e tudo ficará maravilhoso infelizmente não soube lidar com isso, e o que eu deveria, na verdade, ter evitado, se transformou em culpa em abandonar esse lar doentio, por considerar que a culpa era inteiramente minha por estar me sentindo mal em todos os aspectos. Essa sua fala, me prendeu até hoje nesse lar que me adoece a cada dia. E sim, fui diagnosticada ano passado com câncer linfático. Aguentei demais. (É só um desabafo, não estou lhe culpando, apenas partilhando minha experiência).

Por isso, é muito importante que ensinamentos sobre responsabilidade emocional venham acompanhados de discernimento. Autoresponsabilidade não significa tolerar abuso. Espiritualidade não significa negar a realidade. Amor próprio também é saber sair de onde se adoece.

Trago isso não como ataque, mas como um convite à profundidade e à responsabilidade que uma mentora carrega ao falar com tantas pessoas que podem estar em situações muito delicadas.

Com respeito.

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Resposta da empresa

11/01/2026 às 15:39

Olá Vanessa, tudo bem?

Li sua mensagem com atenção do início ao fim. E começo esta resposta deixando algo muito claro, tanto pra você, quanto para quem chega até aqui.

Sou Elainne Ourives, escritora best-seller, mentora da cocriação, com milhões de livros vendidos e mais de 300 mil alunos transformados ao longo dos últimos anos. Ainda assim, estou aqui, pessoalmente, respondendo uma mensagem de alguém que adquiriu um curso há quase dez anos. Faço isso não porque exista uma reclamação objetiva a ser resolvida, mas exatamente porque, até este momento, não consegui identificar qual é a sua demanda.

Este canal existe para resolver situações concretas entre consumidor e empresa. Em toda a sua mensagem não há um pedido claro, nenhuma solicitação prática, nenhum questionamento técnico, nenhum acionamento de suporte, nenhum pedido de orientação ou reembolso. O que há é um relato pessoal, emocional e interpretativo, publicado em um espaço público. Isso, por si só, já demonstra que o objetivo não é resolver algo, mas sustentar uma narrativa. E isso precisa ser dito com clareza.

Ao longo do seu texto, você reconhece o valor dos ensinamentos, afirma compreender conceitos como projeção, gatilhos emocionais e autorresponsabilidade, mas em seguida constrói uma interpretação pessoal onde atribui a esses ensinamentos a permanência, por quase uma década, em um ambiente que você mesma descreve como abusivo. Essa conclusão não foi ensinada, orientada ou incentivada por mim em nenhum livro, curso ou formação.

Autorresponsabilidade nunca significou tolerar abuso. Nunca significou permanecer onde se adoece. Sempre significou assumir responsabilidade pelas próprias escolhas, inclusive pela escolha de sair.

Quando alguém interpreta o contrário, não estamos falando do método, mas da lente interna com a qual ele foi recebido. É importante que isso fique absolutamente claro para quem lê: em nenhum momento você relata que buscou esclarecimento direto, suporte, orientação individual ou qualquer tipo de ajuda ao longo desses anos. Você permaneceu no mesmo lugar por quase uma década e agora retorna não com uma pergunta, mas com uma narrativa pronta, onde a responsabilidade pelo que não foi decidido internamente é deslocada para fora.

Este é um mecanismo psicológico conhecido. Quando uma pessoa não consegue tomar uma decisão difícil, o sofrimento acumulado precisa encontrar um destino. E muitas vezes esse destino é uma figura externa que passa a ocupar simbolicamente o papel de vilão da própria história. Hoje, esse papel foi direcionado a mim. Isso não é um ataque. É um padrão!

Outro ponto que precisa ser tratado com extrema responsabilidade é o uso da doença como argumento narrativo. Nenhuma condição de saúde complexa pode ser atribuída de forma direta a um livro, a uma frase ou a um ensinamento. Estabelecer esse tipo de relação, ainda que de forma emocional, é conceitualmente incorreto e perigoso. Você afirma que não está culpando, mas a estrutura da mensagem cria essa associação de forma implícita para quem lê, especialmente em um canal público. E é exatamente por isso que eu estou respondendo.

Quando você afirma que sua mensagem é um convite à profundidade, é fundamental compreender que profundidade exige autorresponsabilidade. Conhecimento sem aplicação não transforma. Consciência sem decisão não muda realidade. Milhares de pessoas acessaram exatamente os mesmos conteúdos e os utilizaram para sair de ambientes abusivos, romper padrões familiares, reconstruir suas vidas e criar autonomia emocional.

O que diferencia quem transforma de quem permanece não é o conteúdo. É a decisão.

E para quem está lendo e realmente deseja compreender onde começa a transformação, deixo algumas perguntas investigativas, não como acusação, mas como consciência:

Se o ambiente era tão abusivo, o que te manteve nele por quase dez anos?
O que você acreditava que perderia se fosse embora?
Qual ganho oculto existe em permanecer, mesmo adoecendo?
Em que momento tolerar foi confundido com amor ou evolução?
Por que a saída parece mais assustadora do que a permanência?
O que em você acredita que não sobreviveria fora desse contexto?
Em que ponto a decisão não tomada virou ressentimento acumulado?
Por que responsabilizar alguém externo se tornou mais confortável do que decidir?
Qual parte sua ainda se identifica com o papel de vítima?
E, principalmente, o que você não quer perder ao permanecer nesse lugar?

Essas perguntas são o coração do meu trabalho.

Eu ensino consciência, autorresponsabilidade, rompimento de padrões, saída de ciclos familiares disfuncionais, reconstrução de identidade e autonomia emocional. E sei o quanto isso é transformador porque mais de 300 mil pessoas aplicaram e mudaram suas vidas.

O método não prende ninguém. Ele liberta. Mas libertação exige coragem para sair do lugar conhecido.

Se o objetivo desta mensagem fosse me prejudicar, isso não aconteceria. Porque ela não revela nada sobre a ineficácia do método. Revela apenas o padrão interno de quem escreve.

Nenhum curso decide por alguém. Nenhum livro escolhe por alguém. E nenhuma mentora pode viver a decisão que outra pessoa evita. Transformação começa quando a pergunta muda.
Enquanto a pergunta for quem fez isso comigo?, a pessoa permanece presa.
Quando a pergunta vira por que eu permaneci?, a consciência desperta.

E é exatamente isso que eu ensino.

Eu poderia dizer que espero ter ajudado, mas na verdade essa mensagem não teve nenhum pedido de ajuda. Então, só espero ter gerado clareza.

Um abraço!
Elainne Ourives

Réplica do consumidor

11/01/2026 às 16:13

Equipe da Elainne,

Li a resposta de vocês com atenção.
E preciso dizer algo com clareza e respeito.

Em nenhum momento eu pedi reembolso, ou qualquer demanda comercial. Eu procurei um canal onde eu pudesse finalmente ser ouvida, depois de ter sido bloqueada no instagram e ignorada por inclusive Holoangel no Whatsapp, quando trouxe essa questão, buscando ser ouvida ao longo dos anos.

O que eu trouxe não foi uma acusação contra o seu método, e sim o impacto real que uma frase repetida ao longo de anos teve em alguém que vivia em um ambiente de violência. Isso não é narrativa, é experiência.

Quando alguém vive humilhação, agressão e abuso contínuos, a mensagem se te incomoda, o problema é você pode se transformar, sim, em culpa paralisante. Isso não invalida o seu trabalho, mas aponta para a responsabilidade de quem ensina para milhares de pessoas com histórias muito diferentes.

Eu não estou dizendo que você me impediu de sair. Estou dizendo que aquela frase, do jeito que foi ensinada e repetida, ecoou em mim como um bloqueio durante anos, enquanto eu adoecia tentando suportar o insuportável.

Isso não me torna vítima profissional.
Me torna uma pessoa que finalmente está conseguindo nomear o que viveu.

Não busquei este espaço para te atacar. Busquei porque todas as outras portas foram fechadas para mim.

Se o seu trabalho fala de consciência, então consciência também inclui escutar quando alguém diz: isso me feriu.

Com respeito,
Vanessa

Réplica da empresa

28/01/2026 às 12:12

Olá Vanessa, como está?

Li sua resposta com atenção. E justamente por respeito a você, a mim e a quem lê este canal, preciso colocar alguns pontos com absoluta clareza e responsabilidade.

1. Sobre não buscar demanda comercial, você está correta: você não pediu reembolso, suporte ou qualquer demanda comercial. E é exatamente esse o ponto central. Este canal existe para resolver situações objetivas.
Quando alguém o utiliza sem apresentar um pedido claro de resolução, mas apenas para relatar uma experiência subjetiva e interpretativa, o uso do canal deixa de ser técnico e passa a ser narrativo. Isso não invalida sua experiência pessoal. Mas define que não há nada concreto a ser resolvido aqui.

2. Sobre ser ouvida. Ser ouvida não é o mesmo que transferir responsabilidade. Você afirma que buscou este espaço porque se sentiu ignorada em outros canais. Ainda assim, o que você traz aqui não é uma pergunta, não é um pedido de esclarecimento, não é uma solicitação de correção de conteúdo, nem um pedido de orientação. Você traz uma conclusão pronta: que uma frase, segundo a sua interpretação, teve um impacto negativo específico na sua vida. Ouvir não significa assumir autoria sobre interpretações individuais.

3. Sobre impacto real de uma frase. Aqui está o ponto mais importante para quem lê. Uma frase não tem impacto universal. Ela passa por filtros emocionais, históricos, traumas prévios, crenças e contexto de cada pessoa. O mesmo ensinamento que você relata como paralisante é exatamente o que libertou milhares de alunos de ambientes abusivos, disfuncionais e violentos, inclusive familiares. Isso não é opinião. É fato comprovado por resultados públicos. Portanto, o que você descreve não é o efeito do método, mas o efeito da sua interpretação individual, naquele momento da sua vida.

4. Sobre culpa paralisante. Em nenhum momento, em nenhum livro, curso ou formação, foi ensinado que alguém deve suportar abuso, violência ou humilhação. A frase o que te incomoda fala sobre você nunca foi ensinada como regra absoluta, mas como ferramenta de consciência emocional, sempre acompanhada do princípio de limite, escolha e saída. Quando uma pessoa interpreta essa ferramenta como obrigação de suportar, isso não é ensino, é filtro interno. E filtros internos não podem ser atribuídos ao autor do conteúdo.

5. Sobre responsabilidade de quem ensina. Sim, quem ensina tem responsabilidade. E a minha responsabilidade sempre foi ensinar consciência, autonomia, escolha e saída de padrões. Mas existe uma linha clara que precisa ser respeitada: nenhum educador é responsável pelas decisões que um aluno não toma. Responsabilidade não é tutela. Consciência não é condução da vida alheia.

6. Sobre não me tornei vítima profissional. Em nenhum momento usei essa expressão para definir você. O que foi descrito é um mecanismo psicológico, não um julgamento moral. Vitimização não é ofensa. É um estado interno em que a responsabilidade é deslocada para fora. E esse deslocamento fica evidente quando, após anos, a causa do sofrimento passa a ser atribuída a um fator externo específico, e não às decisões não tomadas ao longo do tempo.

7. Sobre portas fechadas. Nenhuma porta institucional foi fechada para você com o objetivo de silenciar uma crítica legítima. Redes sociais e canais de atendimento seguem critérios técnicos, operacionais e de fluxo. Ainda assim, isso não transforma uma interpretação pessoal em falha ética, técnica ou profissional.

8. Sobre isso me feriu. Sentir-se ferida não é o mesmo que ter sido ferida. Sentimentos são reais. Mas sentimentos não definem causalidade nem responsabilidade externa automática. O fato de algo ter sido sentido de determinada forma não transforma o emissor em causador direto daquele sofrimento.

O que quero deixar muito claro Vanessa, é que minha resposta não nega sua dor. Ela apenas coloca limites claros sobre onde termina a experiência pessoal e onde começa a responsabilidade profissional. Até este momento, continua não havendo uma solicitação objetiva de resolução. O que há, como eu expliquei da primeira vez, é a tentativa de atribuir a um método e a uma mentora a responsabilidade por decisões que não foram tomadas em um contexto pessoal complexo. E isso, com todo respeito, não cabe neste canal.

Com clareza e responsabilidade,
Elainne Ourives

Consideração final do consumidor

28/01/2026 às 18:06

Prezados,

Não irei me estender, pois já expus, em momento anterior, tudo o que considerei necessário compartilhar. Busquei esclarecimentos por outros meios, porém não obtive retorno.

Inclusive, recentemente tive acesso a uma fala da própria Elainne, em um evento, acho que foi no Cocriador Milionário, na qual ela relatou o caso de uma aluna que chegou a uma situação muito semelhante à minha. Essa aluna acreditava que deveria aceitar/permanecer em um relacionamento difícil por interpretar que o correto seria apenas perdoar e continuar, o que demonstra como mensagens transmitidas de forma aberta, sem o devido complemento de raciocínio, podem ser compreendidas de maneiras diferentes.

Isso evidencia que não se trata de uma percepção isolada. Quando seguimos um mentor, naturalmente depositamos confiança em suas palavras, especialmente quando essa pessoa se posiciona com autoridade sobre aquilo que ensina. Por esse motivo, a responsabilidade na comunicação é fundamental, pois cada indivíduo processa as informações de acordo com seu momento de vida, suas dores e suas necessidades emocionais.

Deixar conceitos em aberto, sem o devido contexto, pode levar pessoas a decisões equivocadas, sobretudo quando estão fragilizadas e em busca de orientação, como ocorreu comigo e como foi relatado publicamente por essa outra aluna.

Dessa forma, agradeço pelo esclarecimento e encerro este assunto.

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Resolvido

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