Denúncia de possível abuso em escola e ausência de respostas concretas sobre a segurança dos alunos

Não respondida
Ponta Grossa - PR
31/08/2026 às 16:22
ID: 257847057
Sou pai de aluno matriculado no 2 ano do Ensino Fundamental da unidade Elite de Ponta Grossa/PR. Meu filho frequenta regularmente a instituição e, até os acontecimentos recentes, depositávamos na escola a confiança natural de quem entrega diariamente uma criança aos cuidados de uma instituição de ensino.
Nos últimos dias, notícias extremamente graves alarmaram a comunidade de pais com filhos matriculados nessa escola.
https://bntonline.com.br/crianca-de-3-anos-relata-abuso-sexual-dentro-de-escola-em-ponta-grossa/
Em 28/08/2026, o BnT Online noticiou que a Polícia Civil investiga suspeita de abuso sexual contra uma criança de 3 anos dentro de uma escola particular de Uvaranas. Segundo a reportagem, a mãe percebeu alteração no comportamento da criança após buscá-la na escola, incluindo tristeza, incômodo ao sentar e medo de ir ao banheiro. A criança teria relatado que uma pessoa a levou até um banheiro da escola e praticou atos de natureza sexual. Houve registro policial e requisição de exame no IML.
https://arede.info/ponta-grossa/669077/familia-denuncia-possivel-abuso-sexual-contra-crianca-de-3-anos-em-escola-de-pg
Também em 28/08/2026, o Portal aRede informou que o caso está sendo investigado pelo NUCRIA de Ponta Grossa, com possível oitiva de familiares e funcionários e verificação de imagens de câmeras.
https://arede.info/ponta-grossa/669332/nunca-esperamos-que-aconteca-com-a-gente-diz-mae-de-menino-que-sofreu-possivel-abuso-em-escola?_=amp
Em 30/08/2026, nova matéria do aRede trouxe informação ainda mais preocupante: segundo relato público da mãe da criança, ela teria sido informada pela própria escola de que as câmeras de segurança não estavam funcionando. A mãe também relatou que escolheu a instituição pela sensação de segurança transmitida.
Até o momento, o único posicionamento que recebi da escola foi um comunicado genérico afirmando que tomou conhecimento do relato, acolheu a família, acionou os protocolos institucionais, iniciou uma apuração cuidadosa, está colaborando com as autoridades e que os protocolos de segurança seguem sendo conduzidos com cuidado e rigor. A falta de maiores informações foi justificada pela preservação da criança e da família.
Compreendo e respeito a necessidade de preservar a identidade, a intimidade e a dignidade da criança e de sua família. Não estou pedindo nome, função, fotografia ou qualquer elemento que identifique eventual suspeito, nem acesso ao inquérito ou aos detalhes íntimos do relato.
O problema é outro, e é gravíssimo: até agora, os demais pais não receberam informações concretas suficientes para saber se seus filhos estão seguros na escola.
Não sabemos se existe suspeito identificado. Se existe, não sabemos se essa pessoa foi afastada preventivamente, teve o acesso às crianças restringido ou continua frequentando a escola. Não sabemos quais protocolos foram efetivamente acionados, o que mudou na rotina de segurança e sequer sabemos se as câmeras estavam funcionando no momento dos fatos, sendo que uma das notícias relata justamente que a mãe teria recebido da própria escola a informação de que as câmeras não estavam operantes.
Isso é absurdo diante da gravidade da situação.
Dizer que protocolos foram acionados sem dizer quais, ou afirmar que medidas estão sendo tomadas sem informar uma única providência concreta, não transmite segurança. Transmite a impressão de um comunicado mais defensivo do que informativo.
Preservar a vítima não impede a escola de informar se existe ou não pessoa suspeita identificada, se essa pessoa foi afastada, se as imagens foram preservadas, se as câmeras estavam funcionando e quais procedimentos de segurança foram alterados. Nada disso exige divulgar identidade da criança ou de eventual investigado.
O próprio contrato firmado com a Elite prevê, na cláusula 8.1, que a escola deve oferecer os serviços de acordo com as leis e normas aplicáveis, disponibilizar e supervisionar, de forma exclusiva, a equipe necessária, fornecer as informações necessárias para garantir o cumprimento do contrato e tirar dúvidas e orientar o responsável financeiro sobre os serviços educacionais.
Portanto, exigir informações sobre a segurança do ambiente em que meu filho permanece por horas diariamente não é curiosidade nem ingerência em investigação policial. É exercício de direito contratual e de direito básico do consumidor.
O Código de Defesa do Consumidor assegura informação adequada e clara sobre os serviços e seus riscos e considera defeituoso o serviço que não oferece a segurança que legitimamente dele se espera (CDC, arts. 6, I e III, e 14, caput e 1). O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece o dever de prevenção contra ameaças ou violações aos direitos da criança e obrigações relacionadas à prevenção e comunicação de situações de violência (ECA, arts. 70 e 70-B).
Diante disso, solicito resposta objetiva, individualizada e por escrito aos seguintes questionamentos:
1) Existem atualmente câmeras de segurança funcionando na unidade de Ponta Grossa, especialmente nas áreas de circulação relacionadas ao local em que teria ocorrido o fato?
2) Os registros de imagens existentes relativos à data e ao período do fato foram integralmente preservados?
3) Sem informar nome, cargo ou qualquer elemento de identificação, a pessoa eventualmente responsável ou suspeita já foi identificada, sim ou não?
4) Caso exista pessoa identificada ou sobre a qual recaia suspeita individualizada, ela foi afastada preventivamente ou teve seu acesso à escola e às crianças restringido, ou continua tendo acesso aos alunos?
5) Quais exatamente são os protocolos institucionais que a escola afirma ter acionado? Solicito que sejam informados quais são e quais providências determinam para uma situação dessa natureza.
6) Quais medidas concretas de segurança foram implementadas ou reforçadas depois do fato para reduzir o risco de nova ocorrência?
7) Solicito o envio do Regimento Escolar vigente em 2026 e dos protocolos institucionais de prevenção e resposta a situações de violência ou suspeita de abuso mencionados pela própria escola. O Regimento integra expressamente a relação contratual, conforme cláusula 11.1.
8) A escola realizará reunião com os pais e responsáveis para prestar esclarecimentos concretos sobre as medidas de segurança adotadas? Ou uma ocorrência dessa gravidade será tratada perante toda a comunidade escolar exclusivamente por meio de um comunicado online?
Neste momento, não nos sentimos seguros para mandar Bernardo novamente à escola. A razão é objetiva: não sabemos se eventual suspeito foi identificado e afastado, não sabemos quais medidas concretas foram adotadas e, diante do que foi noticiado, não sabemos nem se havia sistema de câmeras de segurança efetivamente funcionando.
A escola deve satisfação à comunidade de pais quanto às medidas de segurança adotadas. Isso não significa divulgar identidades. Significa permitir que os responsáveis saibam se o ambiente ao qual devolverão seus filhos está seguro.
Estamos considerando a resolução do contrato diante de todo esse ocorrido e, desde já, da insuficiência das informações prestadas até o momento. A própria cláusula 8.1 impõe à escola deveres de supervisão, informação e orientação.
Esta situação é urgente, é grave e envolve a segurança de crianças.