O Dodge Charger é um carro sem precedentes. Há mais de 50 anos ele escreve seu nome no asfalto e no coração dos apaixonados por velocidade.
Os anos 60, nos Estados Unidos teve a cultura pop fervendo.
Com Pequenas e grandes revoluções eram inauguradas todos os dias, seja na música, na moda, no cinema ou na política.
Do movimento Hippie à febre do rock dos Beatles, até o final da década o homem ainda chegaria à Lua.
Em tempos tão acelerados, era natural que a indústria automobilística também refletisse a velocidade. Na década de 1960, não tinha para ninguém: as ruas norte-americanas eram dominadas pelos muscle cars.
Conhecidos por entregar potência e velocidade, carrões como o Pontiac GTO, o Mustang e o Chevelle eram a bola da vez.
Mas o hall das máquinas dos anos 60 ainda não estava completo – faltava mais um pouco de rebeldia e gasolina nessa história.
Dodge Charger e a sua chegada nos Estados Unidos
Estar no mercado norte-americano e não ter um muscle car para oferecer nos anos 60 era perigoso. Foi por isso que a Chrysler resolveu lançar seu próprio modelo de potência em 1966.
Nascia, então, um ícone: o Dodge Charger. Com várias opções de motorização V8, o Charger chegava para ficar.
Inspirado no sedan Coronet, o Dodge era quase a sua versão fastback, com traseira longa e caimento suave. Logo na primeira versão, inaugurou uma de suas características mais lendárias – os faróis dianteiros duplos circulares, encobertos por uma grade.
Por dentro, o Dodge Charger também não decepcionava. Os bancos dianteiros eram individuais, e o painel recebia os famosos mostradores circulares.
O entre-eixos era enorme: 2,97m. O comprimento total chegava a 5,17m. Não tinha como negar: ele era realmente um carrão!
O motor V8, coração do carro, vinha em 5 opções. A mais básica, 318, tinha 5.2 L e 230 cavalos. A top de linha, 426, conhecida como HEMI, tinha propulsor de 7 litros e a capacidade de entrega de insanos 425 cavalos de potência.
Não é à toa que o Dodge Charger se tornou um sucesso que já acumula 7 gerações e muitos modelos na lista.

Banido da NASCAR, cativo no coração
Diz a sabedoria popular que quem não sabe brincar não deve participar da brincadeira. Realmente, em quesitos de potência e velocidade, o Dodge Charger nunca soube brincar – e isso rendeu uma das histórias mais curiosas do carro.
Seu modelo Daytona, lançado em 1969, foi feito sob medida para competir nos tradicionais circuitos ovais da NASCAR. Apostando num motor potente e em mudanças aerodinâmicas, a Chrysler acertou em cheio.
Na sua versão de rua, o Dodge Charger Daytona beirava os 300 km/h. No modelo para as pistas, ele voava baixo a 320 km/h.
O resultado na temporada de 1970 da NASCAR foi muito melhor do que o esperado. Fazendo dupla com o Plymouth Superbird, o Daytona consagrou a Chrysler como campeã em 45 das 59 corridas daquele ano. Um escore de 75%, era muita coisa.
As outras equipes prontamente protestaram, já que a competição era desleal – ninguém alcançava os carros da Chrysler.
Foi assim que o Dodge Charger Daytona foi oficialmente banido da NASCAR.
Para 1971, também houveram diversas mudanças no regulamento, principalmente com relação à potência dos motores e às alterações aerodinâmicas.

Mas o importante já estava feito: o Dodge Charger entrava para a história das pistas e das ruas. Sua aura indomável e rebelde virou aspecto cultural, sendo transportada para a música e para o cinema.
Seja saltando pelas ladeiras de São Francisco em Bullit (1968), caçando vampiros em Blade (1998) ou fritando pneus com Toretto em Velozes e Furiosos (2001), o Charger é inesquecível e tem lugar cativo no coração dos apaixonados por carros.
Um carrão desses precisava vir para o Brasil.
E assim a Chrysler fez, introduzindo-o no mercado tupiniquim em 1971.
O Dodge Charger no Brasil

A história do Dodge Charger no Brasil começa com a chegada da Chrysler no país, em 1967.
Como a marca havia comprado a Simca, concentrou-se em manter em produção os modelos franceses na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).
Em 1970, aconteceu uma mudança de planos. A Chrysler decidiu encerrar a fabricação dos carros da Simca e lançar o Dodge Dart no mercado brasileiro.
Por isso, batendo de frente com o Opala e o Ford Galaxie, o Dart nasceu em versão cupê, conhecida como Standard, com 4 portas e motor V8.
Um ano depois, foi a vez do Dodge Charger chegar por aqui – e para ficar. Apresentado em duas versões (LS e R/T), permaneceria em produção até 1981. Uma década de ouro, sem dúvidas.
O Dodge Charger R/T – Road and Track, estrada e pista, em inglês – entrou para a galeria dos carrões do país.
Equilibrando luxo e esportividade na medida certa, ele foi um verdadeiro sonho de consumo para gerações de brasileiros.
Com seu motor V8 de até 215 cavalos, o ronco fazia o coração tremer.
Além disso, o R/T vinha com adicionais de luxo para época, como ar-condicionado, direção hidráulica, freios a disco dianteiros e transmissão de quatro (manual) ou três marchas (automático).
Sem contar, claro, os detalhes que deixavam o carro ainda mais especial, como o teto de vinil e o interior monocromático.
Quem não suspirou por um Dodge Charger R/T certamente não viveu a década de 1970 direito.
Quem nunca sonhou em acelerar um Dodge Charger, sentir o cheiro da gasolina subir e o motor V8 vibrar?
