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São Paulo - SP

03/01/2018 às 20:10

ID: 31858541

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CARTA ABERTA À DIRETORIA DA ESCOLA VIVA – FUNDAMENTAL 1 E 2
No dia 06 de junho de *******, depois de várias tentativas infrutíferas de dialogar com a direção da Escola Viva, fomos convidados a sentar-nos em uma mesa de reunião e discutirmos civilizada e respeitosamente um problema crônico originado pelas atividades da Escola Viva e seu impacto na vizinhança, no bairro da Vila Olímpia – residencial e tradicionalmente silencioso em sua parte alta, distante do setor corporativo.
Esse problema, *******, não é de responsabilidade dos alunos da Escola, crianças e adolescentes que, teoricamente, estariam num estabelecimento de ensino, que se vende como alternativo, para aprender, evoluir e forma no futuro uma geração de adultos melhor do que a atual, e que faça diferença nas mudanças que o Brasil precisa vivenciar com urgência.
O problema causado pela Escola Viva é decorrente da falta total de isolamento acústico de áreas destinadas à prática esportiva e recreação – bem como de festas escolares que se estendem fora do período normal de funcionamento da escola.
A Escola Viva foi se instalando, ampliando e ocupando quase toda a Rua Vahia de Abreu, avizinhando-se de prédios residenciais e vilas de casas, onde residem pessoas que querem ter paz e tranquilidade em suas casas e já estavam instaladas nelas quando esse estabelecimento veio se apoderar do bairro e ampliar sua área construída e número de alunos.
Nos fundos do prédio onde moro há quase 20 anos existem duas quadras poliesportivas – uma descoberta e outra coberta com uma lona sintética retrátil – que abrigam desde as 7h30 da manhã ( horário em que começam a chegar os alunos) até às 19h00 dezenas, às vezes uma centena de crianças e adolescentes, gritando a plenos pulmões, sob o comando de instrutores que gritam em microfones, estimulando gritos e urros das torcidas que acompanham as atividades.
Nos períodos da manhã e tarde, alunos brincam de skate nas quadras, funcionários fazem a convocação de alunos para a chegada dos pais usando microfones a pleno som e músicas de início e fim de período de aulas tocam o tempo todo.
Tudo isso faz parte da atividade de qualquer escola. Entendemos. Mas o que poderia, foi sugerido, mas nunca feito foi o isolamento acústico das quadras recreativas, para minimizar o ruído insuportável com o qual somos obrigados a conviver, idosos, doentes, gente que – como eu – tem home office e desenvolve atividade profissional que exige concentração intelectual e foco, enfim, vizinhos e cidadãos que têm direito à paz e silêncio dentro de suas próprias casas.
Duas diretoras da Escola, as Sras. Renata Monteiro Viola e Maria Ignez Queiroz de Moraes Americano, se dispuseram – numa reunião conosco em junho do ano passado – a estudar meios de solucionar o problema. Isso depois de enviarmos Intimação Extra-Judicial, reclamarmos um sem número de vezes por telefone, sendo destratados e ridicularizados, chamarmos a polícia e registrarmos queixas no PSIU.
Ambas as educadoras, duas respeitáveis senhoras, nos receberam polidamente e reconheceram a existência do problema e nos prometeram sensibilidade e agilidade na solução.
Resultado? Nada foi feito. Calaram. Não respondem e-mails, não atendem telefonemas, ignoram Polícia e PSIU, agem com cinismo e deboche e nada fizeram. Recusam-se a isolar acusticamente as quadras por motivos financeiros: não querem gastar dinheiro com obras nem pagar mais por IPTU de área coberta. A festa de final de ano da Escola Viva estendeu-se até as 22h00, com banda, show de alunos, gritos e pessoas falando em microfone, a poucos metros das janelas de nossos quartos, com o som invadindo janelas anti-ruído, paredes e infernizando nosso sossego.
Nessa comemoração, que começou à tarde e se estendeu até o horário mencionado, a Escola Viva não atendeu a nenhum telefonema, pois sabia que choveriam reclamações.
Hoje, 03 de janeiro de *******, data em que escrevo este texto, vivemos a bênção do silêncio tão almejado. A Escola encontra-se de férias e a diferença entre o barulho que provocam e o silêncio que deveriam respeitar é gritante.
Pelo que observo da minha janela, nenhuma obra de isolamento acústico está sendo feita. Temo pela volta às aulas, quando o inferno barulhento e irresponsável, desrespeitoso e desumano vai voltar a nos incomodar.
Estou tentando por todos os meio fazer valer os nossos direitos, mas lutar contra um estabelecimento com poderio econômico e influências para se eximir de punições não vem sendo fácil.
Infelizmente, vivemos num país que ao invés de dar exemplo na educação das futuras gerações, as tornam um prolongamento tóxico de seus hábitos mais desabonadores.
Eduardo Baffa da Cunha

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