Reclamação sobre falhas administrativas, de comunicação e descaso no atendimento em Hospital-Dia da Clif

Não respondida
Rio de Janeiro - RJ
05/06/2026 às 20:52
ID: 250638851
Estou atualmente no Hospital-Dia da Clif por possuir cobertura hospitalar através do plano Bradesco.
Minha relação com a instituição não é recente. Fui internado na clínica em 2015 e, naquela época, tive contato com profissionais que foram fundamentais para minha recuperação e para o desenvolvimento das ferramentas emocionais que utilizo até hoje. Por esse motivo, minha avaliação não parte de uma experiência isolada, mas de alguém que acompanha a instituição há aproximadamente 11 anos.
Recentemente apresentei uma pequena crise maníaca, sem perda da capacidade de responder por mim mesmo ou de tomar decisões sobre meu tratamento. Apesar disso, um dos primeiros problemas que observei foi a condução de questões administrativas por uma pessoa que não possuía autorização para agir em meu nome. Atualmente sou casado, plenamente capaz de responder por minhas decisões e o próprio responsável pelo meu tratamento. Ainda assim, tive a impressão de que a clínica não compreendeu adequadamente essa condição desde o início do processo.
Esse problema tornou-se ainda mais evidente quando tentei abrir uma conta na cantina. Em vez de tratar a questão diretamente comigo, a clínica entrou em contato com minha mãe. O resultado foi um conflito familiar completamente desnecessário, em um momento em que eu deveria estar focado na recuperação. O mais preocupante é que a informação de que eu era o responsável pelo meu próprio tratamento constava na documentação médica apresentada à instituição. Trata-se de uma falha administrativa básica, mas que teve impacto emocional significativo.
Quanto à experiência no Hospital-Dia, minha percepção é que os serviços oferecidos atualmente estão aquém daqueles que encontrei em 2015. Continuo considerando a Clif uma instituição importante para casos que realmente demandem internação psiquiátrica ou supervisão intensiva voltada à preservação da segurança do paciente ou de terceiros. Entretanto, para alguém em observação após remissão de um episódio maníaco, a experiência mostrou-se inadequada.
O aspecto mais frustrante foi a sucessão de pequenas falhas que, isoladamente, poderiam parecer irrelevantes, mas que, em conjunto, geraram uma experiência de descuido incompatível com um serviço de saúde mental.
Recebi um caderno para participação nas atividades, mas não uma caneta. Como gosto de fazer anotações, solicitei o material às psicólogas. Em apenas dois dias, fiz seis solicitações. Em todas as ocasiões recebi a informação de que o item seria providenciado, mas jamais obtive qualquer retorno. O problema não é a caneta em si. O problema é a repetição de pedidos ignorados em um ambiente que deveria estar atento às necessidades dos pacientes.
Situação semelhante ocorreu em relação ao meu alinhador dental. Solicitei uma pasta ou kit apropriado para armazenamento do aparelho e fui informado de que isso seria providenciado. Novamente, nada aconteceu. Como consequência, fiquei impossibilitado de utilizar adequadamente um tratamento odontológico que exige uso contínuo por aproximadamente 22 horas diárias. Mais uma vez, o problema não foi a complexidade da demanda, mas a completa ausência de retorno.
O que mais me chamou atenção foi a distância entre o rigor aplicado às regras institucionais e a dificuldade em resolver questões simples do cotidiano dos pacientes. A clínica demonstra grande preocupação com protocolos de entrada e saída de objetos, mas mostrou pouca capacidade de responder a demandas básicas que poderiam ter sido resolvidas em poucos minutos.
Outro episódio que me chamou atenção ocorreu durante minha permanência no Hospital-Dia. Em determinado momento, um auxiliar de enfermagem precisou se ausentar de seu posto para lidar com uma intercorrência envolvendo outros pacientes. Pelo que pude observar, a situação teve origem quando um paciente e uma paciente deram as mãos, algo que aparentemente contrariava as regras da instituição. O paciente foi inicialmente orientado a subir para o quarto e, posteriormente, precisou ser contido pela equipe.
Durante esse período, o posto que normalmente realizava determinados procedimentos administrativos ficou sem atendimento. Quando solicitei minha saída da clínica, apesar de não necessitar de autorização de terceiros para deixar a instituição, permaneci aguardando por aproximadamente 20 minutos até que a situação fosse regularizada.
Meu objetivo ao relatar esse episódio não é questionar a necessidade de intervenção da equipe diante de situações que considerem relevantes, mas registrar a sensação de desorganização operacional que experimentei. Em um serviço de saúde mental, intercorrências evidentemente acontecem. Contudo, quando uma ocorrência relativamente simples acaba comprometendo o atendimento dos demais pacientes, surge a impressão de que a estrutura operacional não está adequadamente preparada para lidar simultaneamente com demandas assistenciais e administrativas.
Também gostaria de registrar uma percepção construída ao longo dos anos. Tenho a impressão de que parte da piora observada pode estar relacionada à alta rotatividade de profissionais e à presença frequente de equipes muito jovens. Evidentemente, juventude não é sinônimo de incompetência, e muitos dos profissionais que conheci demonstraram dedicação e boa vontade. Ainda assim, como paciente, percebo uma dificuldade crescente em encontrar profissionais mais experientes e capazes de conduzir determinadas atividades com maior profundidade. Ao longo do tempo também observei sinais frequentes de sobrecarga e substituição constante de equipes, o que transmite a sensação de dificuldades na retenção de profissionais experientes e acaba impactando a continuidade do atendimento.
Por fim, quero deixar claro que esta não é uma crítica à existência da clínica nem ao trabalho de todos os seus profissionais. A Clif possui uma história importante e já desempenhou um papel positivo em minha vida. Justamente por reconhecer essa importância, considero necessário registrar a minha decepção com a qualidade do atendimento recebido nesta ocasião.
Minha experiência no Hospital-Dia foi marcada por falhas administrativas, problemas de comunicação e uma sucessão de pequenos descuidos que produziram exatamente o oposto do que se espera de um ambiente terapêutico. Durante esses dias, senti muito mais insegurança emocional do que acolhimento.