Reclamação sobre falta de acolhimento e comunicação inadequada na clínica Espaço TEA

Não respondida
Vespasiano - MG
26/08/2025 às 23:46
ID: 225458411
Essa reclamação foi publicada há mais de 1 ano
Ver todas ReclamaçõesSou mãe de uma criança autista (TEA nível 2) e procurei a clínica Espaço TEA em busca de um ambiente terapêutico seguro e de acolhimento. Infelizmente, na minha experiência, a forma como a proprietária da clínica conduziu algumas situações delicadas não correspondeu à expectativa de acolhimento que eu, como mãe em vulnerabilidade, esperava receber.
A primeira situação ocorreu no final de junho/2025, quando descobri problemas de adaptação escolar que, na minha percepção, estavam prejudicando o desenvolvimento do meu filho. Na ocasião, encaminhei documentos à proprietária pelo WhatsApp e pedi que me desse uma devolutiva na segunda-feira seguinte. Ressalto que não se tratava de um relatório formal, mas apenas de ouvir o ponto de vista dela sobre o que enviei, e não necessariamente sobre todos os documentos.
Para minha surpresa, fui chamada para uma conversa presencial em que a resposta, na minha percepção, foi ríspida. A proprietária afirmou que havia ficado brava por eu ter enviado os documentos e solicitado essa devolutiva no final de semana. Expliquei que utilizei esse canal porque, no início do tratamento do meu filho, ela mesma havia me autorizado a enviar mensagens pelo WhatsApp profissional, já que possuía um número pessoal que não disponibilizava para os pais. Por esse motivo, no meu entendimento, não seria adequado eu ser cobrada por utilizar um meio previamente autorizado.
Durante essa conversa, a proprietária mencionou que se sentia sugada e que acreditava que o restante da equipe também compartilhava dessa sensação. Contudo, em minha percepção, não houve devolutiva sobre o que encaminhei. Ao final, ela afirmou que precisava impor limites, sendo que, até aquele momento, tais limites não haviam sido estabelecidos de forma clara. Saí da clínica me sentindo constrangida, ansiosa, fragilizada.
A situação que considerei mais delicada ocorreu no dia 25/08/2025 (segunda-feira). Mesmo tendo confirmado a presença do meu filho nas terapias pelo link enviado pela secretária no dia 22/08/2025 (sexta-feira), ao chegar à clínica fui chamada para uma conversa na porta e, para minha surpresa, não houve atendimento para ele, apesar da confirmação recebida.
Durante esse diálogo, fui informada de que, na visão da proprietária, minhas demandas não poderiam sobrepor às do meu filho, como se as questões envolvendo a antiga escola fossem problemas exclusivamente pessoais meus. No entanto, no meu entendimento, essas questões estavam diretamente ligadas ao bem-estar dele.
Na mesma ocasião, ouvi colocações no sentido de que eu teria invadido a vida pessoal da proprietária. Quero registrar que, em nenhum momento, fiz questionamentos sobre rotinas particulares dela. Apenas houve uma breve menção sobre gestação, feita em razão de afinidade religiosa, já que compartilhamos da mesma fé.
Ao final dessa conversa, tive a impressão e aqui registro apenas como percepção pessoal de que a proprietária poderia estar buscando justificativas para promover o desligamento do meu filho sem aviso prévio. Quero deixar claro que, durante a conversa, a própria proprietária me informou que estaria verificando a possibilidade de uma outra clínica para o atendimento do meu filho.
Ainda nesse mesmo dia, percebi que fui novamente apontada como tendo ultrapassado limites em questões pessoais. Contudo, registro que, em momentos anteriores, houve compartilhamentos espontâneos de aspectos pessoais por ambas as partes, ainda que, no caso da profissional, de forma breve, inclusive sobre sua religião. Em uma ocasião no ano passado, após visitar a instituição escolar onde meu filho estudava, a profissional chegou a mencionar que tinha uma boa impressão da escola e comentou que colocaria um filho dela nessa instituição.
O que me deixou mais abalada na reunião do dia 25/08/2025 foi o fato de que, na minha percepção, toda a conversa ocorreu na presença do meu filho, que não foi poupado daquele momento. Durante o diálogo, senti que a profissional elevou o tom de voz, de uma forma que, para mim, soou ríspida e em volume mais alto, a ponto de eu me sentir na necessidade de pedir que moderasse o tom comigo.
Na minha visão de mãe, essa postura não me pareceu adequada, pois entendo que a presença do meu filho poderia ter sido preservada e que a terapia, a meu ver, deveria ter acontecido normalmente. Também considero que, de acordo com a minha experiência, questões administrativas ou de relacionamento seriam mais apropriadas de serem tratadas em outro momento, sem que uma criança autista fosse exposta a esse tipo de situação.
Na mesma noite, observei que meu filho apresentou-se agitado e desorganizado, o que, na minha percepção de mãe, pode ter sido reflexo do ambiente de tensão ao qual esteve exposto. Ressalto que ele costuma ter plena noção do que acontece ao seu redor e, na minha visão, não foi suficientemente resguardado desse desconforto. Tenho registros que indicam sua presença na sala, inclusive com sua voz audível durante a gravação.
Quero registrar que, na minha experiência, meu filho apresentou avanços significativos durante o período em que frequentou a clínica. Em minha percepção, as terapeutas conduziram suas demandas com dedicação, empatia e sensibilidade, demonstrando abertura para me ouvir em momentos de frustração. Entretanto, justamente quando mais precisei de apoio em um momento delicado envolvendo a instituição escolar, senti que a postura da proprietária não foi empática nem acolhedora e, na minha visão, deixou de agir de forma suficientemente técnica e organizada diante de uma mãe em situação de vulnerabilidade.
Reforço que reconheço a competência técnica da proprietária e seu conhecimento em ABA (Análise do Comportamento Aplicada). Contudo, na minha percepção, talvez pelo fato de ainda ser bastante nova, não conseguiu conduzir com a maturidade e o profissionalismo que eu esperava na forma de lidar com uma mãe que buscava apoio em situações delicadas. Entendo que o acolhimento e a comunicação clara são parte fundamental do tratamento de crianças autistas e, na minha visão, a postura que percebi como ríspida e autoritária, especialmente diante do meu filho, não corresponde ao que eu esperava de um ambiente terapêutico.
Reconheço também que, em alguns momentos, dei liberdade além do necessário à profissional, assim como ela também deu em determinadas ocasiões, ainda que de maneira superficial. Porém, na minha percepção, esse excesso de liberdade acabou gerando uma situação em que senti falta de respeito comigo, enquanto mãe de um paciente. No registro da conversa, deixei claro que, na minha visão, essa não é a forma adequada de se dirigir a uma mãe.
PS: Na primeira conversa tensa, ocorrida no final de junho, tomei a decisão de me afastar do convívio direto na clínica, permitindo que meu filho entrasse sozinho, acompanhado pelas terapeutas. Essa atitude teve como objetivo justamente reduzir o excesso de proximidade e preservar o foco no desenvolvimento dele. Agi, na minha percepção, de forma madura e respeitosa, deixando claro que sempre estive disponível para manter um diálogo construtivo e centrado no bem-estar do meu filho, a fim de evitar novas situações desagradáveis ou qualquer possibilidade de ultrapassar limites em questões de âmbito pessoal por ambas as partes.