Congelamento de óvulos e fertilização in vitro - erros, culpa e ganância da médica

Respondida
Rio de Janeiro - RJ
05/12/2020 às 10:34
ID: 116125675
Essa reclamação possui mais de 3 anos e não está mais sendo contabilizada no índice da empresa
Ver todas ReclamaçõesFiz uma fertilização in vitro menos de 3 meses após um aborto espontâneo porque fui orientada pela médica (Editado pelo Reclame aqui) de que não teria problema. Ela nem ao menos passou qualquer exame prévio , o que achei muito estranho. Após o resultado negativo , ela passou vários exames que apontaram endometrite causada pela curetagem, que impede que a FIV dê certo e é facilmente tratada por antibiótico. Por que esse exame não foi indicado ANTES da FIV? Ganância. Outro erro gravíssimo ocorreu no armazenamento dos óvulos. Congelei 25 óvulos com 35 anos de idade , e agora fui usar com 42 e somente 1 virou blastocisto! O laboratório errou na técnica de congelamento e formação do embrião. Esse resultado contraria até as estatísticas mais pessimistas nessa técnica. O meu único e precioso blastocisto foi desperdiçado na FIV feita de qualquer jeito, sem exames prévios. Não é porque os médicos não podem garantir o resultado , que nós temos que aceitar caladas os erros grotescos e a negligência. Esse mercado move milhões e os médicos acham que as tentantes pagam o que for pra realizar o sonho e agem de má-fé. Fujam da Fertipraxis !! Joguei no lixo por volta de 30 mil reais. Pagava feliz todo ano a taxa de manutenção dos óvulos achando que a maternidade tardia estava garantida. Era uma ilusão. A clínica não usou a tecnologia mais moderna e adequada pra preservá-los. A ganância da médica fez eu usar o único blastocisto na hora errada, já prevendo o insucesso. Fujam da Fertipraxis da Barra !!!
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Resposta da empresa
13/01/2021 às 16:13
Prezados,
Tristeza, sim, infelizmente, mas ganância e atendimento indevidos não procedem.
Apenas agora tivemos acesso a essa ponderação da paciente. Ela fez um processo de congelamento de óvulos em *******, com 35 anos e meio, tendo num único ciclo congelado 25 óvulos maduros, chamados metafase2. Em março de *******, antes da pandemia, voltou a clínica com parceiro, desejando gestar. Foi acompanhada virtualmente, e como desejavam não chegar à fertilização in vitro, o casal foi devidamente orientado para checar as condições das trompas ( permeabilidade ), assim como de exames gerais. Tendo optado por tentar primeiramente a relação em casa, foram orientados até a três tentativas de indução da ovulação, com acompanhamento ultrassonográfico, tendo assim gestado em maio de *******.
Até aqui mostrava-se muito feliz segundo suas próprias palavras 3 amigas minhas engravidaram rápido com você e agora eu. Seguiram-se os contatos múltiplos por whatsapp, em paralelo com seu atendimento obstétrico, que jamais ficaram sem resposta. A gestação evoluiu para a perda de primeiro trimestre, espontânea, em Junho. A paciente, claro, ficou triste.
Curetagem uterina e uma nova gravidez? Não há nenhuma regra estabelecida para um tempo de 3 meses até uma nova tentativa. Tudo depende, novamente, de cada pessoa, de cada casal, do emocional. Há, inclusive, trabalhos que apontam que o menor tempo ( antes de 3 meses ) possa ser melhor para o desenvolvimento da gravidez, não havendo qualquer indicação de postergá-la.
Em 21/08/*******, procurou a clínica novamente, na intenção de usar os óvulos congelados, o que poderia significar uma possibilidade de chegar ao sucesso. Foi explicado ao casal que deveríamos utilizar 14 ou 15 dos óvulos, que em geral expressavam uma possibilidade razoável de gestação. Foi discutido com ambos o critério de transferência em fase de blastocisto, o fato de ser um estágio mais avançado dos embriões, o crivo genético indireto presente. Da mesma forma, foi-lhes deixado claro que a Sociedade Americana de Reprodução (ASRM) sugere que uma testagem genética de blastocistos passa a ser razoável a partir de 35 anos, enquanto a Sociedade Europeia (ESHRE) sugere benefícios mais objetivos a partir dos 37 anos. O casal definiu que não gostaria de fazer sem a testagem genética, para minimizar ao máximo o risco de perdas de primeiro trimestre e afastar patologias relacionadas à idade ( em troca de whatasapp posterior, quando sendo informada progressivamente da evolução dos embriões, {07:46, 10/09/*******} da médica para paciente: As paradas até blastocistos, como já explicados para você, refletem alterações embrionárias na fecundação, chamadas de aneuploidias, até ai observadas de maneira indireta, apenas observando o desenvolvimento dos embriões. De todos os blastocistos de uma mulher de 35 anos estima-se que 50% podem ser euplóides, ou seja, geneticamente adequados. Por isto não é tão fácil gestar espontaneamente com sucesso e por isto os índices vão caindo com o tempo e com o aumento de aneuploidias. Também por isto é tão interessante ter vários óvulos disponíveis. A chance de chegar aos certinhos aumenta. E, ao termos blastocistos certinhos, quando inseridos no útero, cada um representa em torno de 50% de gravidez).
Destes primeiros óvulos, 13 de 14 descongelaram bem, 10 fertilizados, 2 evoluíram a blastocistos, um considerado euplóide., ou seja, adequado para a transferência. O preparo e transferência ocorreram sem qualquer dificuldade. Não foram solicitados outros exames porque os mesmos ( gerais e sorológicos ) tem validade de 6 meses, não haviam sintomas, o casal apenas repetiu os testes de Zika vírus, cuja validade são 30 dias.
Vídeo histeroscopia após uma curetagem ou após falha de implantação, seria a causa do insucesso? Guia de conduta clínica recente da Sociedade Canadense de Fertilidade e Andrologia ( ******* ) relata que nem histeroscopia e, muito menos, pesquisa ou tratamento de endometrite crônica tem evidências, não havendo diferença entre serem ou não realizadas.
O casal definiu que faria uma nova tentativa, com os óvulos restantes, em número de 11. Todos descongelaram bem em 25/11/*******, a fertilização ocorreu em 7 e, nenhum evoluiu para o estágio de blastocisto. Todo este acompanhamento foi passado para à paciente, com atenção e transparência.
A frustração ficou evidente, mas mesmo assim nos dispusemos a sentar e conversar, como mostra novamente o contato que foi telefônico e, depois, por whatsapp.
{08:36, 02/12/*******} da Médica para a paciente: Como conversamos ontem, a tristeza e a frustração são perfeitamente compreensíveis. Mas, medicina é uma arte e uma prática, os dados estatísticos existem, nós os utilizamos, mas cada pessoa é única, cada casal representa outra unidade, os procedimentos não são matemáticos, senão seria tudo muito previsível. Nós seguimos uma condita pautada em evidências, os passos são discutidos e individualizados. As informações estão presentes nas redes, mas não são os devidos filtros. Pena que vcs não chegaram ao objetivo desejado, como vc mesmo, anteriormente descreveu, de sucesso de algumas de suas amigas.