Reclamação sobre questão de Língua Portuguesa em prova de prefeitura

Não respondida
Ipameri - GO
30/04/2026 às 23:34
ID: 247440213
Realizei a prova da prefeitura de Catalão/FMS no dia 12/04. Havia uma questão 10 que estava classificada de forma equicovada, após a realização da prova e em data de recurso, feito o que o edital e cronograma exige, realizei recurso, porém a resposta da argumentação da banca foi absurda e assim negando o recurso. Vou colocar aqui a classificação, pois agora não há mais a possibilidade de novo recurso. Informei a necessidade de anulação da questão ou reconhecer a alternativa assinalada como certa, porém sem condições mais. Um absurdo uma banca ter a falta de conhecimento teórico e realizar uma argumentação absurda como resposta.
Questão: (Língua Portuguesa)
À Banca Examinadora da Fundação Aroeira.
Como candidato que se preparou, notei um equívoco técnico na formulação da questão que impossibilita a escolha de qualquer uma das alternativas.
A questão pede a classificação morfológica das palavras no trecho: () aumentar gradualmente a cada semana (). O gabarito preliminar indicou a Alternativa A como correta, classificando os termos, respectivamente, como: verbo, advérbio, conjunção, pronome indefinido e substantivo.
O problema central, e que torna a questão passível de anulação, está na classificação da palavra a como conjunção.
1. A verdadeira função do "a" no trecho
No contexto da frase apresentada, a palavra a funciona claramente como uma preposição essencial. Ela está ali para estabelecer uma relação de subordinação entre o verbo aumentar e a expressão de tempo cada semana.
Se consultarmos a Nova Gramática do Português Contemporâneo , de Celso Cunha e Lindley Cintra, veremos que a preposição é justamente essa palavra invariável que liga dois termos de uma oração, subordinando o segundo ao primeiro. É exatamente o que acontece no trecho da prova.
2. Por que o "a" não pode ser conjunção?
As conjunções servem para ligar orações ou termos que têm a mesma função sintática. O detalhe crucial aqui é que a palavra a nunca atua como conjunção na nossa língua.
O mestre Evanildo Bechara, em sua Moderna Gramática Portuguesa , é categórico ao listar as funções do "a": ele pode ser artigo definido, pronome pessoal oblíquo, pronome demonstrativo ou preposição. Em nenhum momento a gramática normativa reconhece o "a" como conjunção.
3. A falta de uma alternativa correta
Diante desse erro na Alternativa A, fui buscar a resposta correta nas outras opções, mas infelizmente nenhuma delas atende à norma culta:
A Alternativa A cai no erro de chamar o "a" de conjunção.
A Alternativa C até acerta ao classificar o "a" como preposição, mas erra ao chamar a palavra cada de adjetivo. Sabemos que cada é um pronome indefinido (que atua com valor adjetivo, sim, mas sua classe gramatical primária e essencial é a de pronome, não de adjetivo puro).
As Alternativas B e D trazem erros ainda mais evidentes na classificação dos outros termos.
Conclusão e Pedido
Como nenhuma das alternativas oferecidas traz a sequência morfológica correta e tecnicamente precisa para todos os termos do trecho, a questão acaba prejudicando o candidato que estudou e conhece a gramática. A questão apresenta um vício claro de formulação.
Por isso, em respeito à norma culta e à bibliografia de referência que norteia nossos estudos, peço, com todo o respeito à banca, a ANULAÇÃO da Questão 10, com a consequente atribuição dos pontos a todos os candidatos, garantindo assim a lisura e a justiça do certame.
Atenciosamente,
Referências Bibliográficas utilizadas para este recurso:
[1] CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
[2] BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
Essa foi a resposta do recurso:
ARGUMENTAÇÃO: As Gramáticas Normativas Contemporâneas da Língua Portuguesa apresentam, em seus sumários, Parte 1 Introdução à Linguística: O homem e a linguagem; a comunicação; as funções da linguagem; origem e evolução histórica da Língua Portuguesa; fonética e fonologia; ortografia. Na unidade de Morfologia: estrutura e formação das palavras; classificação e formação das palavras; as dez classes gramaticais: substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção, interjeição. Sintaxe: combinação das palavras para a construção do discurso, da comunicação oral e escrita, entre os interlocutores subdividida em várias unidades e, por fim, a Estilística. Essas divisões são regras normativas da língua portuguesa e de consenso geral entre os mais diversos gramáticos. Não há como analisar a construção de um discurso sem considerar esses aspectos. Assim, a Língua Portuguesa não deve ser entendida como uma equação matemática. É necessário considerar o contexto no qual um vocábulo está empregado antes de definir sua classe gramatical, pois ele pode mudar de classe dependendo da função que desempenha no contexto comunicativo. Um adjetivo pode passar a ser um substantivo e vice-versa. Isto posto, não há nenhuma inconsistência na classe gramatical das palavras empregadas no trecho em análise. É uma questão elementar. Nesse trecho: aumentar é verbo; gradualmente é um advérbio de modo; a é uma conjunção; cada é um pronome indefinido e semana é um substantivo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1 Mesquita, Roberto Melo. Gramática da língua portuguesa. São Paulo: Saraiva, 2018. 2 Cunha, Celso; Cintra, Luís F. Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008. 3 Bechara, Evanildo. Bechara para concursos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.
Parece brincadeira que uma pessoa possa fazer algo assim.
Descaso total com o conhecimento da Lingua Portuguesa.