ONCOCLÍNICAS RADIOTERAPIA BOTAFOGO: Falta de transparência, demora no atendimento, comunicação falha e prejuízo no tratamento oncológico

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Mesquita - RJ

04/06/2026 às 23:47

ID: 250562387

Procurei os serviços da Oncoclínicas Radioterapia Botafogo com o objetivo de realizar tratamento radioterápico após cirurgia para câncer de mama.
No dia 08/05/2026 agendei consulta particular com radio-oncologista, realizada em 11/05/2026, mediante pagamento de R$ 600,00. Durante a consulta, a médica explicou aspectos do tratamento, incluindo área a ser irradiada, possíveis dosagens e tecnologia a ser utilizada. Na ocasião, destaquei minha preocupação com o tempo para início da radioterapia, pois eu já me encontrava na 8 semana após a cirurgia e tinha conhecimento da importância de respeitar a janela terapêutica para maior eficácia do tratamento.
Em 19/05/2026 recebi por e-mail um orçamento no valor de R$ 23.000,00. Entre as condições apresentadas constava a seguinte cláusula: "Atividade de planejamento e preparo para radioterapia: 60% do valor total do tratamento. Essa atividade começa a ser executada no dia do aceite da proposta, por isso, em caso de interrupção, suspensão ou desistência do tratamento após o aceite da proposta, esse valor é integralmente devido."
Posteriormente, foi agendada tomografia de planejamento para o dia 25/05/2026. Antes da realização do exame, voltei a manifestar minha preocupação quanto ao prazo para início efetivo do tratamento. Tanto funcionários da recepção quanto a enfermeira informaram que não sabiam responder quando as sessões começariam e que essa informação deveria ser obtida diretamente com a médica. Mesmo sem essa definição, realizei a tomografia e encaminhei mensagem à médica relatando minha preocupação.
Nos dias seguintes tentei obter informações sobre o cronograma do tratamento por telefone e mensagens, sem sucesso. Em 02/06/2026, já na 11 semana após a cirurgia, enviei e-mail questionando o prazo para início da radioterapia e informando que, caso a instituição não conseguisse respeitar o tempo adequado para o tratamento, eu não concordaria com eventual cobrança dos 60% previstos para o planejamento.
Na mesma manhã, recebi contato para agendamento das sessões. Entretanto, ao solicitar informações básicas sobre o planejamento realizado, como dosagem na mama, eventual boost, número de sessões e tecnologia/aparelho que seria utilizado, fui novamente informada de que somente a médica poderia esclarecer essas questões. Quando solicitei ao menos a data prevista para início do tratamento, deixei de receber resposta. Mas a médica no seu telefone pessoal me respondeu sobre o planejamento.
Por volta das 15h do mesmo dia, fui orientada a entrar em contato com a coordenação. Quando consegui fazê-lo, às 17h11, fui informada pela coordenadora de que meu caso havia sido encaminhado ao departamento jurídico em razão do e-mail que enviei questionando a cláusula de cobrança e os prazos do tratamento. Então, pela manhã já iam marcar as sessões, mas por eu questionar, me passaram para o setor jurídico. Eu não sabia que eu não podia questionar sobre o meu tratamento conforme a lei preconiza.
No dia 03/06/2026, às 11h50, recebi ligação por whatsApp da própria coordenadora informando que a unidade de Radioterapia Botafogo não poderia me atender, alegando excesso de demanda em razão da absorção de pacientes oriundos da Unimed e da ampliação dos horários de atendimento até as 22h.
Diante disso, surgem questionamentos legítimos:
Se a unidade não possuía capacidade para absorver novos pacientes, por que aceitou agendar a consulta em 11/05/2026?
Por que realizou uma tomografia de planejamento em 25/05/2026 sem informar previamente a impossibilidade de iniciar o tratamento em prazo adequado?
Por que essa limitação de capacidade somente foi comunicada após semanas de espera, quando eu já me encontrava próxima ao limite temporal recomendado para início da radioterapia?
O resultado foi que permaneci por semanas acreditando que realizaria meu tratamento naquela instituição, submeti-me à consulta e à tomografia de planejamento, tive meu caso encaminhado ao jurídico após questionar uma cláusula contratual e, ao final, fui informada de que a clínica não poderia me atender.
Como paciente oncológica, considero que faltaram transparência, previsibilidade e respeito ao meu tempo terapêutico. O maior prejuízo não foi financeiro, mas sim a insegurança gerada pela demora e pela perda de uma oportunidade valiosa para iniciar o tratamento dentro do período que me foi apresentado como importante para sua eficácia.
Registro esta reclamação para que outros pacientes tenham conhecimento dos fatos e para que a instituição reveja seus processos de comunicação, planejamento e acolhimento. Estou buscando entender meus direitos e os próximos passos a serem tomados em relação ao prejuízo causado ao meu tratamento.

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Resposta da empresa

09/06/2026 às 16:39

Olá, Paola.

Lamentamos pela experiência vivenciada.

Por questões operacionais relacionadas à capacidade da unidade, não foi possível assegurar o início do tratamento dentro do prazo adequado, o que motivou a decisão de não prosseguir com a proposta terapêutica neste momento. Compreendemos o seu sentimento e preocupação, especialmente diante de um momento tão delicado.

Sentimos muito pelo transtorno e pela insegurança gerada, e seguimos à disposição para quaisquer orientações adicionais que possam ser necessárias.

Atenciosamente,
Ouvidoria Oncoclínica

Réplica do consumidor

14/06/2026 às 21:55

Agradeço o retorno, ainda que ele apenas confirme o que já havia percebido na prática: faltou transparência, planejamento e respeito ao meu tempo terapêutico.
Uma pena lamentarem o ocorrido, mais eu lamento profundamente ter perdido R$ 600,00 em uma consulta com a radio-oncologista que, ao que tudo indica, não teria condições mínimas de dar sequência ao meu tratamento, especialmente considerando que, conforme fui informada, a médica esteve em congresso durante todo o período posterior à consulta.
Reconheço, no entanto, que houve um livramento. Ao saber que vocês operam com aparelhos funcionando ininterruptamente do início da manhã às 22h para dar conta de uma alta demanda, fico genuinamente preocupada com a possibilidade de riscos de fadiga de equipamentos, qualidade do tratamento e também possíveis efeitos adversos decorrentes dessa sobrecarga. Paciente oncológico já vive com medo, não precisa carregar também o medo de um tratamento mal executado por questões operacionais, caso seja o caso.
O que ocorreu é o retrato da empresa: desorganização, ausência de comunicação clara e uma gestão que só percebeu a própria incapacidade de atender depois de me submeter à consulta, à tomografia de planejamento e a semanas de ansiedade. Tudo isso enquanto meu tempo ideal para a radioterapia se esgotava.
A única pessoa que destoa positivamente nessa história foi a coordenadora que conduziu o meu caso. Diferentemente da postura institucional de vocês, ela foi clara, objetiva e resolveu a questão de forma prática ao afirmar que os 60% do valor do planejamento não seriam devidos, já que quem não conseguiu prestar o serviço foi a clínica, e não eu. A ela, meu respeito e agradecimento. E devido a prontidão dela em me atender dentro do tempo que se esgotava para eu realizar a radioterapia com a eficácia citada nos estudos, é que já estou realizando meu tratamento em outra instituição.

O restante da Oncoclínicas Radioterapia Botafogo me fez perder tempo, dinheiro e, o mais grave, confiança. Não voltarei, mas fica aqui o registro e questionamento para que outras pacientes saibam: a casa está preparada para o que promete? Não adianta ter médico com currículo maravilhoso, se o conhecimento não consegue atingir os pacientes e sua existência só serve para fortalecer status acadêmico, alimentar redes sociais, o que para mim é igual a 0.
Grata a Deus pelo desfecho, apesar dos transtornos que tive que passar.