Empresa induz menor a contratar c.

Não respondida
Botelhos - MG
03/02/2026 às 17:50
ID: 239673813
No dia 1 de fevereiro de 2026, um domingo, por volta das 20h15, a empresa entrou em contato com minha filha, menor de idade, por meio do WhatsApp, alegando ter recebido o currículo dela.
O contato inicial foi feito por uma pessoa que se identificou como Cristina, coordenadora da Conecta Jovem, informando que se tratava de uma oportunidade para estudantes, sem exigência de experiência, com carga horária reduzida (4 a 6 horas diárias) e possibilidade de atuação em setores como administrativo, recepção, tecnologia da saúde e logística, próximos à região de residência. Também foi informado que minha filha deveria comparecer acompanhada de um responsável legal, sendo solicitado meu nome e contato.
Ressalto que minha filha não se recorda de ter enviado currículo para essa empresa, relatando que havia encaminhado currículo apenas para outra instituição, e não para a empresa que realizou o contato. Em nenhum momento foi informado como ou por qual meio o currículo dela foi obtido, o que desde o início causou estranheza.
Após esse contato, a empresa entrou em contato comigo, ficando agendado um atendimento presencial para segunda-feira, dia 02 de fevereiro de 2026, às 11h00.
No dia marcado, eu e minha filha comparecemos ao local e aguardamos cerca de 30 minutos para sermos atendidas. Ao chegarmos, fomos informadas de que o nome da empresa no local era Horizonte, e não Conecta Jovem, como havia sido mencionado inicialmente. Foi informado que a Conecta Jovem teria apenas cedido o espaço para a realização de uma suposta pré-entrevista.
Também foi esclarecido que não se tratava de uma entrevista de emprego, mas apenas de uma conversa. Fomos informadas ainda de que a Cristina não pôde comparecer por conta de um imprevisto, e que outra funcionária realizaria o atendimento, no caso a Flávia.
Fomos levadas para uma sala onde passaram a fazer perguntas para mim e para minha filha. Em determinado momento, a atendente questionou de forma direta: Como assim ela não tem nenhum curso com a idade dela?, gerando constrangimento, principalmente porque, desde o primeiro contato, foi informado que não seria exigida experiência nem cursos prévios, por se tratar de uma oportunidade de emprego.
Logo após minha filha manifestar interesse na área de Tecnologia da Informação (TI), a atendente insistiu repetidas vezes no fato de ela não possuir cursos na área, afirmando que, para a idade dela, ela estaria um pouco atrasada.
Em seguida, foi dito que outras instituições, como CEFET e Coltec, que oferecem cursos na área tecnológica, já estariam com as vagas lotadas, assim como a própria Horizonte, que também ofereceria esse tipo de curso. No entanto, logo depois, a atendente mudou o discurso, afirmando que um aluno teria desistido por motivos de saúde, o que possibilitaria a liberação de uma bolsa de 70%.
Ainda durante esse atendimento, foi informado que haveria uma prova para a obtenção do suposto emprego. Ao questionarmos como seria essa prova, foi dito que se trataria apenas de conhecimentos gerais, como Português e Matemática. Perguntei se existia algum material de apoio para esse conteúdo e, somente no momento do pagamento, foi oferecida uma apostila no valor de R$ 70,00, com conteúdos sobre emprego, marketing pessoal e elaboração de currículo para jovens, o que não corresponde ao conteúdo da prova informado anteriormente.
Foi então oferecido um pacote de três cursos (Administração, Informática e Inglês), com valor final de R$ 439,90, juntamente com a apostila, além da promessa de que, com apenas 9 aulas, a atendente tentaria ao máximo conseguir um estágio para minha filha na área de TI.
Diante de diversas promessas verbais de que minha filha conseguiria emprego a partir da realização desses cursos, acabei me sentindo induzida ao erro e realizei o pagamento.
Em seguida, eu e minha filha fomos separadas: minha filha foi levada para escolher a grade curricular, enquanto eu fui direcionada para realizar o pagamento, sem a presença dela. Efetuei o pagamento com meu cartão e somente após isso me foi apresentado o contrato.
Ao ler o contrato, constatei que nele constava que a empresa Horizonte não promete, não garante emprego, estágio ou sequer encaminhamento profissional para seus alunos, o que contraria diretamente tudo o que havia sido prometido verbalmente, inclusive a tentativa de conseguir estágio para minha filha. Essa informação só foi apresentada após o pagamento, o que considero falta de transparência e conduta abusiva.
Logo após isso, me retirei do local. Ao ler o contrato com mais atenção, constatei ainda a existência de uma cláusula prevendo a cobrança de multa contratual equivalente a 10% do saldo restante do contrato.
Diante disso, pesquisei sobre a empresa e, ao consultar o Reclame Aqui, encontrei diversas reclamações com relatos muito semelhantes ao ocorrido comigo. Em razão disso, entrei em contato com meu banco, informando que me senti induzida ao erro, já que a contratação foi baseada em promessas verbais que não constam no contrato.
Reforço que todo esse processo me causou profunda insegurança, especialmente por envolver uma menor de idade, uso de informações contraditórias e apresentação de condições contratuais somente após o pagamento.
Após tomar ciência de tudo isso, entrei em contato com a empresa Horizonte por diversos meios, com o objetivo de cancelar o contrato, tendo em vista que minha filha não iniciou nenhuma aula, não frequentou qualquer atividade, não utilizou o material e não houve qualquer prestação de serviço.
Inicialmente, não obtive qualquer resposta, realizando diversas ligações e tentativas de contato sem retorno. Somente após insistência, consegui contato com a empresa, ocasião em que fui informada de que o cancelamento só poderia ser feito de forma presencial, exigindo ainda que eu comparecesse acompanhada da minha filha.
Ressalto que essa exigência não consta em nenhuma cláusula do contrato, em momento algum fui informada previamente sobre essa condição, o que demonstra mais uma tentativa de dificultar o exercício do meu direito de cancelamento, além de reforçar a falta de transparência e de boa-fé por parte da empresa.
Reforço que todo esse processo me causou profunda insegurança, especialmente por envolver uma menor de idade, uso de informações contraditórias, promessas verbais não cumpridas e a apresentação de condições contratuais somente após a realização do pagamento.
Diante de todas as circunstâncias relatadas, requeiro o cancelamento imediato do contrato, sem cobrança de qualquer multa, bem como os esclarecimentos cabíveis sobre a conduta adotada pela empresa, uma vez que nenhum serviço foi utilizado ou efetivamente prestado.