Paciente internado sem avaliação médica e orientação sobre tratamento

Reclamação não respondida

Não respondida

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Brasília - DF

22/08/2026 às 10:01

ID: 257108829

À Ouvidoria do Hospital Brasília Lago Sul,

Venho registrar, em caráter de URGÊNCIA, uma reclamação formal referente à assistência prestada ao meu marido, João, atualmente internado nesta instituição, após retornarmos antecipadamente da Europa exclusivamente em razão de uma indicação médica de tratamento hospitalar e cirúrgico urgente.

No dia 20 de agosto de 2026, enquanto estávamos em Viena, Áustria, meu marido foi atendido no Klinik Ottakring em razão de um quadro infeccioso, associado a episódios de febre e importante piora clínica apesar do uso de antibiótico oral.

A avaliação realizada em Viena constatou abscesso, com área de coleção líquida localizada a aproximadamente 34 cm de profundidade e extensão de pelo menos 8 × 8 cm, além de vermelhidão, endurecimento, edema e aumento da temperatura local.

Os exames laboratoriais também demonstraram processo inflamatório/infeccioso relevante, incluindo leucócitos de 13,37 G/L e PCR de 67,6 mg/L.

Diante desse quadro, a equipe médica austríaca recomendou internação hospitalar, antibioticoterapia intravenosa e drenagem cirúrgica do abscesso.

Fomos expressamente informados da necessidade de tratamento e dos riscos relacionados à evolução do processo infeccioso. Como optamos por realizar o tratamento no Brasil, assinamos a documentação apresentada pelo hospital referente à nossa decisão de não permanecer internados em Viena e de retornar ao país para continuidade imediata da assistência.

Em razão da gravidade da situação, interrompemos nossa viagem e antecipamos emergencialmente nosso retorno ao Brasil, arcando com um custo extremamente elevado para conseguir retornar imediatamente, justamente para que João pudesse receber o tratamento indicado.

Chegamos ao Brasil e, por volta das 23h/madrugada, procuramos o Hospital Brasília Lago Sul, apresentando à equipe médica todos os relatórios, exames e documentos emitidos na Áustria e explicando claramente a indicação de internação, antibiótico intravenoso e avaliação para drenagem cirúrgica.

Na admissão, informei ao médico que João não apresentava febre naquele exato momento porque havia recebido medicação antitérmica aproximadamente uma hora antes, ainda em deslocamento, além de estar em uso do antibiótico prescrito anteriormente. Portanto, sua temperatura naquele momento precisava ser interpretada considerando as medicações administradas.

Foram coletados exames laboratoriais no Hospital Brasília. Entretanto, até o presente momento não recebemos explicação adequada sobre os resultados.

No último contato que tivemos com o médico do pronto atendimento, fomos informados apenas de que aparentemente teria ocorrido alguma regressão da infecção, sem que nos fossem apresentados os resultados que fundamentariam essa conclusão. Também fomos informados de que ainda existiam exames pendentes.

Posteriormente, João foi encaminhado para internação. Permanecemos inicialmente no box e depois fomos conduzidos ao quarto.

O que considero absolutamente preocupante é que, até aproximadamente 10h da manhã de hoje, 22/08/2026, após toda essa sequência de acontecimentos, João ainda não havia recebido avaliação do cirurgião e nenhum médico havia comparecido ao quarto para nos explicar qual é a conduta terapêutica adotada.

Já solicitamos reiteradas vezes aproximadamente quatro solicitações à equipe de enfermagem que um médico viesse ao quarto. Fizemos o pedido a diferentes profissionais que passaram pelo local e, apesar disso, permanecemos sem esclarecimento médico.

Há ainda uma questão extremamente grave: não sabemos qual antibioticoterapia está sendo realizada neste momento nem qual é a orientação quanto ao antibiótico oral prescrito em Viena, cuja medicação está comigo. Não sei se devo continuar administrando, suspender ou substituir o medicamento, e a equipe de enfermagem naturalmente informa que essa decisão depende de prescrição/avaliação médica.

Ou seja: temos um paciente que atravessou o Atlântico após uma avaliação hospitalar estrangeira indicar internação, antibioticoterapia intravenosa e drenagem cirúrgica de um abscesso, e sua família permanece no quarto sem conseguir obter sequer uma orientação médica sobre a estratégia de tratamento.

Não estou exigindo que o Hospital Brasília simplesmente reproduza a conduta indicada na Áustria. Evidentemente, a equipe brasileira possui autonomia para realizar sua própria avaliação e estabelecer a conduta que considerar tecnicamente adequada.

O que é inadmissível é a ausência de avaliação, informação e definição de conduta diante de um quadro infeccioso potencialmente grave.

Nossa preocupação principal é a possibilidade de progressão da infecção e desenvolvimento de complicações sistêmicas, inclusive sepse, razão pela qual precisamos saber objetivamente:

1. Qual é o resultado dos exames realizados desde a entrada no Hospital Brasília?
2. Qual é o diagnóstico atual da equipe responsável?
3. Qual é a avaliação da evolução do processo infeccioso?
4. Qual antibioticoterapia está sendo administrada ou será administrada?
5. Devemos ou não manter o antibiótico oral prescrito na Áustria?
6. Quando ocorrerá a avaliação da cirurgia?
7. A drenagem do abscesso continua indicada ou foi descartada? Em caso de descarte, qual o fundamento clínico e/ou laboratorial?
8. Qual é o plano terapêutico estabelecido para as próximas horas?

Solicito, portanto, INTERVENÇÃO IMEDIATA DA OUVIDORIA E DA COORDENAÇÃO MÉDICA DO HOSPITAL, para que um médico responsável compareça ao quarto, examine o paciente, avalie os documentos médicos apresentados, informe os resultados dos exames já realizados e esclareça formalmente a conduta que será adotada.

Também solicito que esta manifestação seja formalmente registrada no prontuário e no sistema de atendimento da instituição, com fornecimento do respectivo número de protocolo.

Destaco que possuímos os relatórios médicos emitidos em Viena, exames laboratoriais, documentação referente à indicação de internação e tratamento cirúrgico e demais documentos relacionados ao caso.

Caso a equipe do Hospital Brasília entenda que a situação não demanda intervenção cirúrgica imediata, queremos que isso seja explicado por um médico, com os respectivos fundamentos clínicos e resultados dos exames. O que não podemos aceitar é permanecer por horas internados, diante de um processo infeccioso dessa natureza, sem informação médica, sem orientação clara sobre a antibioticoterapia e sem saber qual é o plano assistencial estabelecido.

Diante da potencial gravidade do quadro, solicito retorno e providências imediatas, e não apenas o processamento administrativo desta reclamação.

Atenciosamente,

Cyntia Moura Santo
Esposa e acompanhante do paciente

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