Falta de estrutura e silêncio adequados para recuperação pós-cirúrgica infantil no Hospital Casa São Bernardo

Respondida
Nova Iguaçu - RJ
18/07/2026 às 18:50
ID: 254260813
Gostaria de registrar minha experiência no Hospital Casa São Bernardo, na Barra da Tijuca.
Antes de tudo, quero destacar que os profissionais que nos atenderam foram educados, atenciosos e solícitos. A equipe médica foi excelente, e a equipe de enfermagem, de forma geral, também demonstrou carinho e dedicação. Inclusive, uma enfermeira, em especial, teve a sensibilidade de trazer folhas para o meu filho pintar durante a internação, um gesto simples, mas que demonstrou carinho e ajudou a tornar aquele momento um pouco mais leve para ele.
No entanto, infelizmente, a estrutura e a organização do local onde permanecemos após a cirurgia comprometeram completamente a recuperação do meu filho e o meu descanso como acompanhante.
Desde a nossa chegada permanecemos em um setor que, até hoje, não sei dizer se era uma enfermaria, uma sala de recuperação ou outro tipo de unidade. O mais preocupante é que nem os próprios funcionários souberam informar exatamente qual era aquele setor. O ambiente era organizado, com leitos separados por cortinas, televisão e certa privacidade, mas imaginei que, após a cirurgia, seríamos encaminhados para uma unidade mais adequada para um período de recuperação. Isso não aconteceu. Meu filho permaneceu naquele mesmo local até receber alta no dia seguinte.
O maior problema foi a ausência de um ambiente adequado para o descanso. Não havia qualquer respeito ao silêncio. Durante toda a noite e desde as primeiras horas da manhã, as portas do setor eram abertas e simplesmente largadas, batendo com muita força. Isso acontecia repetidamente, o tempo todo. Além disso, os funcionários conversavam em voz alta entre si, inclusive sobre assuntos pessoais, sem demonstrar preocupação com o fato de haver pacientes recém-operados tentando descansar.
Outro fator que gerava muito barulho era a intensa circulação de macas pelo corredor. O ruído era tão frequente e tão intenso que, em alguns momentos, a sensação era de que o hospital inteiro estava em constante movimentação. Era impossível relaxar ou descansar com tanto barulho ao redor.
Meu filho, de apenas seis anos, passou por uma cirurgia de adenoide e amígdalas e, mesmo muito cansado, reclamava do excesso de barulho, dizendo que não conseguia dormir. Eu também não consegui dormir em nenhum momento. Estava acordada desde as 3h20 da manhã do dia da cirurgia, por morar longe do hospital, e permaneci acordada durante toda a noite. Não cochilei em nenhum momento. Foi simplesmente impossível dormir diante do barulho constante.
Quero deixar claro que, quando os profissionais vinham prestar assistência, administrar medicações ou conversar conosco, sempre fomos tratados com educação e respeito. O problema não foi o atendimento prestado diretamente a nós, mas a completa falta de cuidado com o silêncio em um ambiente onde pacientes recém-operados precisavam repousar.
Conversei com a supervisora sobre toda a situação. Ela chegou a informar que poderia nos transferir para um local mais tranquilo, embora eu nem soubesse qual seria esse local. Como também estava aguardando um retorno do meu plano de saúde, pedi apenas que ela voltasse alguns minutos depois para que pudéssemos decidir o que fazer. No entanto, ela não retornou.
Em seguida, entrei em contato com o meu plano de saúde, que me orientou a procurar a administração do hospital. Porém, eu não podia deixar meu filho, de apenas seis anos e recém-operado, sozinho. Solicitei então que uma enfermeira permanecesse com ele por alguns minutos enquanto eu ia até a administração. Ela informou que iria, mas também não retornou.
Com o passar do tempo, meu filho já estava completamente esgotado e precisava descansar. Diante dessa situação, não tive outra alternativa a não ser permanecer ao lado dele e colocá-lo para dormir, deixando de buscar pessoalmente a administração naquele momento.
Outro ponto que considero extremamente desumano foi a acomodação destinada ao acompanhante. A única opção oferecida era uma cadeira simples, sem qualquer possibilidade de reclinação, para passar a noite inteira. Acabei deitando na própria cama do meu filho para evitar dores intensas nas costas e conseguir cuidar dele adequadamente.
Após diversas reclamações, providenciaram uma poltrona para outra acompanhante que também estava passando pela mesma situação, mas ela própria reconheceu que a poltrona era bastante desconfortável para dormir. Para mim, nenhuma alternativa foi oferecida, e continuei passando a noite na cama do meu filho.
Também fiquei completamente perdida em relação à estrutura do setor. Havia um banheiro, mas eu sequer sabia se ele poderia ser utilizado pelos acompanhantes, pois ninguém explicou o funcionamento daquele local. Por isso, acabei nem tomando banho. Além disso, imaginei que o hospital disponibilizaria itens básicos de higiene para quem precisasse permanecer internado de um dia para o outro, mas isso também não aconteceu.
Faço questão de ressaltar que não tenho qualquer crítica em relação à alimentação, que foi muito boa, nem ao atendimento humano da maior parte da equipe, que sempre foi educada e prestativa.
Minha indignação está voltada à falta de condições adequadas para um paciente em recuperação pós-operatória e seu acompanhante. Descanso faz parte do tratamento. É difícil compreender como um setor destinado a pacientes recém-operados pode funcionar sem qualquer cuidado para preservar o repouso dos pacientes.
Além disso, procurei posteriormente a administração do hospital para registrar minha insatisfação e também conversei com a psicóloga, que registrou meu relato. Ainda assim, fiquei com a sensação de que minha reclamação apenas era encaminhada de um setor para outro, sem que houvesse uma solução efetiva.
Já estive internada em hospitais públicos e, sinceramente, tive melhores condições de descanso e acomodação do que encontrei nesta internação. Em hospitais públicos onde estive, havia um local adequado para o acompanhante descansar. No Hospital Casa São Bernardo, infelizmente, vivi uma realidade completamente diferente.
Espero sinceramente que essa avaliação sirva para que o hospital reveja seus protocolos, principalmente em relação ao controle de ruídos, à orientação dos acompanhantes e às condições oferecidas para quem permanece ao lado de um paciente. Um ambiente silencioso e minimamente confortável não é um luxo; faz parte do cuidado e contribui diretamente para a recuperação dos pacientes.
Saí do hospital extremamente decepcionada. Não pela equipe médica, que foi excelente, nem pela educação dos profissionais, mas porque uma criança recém-operada e seu acompanhante passaram uma noite inteira sem conseguir dormir devido ao excesso de barulho e à falta de uma estrutura adequada para o descanso. Espero, de coração, que nenhuma outra família precise passar pela mesma experiência.
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Resposta da empresa
20/07/2026 às 11:44
Olá, Juliana,
Lamentamos sinceramente pela experiência vivenciada durante a internação do seu filho. Entendemos o quanto esse momento é delicado para toda a família e lamentamos que a estrutura e as condições de descanso tenham impactado negativamente a recuperação dele e a sua permanência como acompanhante.
Agradecemos por reconhecer o atendimento prestado pela equipe médica, de enfermagem e pelos profissionais que demonstraram acolhimento e dedicação durante a assistência. Ficamos felizes em saber que esses cuidados fizeram a diferença em um momento tão importante.
Informamos que sua manifestação será encaminhada à Direção da unidade e às áreas responsáveis para análise e apuração dos fatos relatados, especialmente em relação às condições do ambiente de recuperação, ao controle de ruídos, à acomodação dos acompanhantes, às orientações prestadas e aos demais pontos mencionados.
Caso seja necessário obter informações complementares durante a tratativa, entraremos em contato por meio do número disponibilizado na plataforma.
Agradecemos por nos informar o ocorrido. Estamos à disposição para acompanhá-lo(a) e garantir que receba o cuidado e a atenção que merece.
E-mail: [email protected]
Telefone: (21) 3216-8000
Atenciosamente,
Equipe Experiência do Cliente - Rede Hospital Casa