Paciente relata mau atendimento, diagnóstico inadequado e conduta desrespeitosa em consulta de emergência, buscando estorno do valor pago e retratação.

Reclamação não resolvida

Não resolvido

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Rio de Janeiro - RJ

05/01/2026 às 18:02

ID: 236699477

Tentei resolver internamente o ocorrido. Diante da recusa do Hospital em atender minhas demandas, torno público aquilo que aconteceu comigo ao ser atendida, na esperança de que outras pessoas que pensem em procurar esta clínica, tenham dados sobre como pode ocorrer o atendimento.
A resposta da clínica foi dizer que lamentam por "nao ter atendido minhas expectativas", mas que eu poderia VOLTAR LÁ para ser avaliada por outro médico.
Ora, se eles acham, conforme carta em anexo, que meu atendimento foi adequado, por que oferecem outra consulta "gratuita"?

Anda considerando que foi uma consulta de EMERGENCIA - o que foi mal feito, foi mal feito no momento da emergência, de forma que não faz o menor sentido este retorno. Porque acham que eu iria querer retornar a um local onde fui constrangida e agredida?

Chego com cefaléia, não sou ouvida, e ainda sugere-se que eu procure psicólogo - quando a indicação adequada seria um neurologista. Que vergonha. Que precariedade, que exploração comercial, que horror.

Omiti o nome do médico e das enfermeiras, por acreditar que a responsabilidade principal recai sobre a instituição, no momento em que falha em avaliar e instruir seus funcionários no sentido de proporcionar um atendimento minimamente ético, e eficaz.

"Dirijo-me às vossas senhorias com o objetivo de relatar, da forma mais clara possível, como ocorreu o atendimento de emergência ao qual fui submetida na madrugada do dia 26 de dezembro de 2025.


Pretendo, com este email, chegar a um acordo amigável com esta instituição, evitando um processo litigioso que será desgastante para todos nós, e prejudicial à imagem de vossa clínica e do médico envolvido no episódio.


Fui levada para a emergência pelos meus pais após sentir lancinante dor de cabeça, forte ao ponto de eu gritar no momento em que ela ocorreu, de tão lancinante, sentar no chão, e chorar.

Foi assustador e intenso. Não foi a primeira vez que senti tal dor, mas foi, com toda certeza, a mais aguda de todas. E por ter sido assustador desta forma, resolvemos ir até a emergência para fazer uma tomografia.

O objetivo, ao buscar a emergência, era verificar se havia algo potencialmente fatal ocorrendo comigo.

Ao chegar, fomos informados sobre o valor de R$1500,00 para a consulta com o clínico geral.

Fui encaminhada para a enfermaria, onde enfermeiras aferiram minha pressão.

Antes do médico chegar, conversamos tranquilamente sobre a vida, meu trabalho, elas sabem por exemplo que sou cineasta, sabem que minha esposa é francesa e está passando o inverno com a mãe dela, inclusive pediram que eu falasse francês com elas enquanto o médico não chegava para me atender. As enfermeiras tiveram tempo de sobra para me conhecer, e poderão confirmar que eu me comunicava de forma calma e eloquente.


Finalmente, chegou o médico. No mesmo momento em que ele chegou, uma das enfermeiras, sem querer, derrubou uma bandeja de metal, o barulho me assustou, e, ao me assustar, senti a pontada (foi menos intensa dessa vez), e dei um breve grito de dor.


O médico de pé, começo a relatar o que estava se passando comigo. Minha intenção era detalhar da melhor maneira possível como era a dor. Procurei explicar para ele que a primeira vez em que senti tinha 38 anos, mas que havia sido menos intenso, e que se parecia mais com um relâmpago que se espalha no céu, enquanto que, agora, a dor se parecia mais com um raio caindo na minha cabeça, pois se aos 38 anos a dor se dispersava, agora, aos 51, ela se concentrou em apenas um ponto, todas as vezes que ocorreu.


Nesse momento, o médico começou a me cortar e confrontar, dizendo que aquilo ali era uma emergência e que não era ambulatório. Eu repliquei, dizendo que queria explicar a ele o que eu estava sentindo da melhor maneira possível. Então, ele afirmou que eu era MUITO PROLIXA.


Eu falei que estava tentando explicar o que estava acontecendo. Ele disse "Ah então eu vou sentar pra escutar porque você é muito prolixa e já está falando há uma hora!" (se os senhores verificarem meu prontuário verão que isso é um absoluto exagero).


Eu respondi: Então senta, inclusive vou considerar isso um sinal de respeito." Ele falou "Então eu vou ficar de pé".


Este médico se apresentou de forma muito agitada. Quando disse que ia sentar, em um impulso virou-se para trás em direção à cadeira estofada azul perto da porta de entrada, e depois, de forma igualmente agitada, ia até o computador no canto direito da enfermaria, olhava, e voltava para a mesma posição, repetindo várias vezes que eu era PROLIXA.

Nisso, ele disse que ia me dar TRAMAL. Eu falei, mas isso não é "tipo" morfina? Ele disse que não era morfina, que era um analgésico. Eu perguntei, mas que tipo de analgésico?


Sua atitude continuou agressiva, de confronto. Eu tentei remediar a situação. Falei para ele: Olha, de repente você teve uma má impressão de mim porque logo que você entrou eu dei um grito, pois me assustei com o barulho do metal e estou muito sensível, com uma dor muito forte". Mal consegui terminar a frase, e ele continuou a me confrontar de maneira agressiva, desumana, o oposto que se espera de um médico, enquanto que eu, a paciente, tentava acalmar a situação, ainda mais que meu estado físico poderia se agravar caso eu continuasse a ser submetida àquele tipo de estresse.


Ele me cortou novamente, se dirigiu às enfermeiras e perguntou "Ela tá com acompanhante, vai lá buscar o acompanhante".


Eu falei: Eu não preciso de acompanhante, estou tentando te explicar o que está acontecendo comigo. Novamente me chamou de prolixa, você é muito prolixa, me ignorou e mandou chamar minha mãe.


A enfermeira foi buscar a minha mãe, à minha revelia, e o médico começou a se dirigir à minha mãe como se eu não estivesse ali e fosse incapaz de me comunicar ou estivesse, de alguma forma, incapacitada. Isso foi extremamente ofensivo para mim.


Ele disse para a minha mãe que queria me dar o Tramal, novamente perguntei para ele o que era Tramal (naquele momento, me fugia a palavra opiáceo!!!)


Eu mandei minha mãe sair dali, disse que era a MIM que o médico deveria escutar, que era o dever dele e que ela não sabia quais medicações eu havia tomado naquele dia, tendo apenas ido me levar até o hospital. Minha mãe acatou e saiu.


Finalmente, ele disse que o Tramal era um opióide. Eu falei: Por isso que eu perguntei se era tipo morfina, pois eu não tolero opióides! E até agora você não sabe quais remédios eu tomei, não sabe como é minha dor porque você me acha prolixa e se recusa a me escutar.


Perguntei às enfermeiras se havia outro médico, mas não havia.

Finalmente, de forma extremamente agressiva, ele disse que me daria Tilatil e Dipirona, e se eu preferia tomar na veia ou oral. Eu falei, não sou médica, administre da forma que for mais eficaz.

Finalmente, quando eu estava tomando a medicação, o médico voltou, aparentemente havia conversado com meus pais à minha revelia e sem autorização, e disse para mim que o filho dele tinha problemas, precisava de acompanhamento psicológico e que seria interessante se eu procurasse um psicólogo para APERTAR ALGUNS PARAFUSOS. Em nenhum momento solicitei aconselhamento a respeito de minha saúde mental a este médico. Além do mais, acredito que este linguajar não tenha lugar num atendimento médico.

Eu afirmo novamente que me comportei de maneira calma, me comuniquei de forma eloquente, e mesmo se eu estivesse nervosa isso não daria direito ao médico de me constranger, me confrontar, me ofender chamando de prolixa, INSINUAR QUE EU TENHO PARAFUSO SOLTO, se recusando a fazer seu próprio trabalho, que é entender o paciente e procurar a melhor forma de ajudar.

As enfermeiras são o elo fraco dessa história. Elas não vão arriscar seus empregos por minha causa.

Porém, os medicamentos que o médico me prescreveu (ou tentou me prescrever) são a maior prova de que ele se recusou a me escutar, me tratou com preconceito, me desrespeitou inúmeras vezes numa sucessão de infrações éticas que, se eu tivesse filmado e publicado nas redes sociais, ele não seria mais médico.

No entanto, os meus valores morais e éticos são infinitamente superiores tanto ao desse médico quanto daqueles que fazem este tipo de delação pública, e por isso reservo meu relato, neste primeiro momento, a esta ouvidoria.


O que eu quero?

O estorno completo dos R$1500,00 que paguei por um atendimento precário e desprovido da atenção necessária para a recuperação do meu bem estar.


As ações do médico agravaram meu estado, ao invés de melhorar. Suas ofensas, xingamentos, seu comportamento agitado, agressivo e desrespeitoso, poderia ter tido consequências graves. Os opiáceos não podem ser administrados a pessoas com a minha condição. O Miosan, que ele prescreveu, é absolutamente contraindicado para a minha condição. E esses erros foram cometidos PORQUE ELE SE RECUSOU A ME OUVIR. Por sorte e lucidez minhas, recusei o Tramal a tempo, e não tomei o Miosan, tendo inclusive falado para ele que não iria tomar um anticolinérgico.


Então, eu quero o estorno total dos R$1500,00, um pedido de desculpas formal e a garantia de que minha denúncia não irá impactar na forma como meus pais são atendidos, pois eles frequentam esta instituição, e são gratos pelo atendimento que tiveram quando meu pai quase [Editado pelo Reclame Aqui] pois estava com o intestino obstruído por um câncer, e foi o mesmo médico que atendeu meu pai, e fez o exame que era importante naquele momento. Justiça seja feita, ele salvou a vida do meu pai. Mas errou de forma gravíssima comigo, e a única razão de eu estar relatando isso a esta ouvidoria e propondo esta solução, ao invés de tomar atitudes mais radicais, é pelo histórico de bom atendimento com meus pais. Eu mesma, JAMAIS voltarei a pisar aí.


A mercantilização da medicina é uma distorção moral. O médico disse com todas as palavras que não estava lá para isso. Então, se ele não estava lá para isso, ele deveria ter me encaminhado para um hospital que pudesse me atender de forma adequada, ao invés de aceitar os 1500 reais, não me escutar, me constranger, e agravar minha condição.


Cabe sublinhar que eu pedi a tomografia umas 3x e ele disse que "mas o laudo só sairia amanhã". E isso, eu tendo o pior episódio de cefaleia da minha vida.


Creio estar claro que eu não estava de forma alguma incapacitada no dia 26, uma vez que tenho absoluta certeza que forneço um relato com detalhes suficientes para que tirem suas próprias conclusões, e tenham a mais perfeita ciência de que eu estava totalmente provida de todas as minhas faculdades mentais naquela madrugada. Minha memória é uma arma, e não hesitarei em usá-la caso esta situação não seja reparada de forma justa. Busco uma resolução que evite que outras pessoas passem pelo que eu passei ao adentrar em vossa clínica.


Aguardo vosso retorno.


Atenciosamente

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Resposta da empresa

06/01/2026 às 14:12

Prezados,
A manifestação recebida em 30/12/2025 foi tratada pelo canal oficial de comunicação do Hospital, tendo sido analisada com atenção e respondida formalmente à reclamante dentro do prazo, com os esclarecimentos pertinentes sobre o atendimento realizado.

Como a procura da paciente ao Setor de Emergência estava relacionada a episódios de saúde que vem ocorrendo há 10 anos, este fator foi considerado na análise do caso. Diante disso, com o objetivo de manter uma postura acolhedora e responsável, e mesmo não se tratando de um novo atendimento de emergência ou de uma segunda consulta, o Hospital se colocou à disposição para oferecer a oportunidade da paciente expor seu histórico clínico e passar por uma análise junto à Direção Médica da Instituição, como forma de escuta qualificada e esclarecimento adicional.

Reiteramos que a paciente recebeu as orientações médicas, bem como as informações relacionadas aos valores da consulta. O serviço foi efetivamente prestado e, conforme a legislação aplicável e as normas que regem a prática médica, não há previsão legal para devolução do valor pago.

Reafirmamos que a tratativa foi conduzida de maneira respeitosa, transparente e alinhada às boas práticas assistenciais. Permanecemos à disposição para eventuais esclarecimentos adicionais, por meio dos nossos canais oficiais de atendimento:
E-mail: [email protected]; [email protected]
Fale conosco: https://hcgrajau.com.br/contato/
Ouvidoria: (21) 2577-1122

Atenciosamente.
Hospital Clínica Grajaú

Consideração final do consumidor

07/01/2026 às 11:00

Fui de fato tratada de maneira respeitosa pela ouvidoria, e somente esta é a razão da nota ser 5 e não ZERO. No entanto, não mudei de opinião sobre minha demanda e não me sinto confortável em retornar lá após o ocorrido, por mais atenciosa que a Marcia da ouvidoria tenha sido. Continuo me sentindo absolutamente [Editado pelo Reclame Aqui] financeiramente e agredida moralmente. Fiquei absolutamente traumatizada com o ocorrido. Deveriam ter a decência de devolver o dinheiro.

O problema foi resolvido?

Reclamação não resolvida

Não resolvido

Voltaria a fazer negócio

Não

Nota do atendimento

5