FALTA DE FUNCIONÁRIOS E DE MATERIAIS PARA CIRURGIA DE URGENCIA NO HOSPITAL LUZ VILA MARIANA

Não respondida
Embu das Artes - SP
27/07/2026 às 14:34
ID: 254865409
Eu, Meire, venho por meio desta registrar minha profunda indignação, insatisfação e repúdio ao atendimento prestado ao meu marido, Maurício, na unidade Hospital Luz Vila Mariana, conveniada à Amil, que nos direcionou a essa instituição por ser referência em Ortopedia.
No dia 22/07/2026, por volta das 23h55, meu marido foi transferido do Hospital Geral de Pedreira por meio de remoção, já com diagnóstico confirmado de fratura trimaleolar de tornozelo, acompanhado de indicação de internação hospitalar e tratamento cirúrgico.
Ao chegar ao Hospital Luz Vila Mariana, foi avaliado pelo médico plantonista Dr. Rafael Marin, que solicitou um novo exame de radiografia apenas para confirmar a fratura, a qual já havia sido diagnosticada na unidade de origem.
Após a realização do exame, o médico retornou trazendo, de forma surpreendente, apenas uma receita médica e a alta hospitalar, informando que o hospital não possuía vaga para internação, não havia cirurgião ortopedista disponível e tampouco material para realização da cirurgia.
Diante dessa situação, questionamos a conduta adotada, uma vez que meu marido havia sido encaminhado justamente para tratamento especializado. Informamos ao médico que residimos longe da unidade hospitalar e que nossa residência possui dois lances de escada, tornando praticamente impossível o retorno para casa diante da gravidade da lesão.
A resposta recebida foi extremamente desumana. O médico afirmou que "não tinha nada a ver com isso" e que deveríamos "comprar uma muleta". Tal resposta demonstra absoluta falta de empatia e respeito à condição de um paciente com uma fratura grave.
Cabe ressaltar que esse atendimento ocorreu por volta da 1h da madrugada, horário em que sequer seria viável adquirir uma muleta. Além disso, o médico informou que apenas cumpria determinações do chefe da Ortopedia.
Meu marido foi induzido a assinar um termo relacionado à cirurgia eletiva, embora naquele momento estivesse sob efeito das medicações administradas anteriormente no pronto-socorro do hospital público, o que compromete sua plena capacidade de compreender todas as informações e consequências do documento apresentado.
Sentimo-nos completamente abandonados. A impressão foi de que meu marido estava sendo simplesmente retirado da instituição, e não assistido por um hospital cuja obrigação é acolher e tratar pacientes em situação de urgência.
Sem qualquer alternativa, permanecemos na unidade até aproximadamente 3 horas da manhã, quando fomos obrigados a solicitar um transporte por aplicativo para retornar para casa.
O trajeto até nossa residência foi extremamente sofrido. Ao chegar, meu marido precisou subir dois lances de escada com intensa dor, vindo inclusive a desmaiar devido ao esforço e ao sofrimento. Felizmente, consegui ampará-lo e evitar consequências ainda mais graves.
Desde então, permaneceu em casa utilizando tala gessada, apresentando dor intensa e contínua, sem conseguir dormir e sem qualquer melhora com as medicações analgésicas por via oral prescritas.
Diante do agravamento do quadro, retornamos ao Hospital Luz Vila Mariana no dia 24/07/2026.
Na nova avaliação, o Dr. Ivan sequer se dispôs a conversar ou explicar adequadamente a situação da fratura.
Posteriormente, fomos atendidos pelo Dr. Luiz, que informou que o cirurgião havia solicitado uma ultrassonografia para investigação de possível trombose. Felizmente, o exame apresentou resultado negativo.
Apesar disso, meu marido continuava apresentando dores intensas e precisou ser medicado duas vezes durante o atendimento.
Ao final, fomos novamente surpreendidos com a informação de que receberia alta hospitalar apenas com analgésicos, sendo orientado a retornar somente no dia 27/07/2026 para realização da cirurgia.
O que a equipe parece não compreender é que uma fratura dessa gravidade provoca dor intensa e incapacitante. Meu marido encontra-se esgotado física e emocionalmente, sem condições de suportar mais dias aguardando uma cirurgia que já possuía indicação desde sua chegada ao hospital.
Caso a instituição realmente não tivesse condições de realizar o procedimento cirúrgico imediatamente, o mínimo esperado seria sua internação para controle adequado da dor com analgesia endovenosa, acompanhamento clínico e busca de alternativas, como disponibilidade de equipe, aquisição urgente do material necessário ou transferência para outra unidade apta a realizar o procedimento.
Esse entendimento, inclusive, foi confirmado pela própria Central de Atendimento (SAC) da Amil, onde fomos orientados de que o hospital deveria providenciar, em caráter de urgência, o material necessário para a cirurgia ou, caso isso não fosse possível, solicitar a transferência do paciente para outra unidade capaz de realizar o procedimento.
Entretanto, nenhuma dessas medidas foi adotada.
Também é importante registrar que, no primeiro atendimento, não recebemos qualquer orientação sobre sinais de alerta, possíveis complicações da fratura ou orientações de segurança para o período domiciliar, o que demonstra mais uma grave falha na assistência prestada.
No momento desta reclamação, meu marido permanece no Pronto-Socorro, sentado em uma cadeira de rodas, recusando-se a retornar para casa por absoluta falta de condições físicas e emocionais. Permanecerá na unidade até que seja apresentada uma solução efetiva para seu caso.
Lamentavelmente, a experiência vivida no Hospital Luz Vila Mariana foi marcada pela falta de acolhimento, ausência de empatia, deficiência na comunicação médica, descontinuidade da assistência e evidente desrespeito à dignidade do paciente.
Solicitamos a imediata apuração dos fatos, manifestação formal da instituição, esclarecimentos sobre as condutas adotadas, bem como providências para que situações como essa não voltem a ocorrer com outros pacientes.
Esperamos, ainda, que a Amil avalie criteriosamente a qualidade da assistência prestada por esta unidade credenciada, considerando que foi justamente por indicação da operadora que buscamos atendimento especializado no Hospital Luz Vila Mariana.
Nossa expectativa era receber tratamento digno, humanizado e compatível com a gravidade do quadro clínico. Infelizmente, o que encontramos foi abandono assistencial, sofrimento prolongado e uma postura incompatível com os princípios éticos e assistenciais que devem nortear uma instituição de saúde.