Paciente idoso com glaucoma relata falhas no atendimento, alteração não explicada de medicação e falta de informação sobre exames

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Araucária - PR

05/07/2026 às 13:47

ID: 253131349

Prezados,
Venho, respeitosamente, registrar manifestação referente ao atendimento prestado ao meu pai, paciente idoso de 85 anos, acompanhado pelo Programa Glaucoma desta instituição.

Meu pai foi atendido em consulta no dia 19 de junho. Na ocasião, fomos informados de que ele deveria utilizar os colírios prescritos antes do retorno, pois, caso não fizesse uso da medicação, não faria sentido comparecer à consulta de retorno, já que não haveria como avaliar a resposta ao tratamento.
Após isso, seguimos a orientação recebida e entramos em contato para verificar a liberação dos medicamentos pelo Programa Glaucoma. Contudo, no dia 03 de julho, recebemos a informação de que o setor ainda não liberou o exame, segue em análise, retornar o contato em 15 dias úteis.

Essa resposta causou grande estranheza, pois não estávamos aguardando liberação de exame. O que aguardávamos era a liberação dos medicamentos. Em nenhum momento foi informado à família que havia exame pendente de análise, tampouco foi explicado qual exame seria esse, quando foi realizado ou por qual motivo estaria impedindo o fornecimento dos colírios.

Diante dessa resposta e considerando a orientação recebida na consulta de 19 de junho, de que não faria sentido retornar sem ter utilizado os colírios, a consulta foi reagendada, pois meu pai ainda não havia conseguido iniciar o tratamento.

Entretanto, no dia 04 de julho, ao tentar comprar os colírios por conta própria, fomos informados pelo farmacêutico de que a nova receita apresentava princípio ativo diferente daquele utilizado anteriormente.

Até esse momento, não sabíamos que a medicação havia sido alterada, pois as receitas emitidas pelo hospital indicam apenas o nome comercial/laboratório, sem destacar de forma clara o princípio ativo. Como consequência, a família não conseguiu perceber a alteração durante a consulta, e somente tomou conhecimento disso na farmácia.

Essa situação é extremamente preocupante, pois a alteração da medicação não foi explicada ao paciente ou à família. Não foi informado se a mudança ocorreu por piora do glaucoma, por alteração em algum exame, por algum problema adicional no olho, por falha do tratamento anterior ou por qualquer outro motivo clínico.

Meu pai é uma pessoa plenamente capaz de compreender seu tratamento. Inclusive, foi farmacêutico por mais de 50 anos e entende a importância do uso correto dos medicamentos. Justamente por isso, ele não se sente seguro para iniciar um colírio com princípio ativo diferente sem saber o motivo da alteração, sem ter acesso às explicações médicas necessárias e sem compreender o resultado dos exames realizados.

Reforço que meu pai não se recusa ao tratamento. Ele deseja tratar corretamente o glaucoma, mas precisa saber por que o medicamento foi alterado e qual é a condição atual dos seus olhos.

Também preciso registrar a insatisfação com a forma como os atendimentos vêm ocorrendo. Durante a própria consulta, dentro do consultório, os profissionais que atenderam meu pai demonstraram postura inadequada, com risadas, brincadeiras e comentários sobre pacientes, além de pouca atenção às dúvidas apresentadas. Em algumas situações, sentimos que fomos tratados com descaso, especialmente ao explicar que não temos condições financeiras de adquirir medicamentos de alto custo continuamente.

Esse tipo de atendimento gera insegurança, constrangimento e falta de confiança no tratamento, principalmente quando envolve um paciente idoso, com glaucoma, que precisa de explicações claras e acompanhamento responsável.

Além disso, a prática de emitir receitas apenas com nomes comerciais ou laboratórios dificulta muito a compreensão do tratamento e também limita a possibilidade de buscar alternativas equivalentes mais acessíveis. Para o paciente, especialmente no SUS, é essencial que o princípio ativo esteja claramente identificado e que qualquer alteração na medicação seja explicada de forma objetiva.

Diante de todos esses fatos, solicito:

Esclarecimento formal sobre a informação de que haveria exame em análise, pois a família aguardava a liberação dos medicamentos, não de exame;

Informação objetiva sobre a situação da liberação dos colírios pelo Programa Glaucoma;

Explicação médica sobre o motivo da alteração do princípio ativo prescrito;

Esclarecimento sobre os resultados dos exames realizados e se houve piora do glaucoma ou algum problema adicional no olho;

Agendamento prioritário de nova consulta médica, em prazo mais breve, para que meu pai possa tirar suas dúvidas antes de iniciar o novo medicamento;
Que essa consulta seja realizada por médico responsável, com postura ética, respeitosa, técnica e humanizada, sem brincadeiras, risadas ou comentários inadequados sobre pacientes;

Encaminhamento ao Serviço Social, para orientação quanto ao acesso aos medicamentos de alto custo e alternativas disponíveis pelo SUS;
Apuração da conduta observada durante os atendimentos, especialmente quanto à falta de esclarecimentos, risadas, comentários sobre pacientes e tratamento pouco acolhedor.

Esta manifestação tem fundamento no artigo 196 da Constituição Federal, que garante a saúde como direito de todos e dever do Estado; na Lei n 8.080/1990, que assegura atendimento integral pelo SUS; no Estatuto da Pessoa Idosa, que garante atendimento digno, prioritário e respeitoso; e na Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, que assegura ao paciente o direito de receber informações claras sobre diagnóstico, exames, medicamentos e tratamento.

Ressalto que esta solicitação não busca conflito, mas sim garantir que meu pai receba atendimento digno, esclarecimentos adequados e acesso seguro ao tratamento. Ele não pode permanecer meses sem acompanhamento e sem saber por que sua medicação foi alterada.

Aguardo retorno formal e providências urgentes.

Atenciosamente,
Mariana Estevam de Lima
Filha e acompanhante do paciente.

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