Negligência médica, demora e falta de suporte para paciente autista no pronto socorro

Reclamação não respondida

Não respondida

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São Paulo - SP

04/08/2026 às 10:14

ID: 255571171

No dia 03 de agosto de 2026, às 09 horas da manhã, fui ao pronto socorro do hospital Bartira com dores de garganta e dores no corpo. Peguei a senha preferencial pois sou Autista e estava utilizando o cordão de identificação devidamente visível.
Fui atendido normalmente na recepção, mas quando o médico me chamou para ser atendido, começaram os problemas.
Após perguntar minha queixa, relatei sobre a garganta e as dores, e o médico apenas mediu a oxigenação no sangue e me encaminhou para exame de sangue, exame de influenza e para tomar remédio na veia. Notei que ele não pediu para olhar minha garganta, não mediu minha pressão, não perguntou sobre as medicações que eu tomo (que estavam desatualizadas no sistema), e não perguntou se tenho algum tipo de alergia a medicamento. Achei muito estranho pois já havia passado outras vezes no pronto socorro desse hospital, e em todas as vezes, fui bem atendido pelas médicas de plantão.
Em seguida, aguardei ser chamado para os exames e medicação, onde recebi um acesso, e novamente estranhei pois também não me foi perguntado sobre alergia a medicação.
Após a finalização da medicação (da qual o médico não me avisou quais medicações eram e para que serviam), fui encaminhado para a recepção, ainda com acesso no braço, e orientado a aguardar o médico me chamar pelo nome.
Fiquei esperando aproximadamente das 10 horas até 10h30, quando resolvi perguntar o motivo da demora, e me informaram que estavam aguardando os exames que seria liberado às 11h40 (algo que ninguém havia me informado), comecei a ficar ansioso pois seria mais 1 hora esperando sentado na recepção com acesso no braço.
Fiquei esperando, e nesse tempo, a ansiedade piorou pois a recepção estava cheia, eu estava sozinho, não havia comido nada naquele dia, e as esteriotipias características da minha condição autista estavam piorando, me fazendo ficar inquieto, com pernas tremendo, e cravando as unhas na pele tentando minimizar uma crise.
As 11h50, fui novamente perguntar sobre os exames, e me informaram que estavam atrasados, e pediram para esperar mais 15 minutos.
Esperei cerca de 30 minutos antes de perguntar novamente, já com dores de cabeça devido à demora e o fato de não ter comido nada. E me informaram que os exames estavam prontos, e o médico iria chamar. Esperei mais uns 20 minutos e nada. Já estava com falta de ar, dor de cabeça, com braços cheios de manchas de unhas, com fome e sede, ainda com acesso no braço, sozinho e sem nenhum suporte. A sala de recepção já havia enchido e esvaziado inúmeras vezes, e nada do médico chamar.
Novamente fui perguntar e me pediram para esperar o médico, foi quando pedi se podiam verificar o motivo da demora pois estava perto das 13h da tarde. Só então foram verificar, e me pediram para passar com uma médica que estava de plantão pois o médico estava ocupado.
Passei com a médica que foi muito atenciosa, inclusive já a conhecia de outro atendimento, e novamente ela demonstrou o que é ser um exemplo de profissional.
Relatei para ela todo o ocorrido. Ela ficou espantada e me informou que iria conversar com a equipe do hospital após o atendimento.
Com isso, ela fez o atendimento da forma correta, checando minha garganta e pulmões, medindo pressão, oxigenação, batimentos cardíacos. Atualizou as medicações que tomo no sistema, perguntou sobre alergia a medicamentos antes de me receitar, e concluiu corretamente sobre meu quadro clínico, antes de me liberar para casa.
Somente hoje, dia 04 de agosto, um dia após o ocorrido, venho realizar a reclamação pelo reclame aqui, pois os formulários da ouvidoria do hospital estão desabilitados no site.
Essa foi a pior experiência que tive em hospitais, me senti negligenciado e constrangido pois fiquei quase 3 horas com acesso no braço em uma recepção lotada, com pessoas olhando enquanto eu estava tentando conter a ansiedade e crises em decorrência do autismo. Tomei medicação na veia (que ao meu ver), não era necessário no meu caso, pois apenas bastava me examinar e me receitar as medicações para serem aplicadas em casa. Fico extremamente triste pois esperava que os profissionais teriam o mínimo de treinamento e conhecimento sobre autismo para saber dar o suporte necessário. Fico com receio de voltar a ser atendido no hospital Bartira, pois presenciei profissionais da saúde pulando etapas cruciais (como não perguntar sobre alergias) e que podem custar a vida de um ser humano. Fiz exame de influenza sem nem preencher os critérios para que fosse necessário.
Por fim, ressalto que pessoas com Transtorno do ***** possuem direitos assegurados pela Lei n 12.764/2012 (*****) e pela Lei n 13.146/2015 (***** de Inclusão), que garantem atendimento digno, acessível e humanizado, cabendo aos serviços de saúde observar esses direitos durante toda a assistência prestada.
Aguardo uma devolutiva do hospital com os esclarecimentos sobre o ocorrido e as providências que serão adotadas para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

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