Falta de comunicação interna, revista vexatória dentre outros

Não respondida
Belo Horizonte - MG
31/08/2023 às 21:48
ID: 171240335
Essa reclamação foi publicada há mais de 1 ano
Ver todas ReclamaçõesFaço acompanhamento nessa instituição há +/- 2 anos, passei por algumas internações durante esse período das quais apenas a primeira foi involuntária.
No dia 8/8 informei a psicóloga que me acompanha que aceitaria a internação proposta pela equipe, uma vez em que eu me encontrava em planejamento de suicídio, e assim combinamos que no dia 10/8 eu deveria ir preparada para a internação. Fui encaminhada para o setor às 13:40, passei pela triagem, após longa espera, por volta das 16:40 o médico plantonista me chamou para avaliação e fui informada pelo mesmo que não havia vaga para minha internação. Questionei o pq, uma vez que a vaga já estava disponível desde o dia 8, o mesmo foi buscar informação e viu que era verdade o que eu havia falado, durante o atendimento me pediu o nome das medicações que eu tomo e me deferiu a seguinte pergunta: Por que você toma clozapina e olanzapina? sinceramente eu não soube responder e sugeri ao mesmo que perguntasse ao meu psiquiatra, pois o mesmo trabalha no ambulatório do hospital.
às 20:54 fui chamada pela tec. de enfermagem do plantão para as revistas pessoal e íntima, as quais eu já sabia que iriam acontecer como de praxe. Porém, durante a revista íntima fui ordenada a retirar minha bermuda e peça íntima e me agachar e levantar por 3x, isso me surpreendeu pois nunca haviam me pedido isso nas internações anteriores, perguntei a tec. se ela estava falando sério, ela sorriu de canto e disse: se vc realmente está precisando de ajuda terá que fazer o que estou mandando, isso é norma do hospital. Me recusei de imediato a passar por essa situação humilhante, assim fui orientada a assinar o termo de recusa de internação como se eu tivesse apenas recusado a passar por uma revista, mas não foi informado no mesmo nem tão pouco para a equipe médica que me recusei apenas a essa revista vexatória. Fiquei 7 horas esperando por uma internação que já havia sido confirmada 2 dias antes e passei por essa situação humilhante e constrangedora. Sai de lá me sentindo um lixo. Hoje no Brasil esse tipo de revista é proibido até mesmo no sistema penitenciário, tanto para internos como visitantes, para tal procedimento é obrigatório ter um scanner corporal, se os responsáveis pela instituição lerem toda a legislação se saúde e direitos humanos, não encontrarão nada que viabilize ou até mesmo flexibilize a realização de tal revista. Isso viola a dignidade, privacidade, respeito e vários outros pontos da pessoa humana, e se torna algo degradante, afeta o psicológico de uma maneira que acredito não fazerem ideia, e é mais agravante ainda por se tratar de uma instituição de "saúde", não há nada que justifique essa atitude. Sem contar da postura da tec. de enfermagem diante da situação, de ver uma pessoa em pânico e sorrir na cara dela. Praticamente 15 dias após o ocorrido é que fui informada que os profissionais que atendem no ambulatório não sabiam dessa norma e que os profissionais que atendem na internação também não tem acesso aos dados do paciente. Enfim, são várias situações praticamente descabíveis (revista vexatória, postura profissional, tempo de espera para uma internação já programada antecipadamente, falta de comunicação entre ambulatório e setor de internação, etc.) para uma instituição desse porte e de renome nacional. Venho ressaltar que em relação aos profissionais que me acompanham no ambulatório não tenho reclamação alguma. Contudo, acredito ser viável para o bem estar dos pacientes e seus familiares, que o hospital reveja muitas de suas normas, que por vezes podem levar o paciente a não somente cogitar mas tentar executar uma tae, ou em perder total credibilidade em sua própria recuperação e tratamento. Não estou falando só em meu nome, mas por todos os pacientes, que talvez não tenham questionado sobre isso por medo ou até mesmo vergonha. Já somos estigmatizados demasiadamente pela sociedade e muitas vezes pela própria família, e passas por esse tipo de situação só piora aquilo que já não está bom. Vocês tem todo o direito de criar normas, mas desde que as mesmas não prejudiquem quem luta diariamente para permanecer vivo.