Negligência e Descaso no Atendimento Hospitalar Após Óbito

Reclamação em réplica

Em réplica

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São Paulo - SP

09/03/2026 às 13:36

ID: 242731991

Venho, por meio deste relato formal, registrar denúncia e solicitar apuração imediata acerca da negligência, do descaso institucional e da conduta profundamente desumana vivenciada por mim e por minha família no Hospital Estadual de Diadema (Serraria). Desde já, exijo manifestação formal da direção da unidade, bem como a abertura de apuração administrativa sobre os fatos aqui narrados.

Meu irmão mais velho veio a óbito doa 3/03/26. A abordagem da equipe administrativa e a conduta dos profissionais envolvidos foram tão consternadoras que ultrapassam qualquer limite mínimo de ética profissional, acolhimento humanizado e responsabilidade institucional esperados de um serviço público de saúde.

Durante todo o período de internação na UTI, fomos informados pela equipe de que seríamos imediatamente comunicados caso houvesse qualquer complicação clínica relevante. Entretanto, essa orientação não foi respeitada. Fomos contatados apenas cerca de duas horas após o óbito já ter ocorrido, sendo orientados a nos dirigir ao hospital, sem que fosse esclarecido naquele momento que o falecimento já havia sido constatado.

Tal conduta demonstra grave falha na comunicação institucional e profundo desrespeito à família do paciente, que foi privada do direito de estar presente ou de ser informada com a devida urgência sobre o agravamento do quadro clínico antes do momento do falecimento.

Ao chegar ao hospital e receber a notícia da [Editado pelo Reclame Aqui] do meu irmão, a situação se agravou de forma ainda mais inaceitável. No momento em que tentava, em estado de desespero, comunicar outros familiares sobre o ocorrido, uma enfermeira responsável pela UTI retirou o celular das minhas mãos sem qualquer orientação, explicação ou justificativa.
Esse ato foi abrupto, hostil e profundamente violento do ponto de vista emocional, especialmente considerando o contexto de extremo sofrimento em que eu me encontrava naquele momento. Tal conduta é incompatível com qualquer princípio de acolhimento, respeito e dignidade no atendimento a familiares de pacientes em situação de óbito.

Ressalto que não houve qualquer tentativa de mediação, explicação ou orientação prévia por parte da profissional, o que torna a atitude ainda mais grave, desproporcional e desrespeitosa.
Além disso, ao receber a notícia do falecimento, supliquei à equipe hospitalar que prestasse auxílio para amparar minha mãe, uma senhora idosa, para que a notícia fosse comunicada de forma minimamente cuidadosa e com suporte adequado. Trata-se de uma prática amplamente reconhecida em protocolos de humanização hospitalar: oferecer acompanhamento e suporte emocional à família no momento da comunicação de um óbito.
No entanto, a resposta recebida foi a seguinte:
Se ela passar mal, pode descer lá embaixo e levar ela para a emergência.

Essa resposta evidencia total despreparo, negligência institucional e ausência de qualquer protocolo de acolhimento familiar, especialmente em um momento de extrema vulnerabilidade emocional.

Como era previsível diante de tamanho choque, minha mãe passou mal dentro das dependências do hospital. Ainda assim, não recebemos qualquer apoio, orientação ou assistência da equipe, sendo eu mesma obrigada a prestar auxílio a ela enquanto, simultaneamente, tentava compreender e resolver os procedimentos relacionados ao falecimento do meu irmão.

A situação foi agravada por outra falha grave: a demora injustificável na comunicação oficial do óbito e na orientação dos procedimentos subsequentes. Após sermos informados do falecimento, ainda fomos submetidos a cerca de quatro horas de espera dentro da unidade hospitalar, sem suporte institucional adequado, sem acolhimento e sem orientações claras.

A única orientação recebida foi a de que eu deveria me dirigir ao Cemitério Municipal de Diadema para tratar dos trâmites relativos ao velório. Essa informação foi fornecida com a garantia expressa da equipe hospitalar de que o procedimento seria possível, mesmo após eu ter informado que o CEP de residência da família é da cidade de São Paulo.

No entanto, ao finalmente conseguir os documentos necessários e me dirigir ao local indicado, fui informada de que o velório não poderia ser realizado naquele cemitério, o que demonstra que a orientação fornecida pelo hospital foi equivocada, irresponsável e prestada sem a devida verificação.

Diante dessa nova situação de desamparo, precisei entrar em contato novamente com a administração do hospital. A única resposta recebida foi:
Isso nunca aconteceu antes, não podemos fazer nada. Aconselho ir à delegacia.

Essa postura institucional é inadmissível e revela completo abandono da família em um momento de extrema fragilidade emocional. O hospital não apenas falhou na condução do atendimento e da comunicação do óbito, como também se eximiu de qualquer responsabilidade posterior na orientação adequada da família.

Os fatos narrados indicam graves falhas na prestação do serviço público de saúde, incluindo:

- falha na comunicação de agravamento clínico e óbito;
- ausência de acolhimento humanizado à família;
- conduta hostil e desrespeitosa por parte de profissional da equipe;
- falta de suporte no momento da comunicação da [Editado pelo Reclame Aqui];
- negligência no amparo a familiar idoso que passou mal dentro da unidade;
- orientação administrativa incorreta quanto aos procedimentos funerários.

Diante da gravidade dos acontecimentos, requeiro formalmente:
A abertura imediata de apuração administrativa interna para investigação das condutas relatadas;
A identificação dos profissionais envolvidos, especialmente da responsável pela UTI que retirou meu celular sem justificativa;
O esclarecimento sobre quais protocolos de comunicação de óbito e acolhimento familiar são adotados pela instituição, e por que não foram observados neste caso;
A apresentação de resposta formal da direção do Hospital Estadual de Diadema acerca das medidas que serão tomadas.

A perda de um familiar já constitui uma dor irreparável. O que ocorreu neste hospital agravou de forma profunda e desnecessária o sofrimento de uma família em luto, em razão de condutas negligentes, desumanizadas e incompatíveis com a responsabilidade de uma instituição pública de saúde.
Reitero, portanto, a exigência de resposta formal e providências concretas, pois os fatos relatados não podem ser tratados como meros incidentes isolados, mas sim como falhas institucionais graves que precisam ser devidamente apuradas e responsabilizadas.

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Resposta da empresa

10/03/2026 às 07:45

Mensagem: Favor informar nome, filiação e data de nascimento do paciente, para a devida apuração.
Atenciosamente,
SPDM

Réplica da empresa

10/03/2026 às 14:31

Assim que recebemos a manifestação, foi iniciada uma apuração interna com análise dos registros assistenciais em prontuário e escuta com profissionais envolvidos no evento para compreender de forma detalhada como foi o atendimento e conversa com familiares .
De acordo com registros assistenciais, o paciente deu entrada em nossa unidade extremamente grave , com 10 minutos de parada cardiorrespiratória , tendo a equipe iniciado as manobras de ressuscitação e assistência de acordo com protocolos clínicos preconizados . Após 54 minutos de reanimação o paciente voltou e foi prontamente encaminhado para a UTI adulto ( em menos de 1 hora). Apesar destes esforços , o paciente manteve um quadro clinico de extrema gravidade e evoluiu a óbito 15 horas após a entrada na nossa instituição.
No processo de apuração realizado até o momento, os profissionais envolvidos relatam que seguiram os procedimentos de comunicação de óbito adotados na instituição e não confirmaram as situações descritas no relato apresentado.
Ainda assim, como a instituição tem compromisso com a transparência e respeito aos familiares, agendamos uma reunião presencial no dia 11/03/2026, às 13:30 hs, para esclarecimentos e considerações, mas não estamos conseguindo contato através dos telefones fornecidos.
Colocamos à disposição os telefones da Ouvidoria do HED 3583-1516 / 99349-5481.
Atenciosamente,
Hospital Estadual de Diadema - SPDM