Atendimento desrespeitoso e falta de estrutura no Hospital Memorial Engenho de Dentro

Reclamação não respondida

Não respondida

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Rio de Janeiro - RJ

17/09/2026 às 08:03

ID: 259253379

Venho registrar uma reclamação sobre o atendimento prestado à minha irmã no Hospital Memorial Engenho de Dentro, integrante da rede ASSIM, no dia 08/09/2026, por volta das 22h/23h.

Naquela noite, minha irmã apresentou um quadro importante de vômitos e diarreia, acompanhado de intensa dor abdominal irradiando para as costas. Ela estava tão debilitada que não conseguia permanecer em pé e precisou ser transportada em cadeira de rodas.

Ao chegarmos ao hospital, pedi uma cadeira de rodas a um enfermeiro, que informou que a emergência não funcionava mais naquele local e que deveríamos ir para o prédio ao lado. Ele disse que estava atendendo um paciente em estado crítico e, por isso, precisei conduzir minha irmã sozinha pela rua, sem qualquer auxílio, pois não tinha outro funcionário na entrada.

Ao chegarmos ao local indicado, minha irmã estava extremamente pálida, com muita dor e apresentando sinais de que poderia desmaiar. O setor estava identificado como Pronto Atendimento e havia diversos pacientes aguardando.

Não havia nenhum profissional disponível na entrada para receber os pacientes, explicar o fluxo ou realizar uma avaliação inicial, apenas o segurança, que deu a orientação.

Meu pai precisou resolver os procedimentos burocráticos do plano enquanto minha irmã permanecia em cadeira de rodas, em intenso sofrimento, precisando inclusive deitar e sem ter espaço ou condições adequadas para isso.

Não questiono o fato de outros pacientes aguardarem atendimento e muito menos estou dizendo que minha irmã deveria passar à frente de alguém por utilizar um plano de saúde. O problema é outro: em um serviço de urgência e emergência, os pacientes precisam ser avaliados individualmente conforme a gravidade de seus quadros.

Havia pessoas relatando que estavam esperando desde aproximadamente 19h, e algumas também aparentavam necessitar de avaliação mais rápida. Isso nos fez questionar se havia, de fato, uma classificação de risco sendo realizada de maneira adequada ou se os pacientes estavam simplesmente sendo submetidos a uma fila por ordem de chegada.

Também há uma questão de organização que precisa ser esclarecida: fomos direcionados para um local informado como sendo a emergência, mas a própria sinalização indicava Pronto Atendimento. Posteriormente, percebemos que os atendimentos de pronto atendimento e de urgência/emergência estavam acontecendo conjuntamente naquele espaço.

A estrutura física também era extremamente pequena para a quantidade de pacientes. A sala de medicação estava lotada, inclusive com pacientes que aparentavam estar em condições mais graves. Havia uma evidente sobrecarga, e pelo que pudemos observar havia apenas uma médica para atender os pacientes, preencher informações no computador e lidar com toda a demanda.

Depois que meu pai conseguiu auxílio, uma enfermeira levou minha irmã para outra sala para preencher a ficha dos sintomas. Naquele momento, foram constatadas temperatura muito baixa e pressão arterial elevada. Mesmo assim, ainda houve demora na outra sala para iniciar o soro e a medicação.

E, além dos problemas estruturais, houve situações de desrespeito que considero inadmissíveis.

Enquanto minha irmã estava dentro da sala, levada por outra enfermeira, para receber medicação, uma enfermeira, aparentemente da triagem, que deveria estar lá fora auxiliando os pacientes, chamando alto pelo corredor por outra profissional se minha irmã havia passado pela médica antes de chegar àquele setor. Ao saber que não, fez uma expressão de deboche e disse:

Ah, porque ela está aqui dentro, né?

Minha irmã estava praticamente desmaiando naquele momento. O comentário transmitiu uma postura de descrédito em relação à presença dela no setor, como se sua procura pelo atendimento não fosse legítima. Precisei intervir e questionar a profissional, o que a deixou surpresa porque não imaginava que eu era parente.

A médica responsável pelo atendimento também não realizou inicialmente uma avaliação física adequada. Ela só passou a avaliar minha irmã de forma mais efetiva depois que comecei a cobrar insistentemente que ela fosse atendida.

Após o primeiro soro e medicação, minha irmã voltou a sentir muito enjoo. A médica então determinou novo soro, medicamento para náusea e omeprazol.

Quando minha irmã retornou à sala de medicação por orientação médica, a enfermeira que havia realizado o primeiro soro e medicação disse, em tom de indignação:

Ela está de novo aqui?

Na tentativa de colocar o novo acesso, a mão da minha irmã sangrou bastante, dava pra perceber a má vontade. Além disso, apesar da orientação da médica, a enfermeira afirmou que daria apenas um sorinho e que depois ela iria para casa. Quando expliquei que a médica havia determinado outras medicações, ela respondeu novamente: Ah, vai ser só mais um sorinho só pra ela.

Precisei procurar a médica novamente para que ela reforçasse a própria orientação e a medicação fosse administrada.

Quando a minha irmã chegou, estava sentindo muito frio e solicitei um cobertor. Fomos informados de que não havia cobertores disponíveis naquele momento, apenas alguns que precisavam ser lavados, e que tentariam conseguir um. Felizmente, eu e meu pai estávamos de casaco. Mas é preocupante que uma paciente em atendimento, debilitada e com temperatura muito baixa, não tivesse sequer um cobertor disponível.

Minha mãe é médica e minha irmã é psicóloga, tendo inclusive experiência anterior como psicóloga hospitalar. Nossa família, portanto, conhece a rotina e as dificuldades dos serviços de saúde.

Justamente por termos conhecimento da área, sabemos também a importância da classificação de risco, da organização do fluxo, da avaliação individual do paciente e, principalmente, do acolhimento e do respeito a quem chega ao hospital em sofrimento.

Não estamos reivindicando privilégio. Estamos reivindicando o mínimo esperado de um serviço de saúde: que uma pessoa que chega sem conseguir ficar em pé, em cadeira de rodas, com dor intensa e sinais de agravamento seja recebida, avaliada adequadamente e tratada com respeito.

Pagamos pelo plano e esperamos ter acesso a um atendimento digno na rede oferecida pela operadora. Isso não significa passar à frente de ninguém, mas também não significa aceitar deboche, falta de acolhimento, estrutura inadequada e uma aparente ausência de avaliação individual dos pacientes.

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