Reclamação sobre falta de acolhimento, empatia e humanidade durante internação e desleixo na administração de dieta, resultando em sofrimento adicional para paciente e família.

Em réplica
João Pessoa - PB
10/06/2026 às 05:56
ID: 250980443
Meu filho estava internado no Hospital Nossa Senhora das Neves em razão do quadro avançado de Meduloblastoma.
Desde 23/09/*******, tivemos algumas idas à emergência devido a episódios que hoje sabemos terem sido crises convulsivas. Eu e minha família, como leigos, não sabíamos identificar o que estava acontecendo, e, nas primeiras ocasiões, o hospital também não tratou esses episódios como convulsões. A cada nova crise, meu filho apresentava mais sequelas e maior comprometimento do seu estado de saúde.
A situação se agravou quando, durante a realização de uma ressonância magnética, ele apresentou cinco crises convulsivas. Por orientação do seu oncologista, seguimos imediatamente para o hospital. Desta vez, os episódios foram identificados como convulsões. Meu filho já estava muito debilitado e carregava as consequências das crises anteriores.
Ele foi internado na UTI e, posteriormente, transferido para a enfermaria. Enquanto isso, eu travava uma luta diária com o plano de saúde para conseguir a liberação do Home Care.
Em um determinado momento, por um descuido, uma das medicações utilizadas para controle das convulsões deixou de ser administrada. Na noite de 16/10/*******, meu filho apresentou uma nova crise convulsiva. Foi realizada uma tomografia computadorizada e ele precisou retornar à UTI.
Ao chegar à unidade, a médica plantonista demorou a avaliá-lo. Meu marido foi procurá-la e a encontrou tratando de assuntos particulares relacionados à negociação de um imóvel com seu corretor, enquanto nosso filho permanecia inconsciente após a crise.
No dia seguinte, 17/10/*******, meu filho começou a apresentar engasgos. Com receio de uma broncoaspiração, a fonoaudióloga decidiu passar uma sonda nasoenteral por volta das 9 horas da manhã. A partir daquele momento, percebi o quanto ele sofreu. Foi extremamente difícil vê-lo naquela condição, e tive a sensação de que ele havia perdido as forças para continuar lutando.
Após a passagem da sonda, passei o dia inteiro solicitando a dieta prescrita para ele. Repetidamente me informavam que ela estava a caminho. Permaneci no hospital até as 21 horas e, quando saí para trocar o plantão com outra pessoa da família, a dieta ainda não havia chegado. Meu filho passou praticamente o dia inteiro com a sonda sem receber a alimentação prescrita. Essa foi a última vez que o vi com vida.
Meu filho faleceu no dia 18/10/*******, às 5h15 da manhã, em um sábado.
O Home Care, pelo qual lutei tanto, foi liberado apenas na segunda-feira, quando ele já não estava mais entre nós.
Não culpo o hospital pela partida do meu filho. Eu sabia da gravidade da sua doença e da batalha que ele enfrentava. No entanto, não consigo esquecer a falta de acolhimento, de empatia e de humanidade que presenciei durante sua internação na UTI.
Infelizmente, senti um ambiente marcado pelo desleixo em diversos momentos, especialmente por parte da equipe de enfermagem. Meu filho passou o dia inteiro com uma sonda que lhe causava enorme desconforto, aguardando uma dieta que só chegou por volta das 22 horas.
Após sua partida, a sensação que tivemos foi de pressa para liberar o quarto e retirar nossa família do hospital. Ainda em estado de choque, com uma dor indescritível no peito e tentando compreender a perda do meu filho, vi o enfermeiro responsável por ele naquela noite sentado ao computador, cantarolando, como se nada tivesse acontecido.
O Hospital Nossa Senhora das Neves não causou a [Editado pelo Reclame Aqui] do meu filho, mas tornou sua partida muito mais dolorosa para todos nós. Faltaram sensibilidade, acolhimento e respeito em um dos momentos mais devastadores que uma família pode enfrentar.
Também não posso deixar de mencionar que um exame de líquor foi realizado duas vezes, causando sofrimento e dor ao meu filho. Até hoje, nossa família não recebeu o resultado desse exame. No entanto, o procedimento foi devidamente cobrado ao plano de saúde.
Só consegui escrever este relato agora, sete meses depois. Ainda assim, todos os dias essas lembranças me machucam. A dor da perda do meu filho é imensa, permanente e impossível de descrever por completo.
O que mais me fere, além da saudade, é a sensação de que fomos apenas mais um número, mais uma família atravessando a pior dor de suas vidas sem o acolhimento e a humanidade que esperávamos encontrar.
Sem mais.
Daniela Oliveira
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Resposta da empresa
17/07/2026 às 14:10
Prezada Sra. Daniela, Boa Tarde!
Esclarecemos que foram realizadas tentativas de contato com os telefones informados na reclamação, porém sem sucesso.
Diante disso, colocamos à sua disposição a Central de Atendimento da Ouvidoria Corporativa através do telefone 3003-4330 de segunda a sexta das 8h às 18h para que sejam prestados os esclarecimentos necessários.
Cordialmente,
Ouvidoria Rede DOr.
Réplica do consumidor
19/07/2026 às 11:18
Nao r cebo nenhuma ligação. A minha percepção pela falta de acolhimento e empatia é a mesma. Num momento que meu filho estava em processo paliativo, era tratado como invisível aos olhos dos médicos e da equipe de enfermagem.