Insatisfação com atendimento pediátrico no Hospital Pasteur: Demora, falhas na comunicação, erros em medicação e falta de empatia

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Rio de Janeiro - RJ

29/05/2026 às 16:05

ID: 250059401

Venho registrar minha profunda insatisfação com o atendimento prestado durante a internação da minha filha de 2 anos no Hospital Pasteur Pediátrico.

Minha filha foi internada no domingo em decorrência de um grave quadro respiratório. Durante a internação, fomos informados da necessidade de transferência para o CTI Pediátrico, porém não havia leito disponível. Mesmo diante da indicação médica, permanecemos por dias em um box de observação aguardando vaga.

Desde o início da internação, enfrentamos uma série de problemas que demonstram falhas na assistência, na comunicação, na organização e na gestão da unidade.

Houve demora excessiva para atendimento sempre que a equipe era acionada, além de dificuldades para obter informações claras sobre o estado clínico da paciente e sobre a conduta adotada. As informações fornecidas variavam constantemente de acordo com o plantão. O que era informado pela equipe da manhã frequentemente era contradito pela equipe da noite, gerando insegurança e impedindo que a família tivesse confiança nas orientações recebidas.

Também enfrentamos falta de transparência em relação à disponibilidade de leitos e ao local para onde minha filha seria encaminhada. Em determinado momento, fomos informados de que ela seria transferida para o CTI. Posteriormente, quando apresentou melhora clínica, foi transferida para outro setor, e a família acreditava que se tratava do CTI, conforme informações recebidas. Somente depois fomos informados de que se tratava de um quarto de internação, o que evidencia a falta de clareza e alinhamento das informações repassadas aos responsáveis.

Outro ponto extremamente preocupante foi a administração de medicamentos. Durante a internação, houve atrasos na aplicação de medicações prescritas. Além disso, em determinado momento fomos informados de que minha filha estava recebendo um medicamento específico e, posteriormente, recebemos informação diferente sobre qual medicamento efetivamente estava sendo administrado. Situações como essa geram insegurança e colocam em dúvida a confiabilidade das informações prestadas pela equipe.

Também identifiquei informações registradas em documentos e receituários que não reconheço como pertencentes ao histórico médico da minha filha. Entre elas, constava referência a uma condição compatível com anemia falciforme, diagnóstico que jamais foi informado à família e que não faz parte do histórico conhecido da paciente. Solicito esclarecimentos sobre a origem dessas informações e sobre os procedimentos adotados para garantir a correta identificação e registro dos dados dos pacientes.

A falta de organização da assistência também ficou evidente em relação aos acessos venosos. Minha filha precisou ser submetida a diversas punções ao longo da internação, sendo furada repetidas vezes. Como mãe, foi extremamente angustiante assistir uma criança de apenas 2 anos passar por sucessivas tentativas de acesso, muitas delas decorrentes da falta de verificação prévia, comunicação adequada e coordenação entre os profissionais envolvidos. Trata-se de um sofrimento desnecessário que poderia ter sido minimizado com maior planejamento e atenção da equipe.

Além disso, presenciei diversas situações de falta de profissionalismo entre membros da equipe. Profissionais discutiam questões internas e falavam mal uns dos outros em áreas próximas aos pacientes e acompanhantes, sem qualquer preocupação em preservar o ambiente hospitalar e o respeito às famílias que ali se encontravam em um momento de fragilidade. Essa postura transmite desorganização, insegurança e falta de comprometimento institucional.

Outro aspecto que considero extremamente grave foi a falta de empatia demonstrada durante toda a internação. Em nenhum momento a família se sentiu acolhida. Tivemos que insistir diversas vezes para obter informações, esclarecimentos e posicionamentos. A sensação constante era de abandono, desinformação e descaso.

Por fim, destaco a demora injustificada para a realização da alta hospitalar. A médica responsável informou que minha filha estava liberada e que providenciaria toda a documentação necessária para a alta. No entanto, horas se passaram sem qualquer atualização ou conclusão do processo. Além do desgaste desnecessário para a paciente e sua família, tal demora impacta diretamente a gestão dos leitos hospitalares. Caso a alta tivesse sido efetivada dentro do prazo informado, o leito poderia ter sido disponibilizado para outra criança que aguardava internação, contribuindo inclusive para a redução da fila de espera por vagas.

Uma internação pediátrica já é, por si só, uma experiência extremamente difícil para qualquer família. O mínimo esperado de uma instituição de saúde é organização, comunicação transparente, segurança assistencial, respeito e acolhimento. Infelizmente, nossa experiência foi marcada por atrasos, informações contraditórias, falhas na assistência, falta de leitos, falhas na administração de medicamentos, registros questionáveis em prontuário, ausência de empatia e evidente falta de alinhamento entre as equipes.

O que mais marcou esta internação não foi apenas a doença da minha filha, mas a sensação constante de que precisávamos fiscalizar, cobrar e acompanhar cada etapa do atendimento para garantir que suas necessidades fossem efetivamente atendidas.

Solicito que esta reclamação seja formalmente apurada pela Direção e pela Ouvidoria do Hospital, com a devida análise dos fatos relatados e o retorno das providências adotadas para que outras crianças e famílias não sejam submetidas à mesma experiência.

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