Insatisfação com controle de dor e atendimento hospitalar no Hospital Samaritano Higienópolis

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São Paulo - SP
03/06/2026 às 21:32
ID: 250492785
Venho por meio desta expressar minha profunda insatisfação com o tratamento recebido durante minha internação no Hospital Samaritano Higienópolis.
Fui submetida a uma cirurgia de coluna lombar por via posterior, sendo esta minha segunda cirurgia na região, uma vez que a primeira não obteve o resultado esperado. Em decorrência da falha de consolidação vertebral após o primeiro procedimento, passei a conviver com dores intensas e crônicas, fazendo uso regular de opioides, incluindo morfina, que é um dos poucos medicamentos eficazes para o controle da minha dor e que não me causa reações adversas.
Possuo múltiplas alergias medicamentosas, informação que foi devidamente comunicada à equipe médica antes da realização da cirurgia. Após o procedimento, meu caso foi encaminhado à equipe especializada em controle da dor. No entanto, a experiência com essa equipe foi extremamente desgastante.
Apesar das diversas tentativas de diálogo por parte minha e de minha acompanhante, a dosagem da medicação não foi adequadamente ajustada. Informamos repetidamente que a dose de 4 mg de morfina era insuficiente para controlar a dor pós-operatória, considerando que eu já utilizava esse medicamento anteriormente para o manejo das minhas crises dolorosas. Ainda assim, senti que minhas queixas não foram devidamente consideradas, sendo frequentemente recebidas com descrença e pouca disposição para ouvir meu histórico clínico.
Encontrei-me em uma situação extremamente vulnerável: recém-operada, com dez parafusos implantados na coluna, sem conseguir me locomover devido à intensidade da dor e sem o adequado controle analgésico. Durante esse período, a principal preocupação demonstrada pela equipe parecia ser a retirada da sonda urinária, mesmo diante das minhas limitações físicas e do sofrimento que eu estava enfrentando.
Em determinado momento, solicitei que meu acompanhamento fosse transferido para outra equipe, pois não me sentia acolhida nem adequadamente assistida pela equipe responsável pelo controle da dor. Meu pedido, entretanto, não foi atendido de forma satisfatória.
Também gostaria de registrar que sou autista e informei essa condição à equipe. Ainda assim, era frequente a entrada simultânea de diversos profissionais no quarto, o que me causava grande desconforto e sobrecarga sensorial. Apesar de minhas solicitações, essa situação continuou ocorrendo.
Minha noiva, que é enfermeira, acompanhou toda a internação e presenciou os acontecimentos relatados. Inclusive, ela recebeu autorização para me acompanhar até o centro cirúrgico. Após a cirurgia, ainda sob efeito da anestesia e sem plena consciência, fui encaminhada ao quarto utilizando botas pneumáticas para prevenção de trombose. Posteriormente, fui surpreendida com a cobrança aproximada de R$ 1.500,00 referente ao equipamento, sem que houvesse qualquer informação ou consentimento prévio acerca dessa despesa.
Minha principal reclamação refere-se à atuação da equipe de controle da dor. Durante toda a internação, senti-me desamparada, sem que minhas queixas fossem devidamente ouvidas ou consideradas. Diversos profissionais que me atenderam demonstraram compreender a necessidade de reavaliação da analgesia, porém afirmavam não poder interferir por se tratar de uma conduta definida exclusivamente pela equipe da dor.
Após mais de uma semana sofrendo com dores intensas e sem melhora significativa do quadro, tomei a difícil decisão de solicitar alta hospitalar, mesmo sem me sentir plenamente recuperada. Entendi que permanecer internada, sem o adequado controle da dor, estava agravando meu sofrimento físico e emocional.
Considero esta uma das piores experiências hospitalares que já vivi. Já passei por internações em hospitais públicos de alta complexidade e, em nenhuma ocasião, senti-me tão desassistida. Durante minha permanência no hospital, realizei registros em vídeo que demonstram meu estado de sofrimento e a intensidade da dor enfrentada.
Diante dos fatos relatados, solicito uma apuração criteriosa do ocorrido, especialmente em relação à conduta da equipe de controle da dor, ao acolhimento prestado ao paciente e à comunicação sobre procedimentos e cobranças realizadas durante a internação.
Também informo que esta reclamação será encaminhada aos órgãos competentes, incluindo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), para análise e providências cabíveis.
Atenciosamente,