Falha na assistência hospitalar a idosa: falta de água quente, jejum prolongado, atraso na UTI e medicação incorreta.

Não respondida
São Bernardo do Campo - SP
22/07/2026 às 12:44
ID: 254557393
Venho, por meio desta, registrar uma reclamação formal referente ao atendimento prestado à minha mãe, de 84 anos, beneficiária do IAMSPE, durante sua internação no Hospital Santa Ana, em São Caetano do Sul.
Minha mãe foi internada em 24/06/2026 para realização de exames, tendo sido solicitado pelo médico o preparo para uma colonoscopia. Na noite da internação, foi realizado o preparo para o exame, incluindo a administração da medicação específica e a lavagem intestinal. Entretanto, a colonoscopia não pôde ser realizada na data prevista, sendo necessário submetê-la a um novo preparo em outra oportunidade, o que agravou ainda mais seu estado físico.
Durante a madrugada, em decorrência dos efeitos do preparo, minha mãe necessitou de higiene completa. Considerando sua idade avançada e sua limitação de mobilidade, uma auxiliar de enfermagem auxiliou na higienização da cama, enquanto eu realizei sua higiene pessoal. Contudo, por volta das 4 horas da manhã, com temperatura aproximada de 10C, verificamos que o chuveiro fornecia apenas água fria.
Comuniquei imediatamente o fato à auxiliar de enfermagem, que orientou aguardar cerca de vinte minutos para que a água aquecesse. Após esse período, o problema persistiu, impossibilitando que minha mãe recebesse um banho em condições mínimas de conforto, dignidade e segurança.
Na troca de plantão, pela manhã, relatei novamente o ocorrido à equipe de enfermagem. Fui informada de que providenciariam o banho e, ao questionar a ausência de água quente durante a madrugada, recebi a informação de que o sistema de aquecimento do hospital funciona por meio de caldeira, a qual permanece desligada durante a noite, motivo pelo qual os chuveiros fornecem apenas água fria nesse período.
Outro fato extremamente preocupante foi o período de aproximadamente 48 horas de jejum absoluto, inclusive sem ingestão de água, após a realização do primeiro preparo. Durante esse período, minha mãe apresentou sangramento intestinal, com presença de sangue nas fezes, levando o médico assistente a solicitar sua transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Entretanto, conforme fomos informados, a transferência não foi autorizada pelo hospital sob a justificativa de que ela não preenchia os critérios para internação em UTI. A transferência somente foi autorizada aproximadamente três dias depois, após a ocorrência de um novo episódio de sangramento.
Ressalto que se trata de uma paciente de 84 anos, portadora de anemia grave, trombose e sangramento intestinal, submetida a dois preparos completos para colonoscopia, situação que exigia acompanhamento rigoroso e contínuo. Posteriormente, o jejum foi suspenso e foi iniciada apenas dieta leve.
Outro episódio de grande desatenção ocorreu na noite de 26/06/2026. No momento da distribuição da ceia, observei que nenhuma refeição havia sido entregue à minha mãe. Informei ao funcionário responsável que ela já não se encontrava mais em jejum, porém fui completamente ignorada. Em seguida, relatei a situação à enfermeira responsável pelo plantão, que informou que resolveria o problema, mas nenhuma providência foi tomada.
Somente após nova reclamação dirigida a outra funcionária é que a ceia foi entregue, às 23h17, várias horas após o horário habitual. Diante do atraso excessivo, optei por não permitir que minha mãe realizasse aquela refeição naquele horário, pois já não era adequado. Para que ela não permanecesse sem alimentação, compartilhei com ela a refeição que havia sido servida para mim como acompanhante.
Outro ponto que merece destaque refere-se ao tratamento da anemia. Em 13/07/2026, fui informada pelo médico de que os níveis de anemia da minha mãe estavam diminuindo significativamente, situação considerada preocupante. Questionei sobre a medicação, pois, antes da internação, ela já realizava tratamento para anemia, inclusive com aplicações intravenosas iniciadas na Unidade Básica de Saúde próxima à nossa residência. Essa informação foi comunicada ao hospital no momento da internação.
Entretanto, constatou-se que essa medicação não havia sido prescrita durante a internação. O médico esclareceu que se trata de um medicamento cujo efeito pode levar até 21 dias para ocorrer. Considerando que minha mãe já havia iniciado esse tratamento antes da internação, a continuidade da terapia deveria ter sido mantida desde o primeiro dia de internação. No entanto, a medicação somente voltou a ser administrada em 14/07/2026, após diversos dias de internação.
Também enfrentei constantes dificuldades para a realização da higiene diária da paciente devido à demora na disponibilização da cadeira de banho. Em diversas ocasiões aguardamos por longos períodos até que o equipamento fosse disponibilizado e, quando finalmente chegava ao quarto, frequentemente encontrava-se quebrado, impossibilitando sua utilização e causando ainda mais desconforto e constrangimento.
Diante de todos os fatos relatados, considero que houve falhas importantes na assistência prestada, especialmente no que se refere ao conforto, à segurança, à continuidade do tratamento medicamentoso, à alimentação, às condições de higiene e ao atendimento às necessidades de uma paciente idosa, fragilizada e com quadro clínico complexo.
Não posso deixar de registrar meu reconhecimento e minha gratidão à equipe de enfermagem, que, em sua grande maioria, demonstrou profissionalismo, dedicação, humanidade e respeito durante todo o período de internação. Apesar das dificuldades enfrentadas, esses profissionais procuraram prestar o melhor atendimento possível, proporcionando maior conforto e acolhimento aos pacientes.
Diante do exposto, solicito que esta manifestação seja devidamente apurada, com análise criteriosa das condutas adotadas durante a internação de minha mãe, bem como a adoção das medidas administrativas cabíveis para corrigir as falhas apontadas e evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer com outros pacientes.
Solicito, ainda, que sejam prestados esclarecimentos acerca dos seguintes pontos:
Por que o sistema de aquecimento de água permanece desligado durante o período noturno, impedindo que pacientes internados recebam banho quente quando necessário?
Quais foram os motivos que levaram à demora na autorização da transferência para a UTI, mesmo diante do agravamento do quadro clínico da paciente?
Por qual razão a medicação utilizada para o tratamento da anemia, informada no ato da internação, não foi prescrita e administrada desde o início da internação?
Quais medidas serão adotadas para evitar atrasos na alimentação dos pacientes e garantir a disponibilidade de equipamentos em condições adequadas de uso, como as cadeiras de banho?
Aguardo um posicionamento formal acerca dos fatos relatados,
Atenciosamente,
Filha e acompanhante da paciente