NEGLIGÊNCIA NO HOSPITAL SANTA JÚLIA

Não respondida
Manaus - AM
03/12/2024 às 17:53
ID: 203581817
Essa reclamação foi publicada há mais de 1 ano
Ver todas ReclamaçõesMeu parto foi realizado no Hospital Santa Júlia em 05/10/*******. Cheguei ao hospital por volta das 1h da manhã de 04/10/*******, com 34 semanas de gestação e a intenção de ter um parto normal. Após exames, foi constatado que eu estava perdendo líquido, e no toque realizado pela médica, foi verificado que eu estava com 4 cm de dilatação.
O trabalho de parto durou cerca de 13 horas. Durante esse período, fui internada em um apartamento, acompanhada por minha mãe e minha sogra, mas sem monitoramento médico contínuo. As médicas realizavam o toque a cada 2 horas. Após aproximadamente 12 horas, fui informada de que meu filho estava em sofrimento fetal e que seria necessária a realização de uma cesárea de emergência. Cerca de duas horas depois, com a troca de plantão, outra médica fez o toque e constatou que eu já estava com 9 cm de dilatação. Por muito pouco, não perdi meu filho, que estava em sofrimento, com batimentos cardíacos acelerados, o que motivou a cesárea de urgência.
A médica responsável correu comigo pela maca pelos corredores, acionou o botão de emergência e tentou entrar em contato com a sala de cirurgia, mas ninguém atendia. Quando finalmente chegamos ao centro cirúrgico, vi a médica discutindo com a equipe, pois a sala ainda não estava pronta. A cesárea foi realizada e meu filho foi encaminhado para a UTI devido à prematuridade, precisando ganhar peso. Fui levada de volta ao apartamento para recuperação.
No dia 07/10/*******, recebi alta pela manhã, mas meu filho permaneceu internado na UTI. Decidi continuar no hospital para amamentá-lo. No final da tarde, por volta das 17h20, comecei a passar mal ainda dentro do hospital. Senti uma forte queimação no peito e uma tosse intensa que dificultava minha respiração.
Por causa do meu plano de saúde (FUNSA), que exige autorização prévia para atendimentos no Santa Júlia, o hospital se recusou a me atender, alegando que eu já havia recebido alta. Meu esposo tentou abrir uma ficha no pronto-socorro, mas não conseguiu. Ele precisou acionar o SAMU. A situação foi absurda: eu estava recém-operada, passando mal dentro do hospital onde havia dado à luz, e ainda assim, fui obrigada a sair de lá em uma ambulância para ser atendida no Hospital da Base Aérea de Manaus.
Meu filho permaneceu internado no Santa Júlia por 10 dias, mas enfrentamos diversas dificuldades. O hospital não fornecia as vitaminas necessárias para ele; tivemos que comprá-las por conta própria. Não havia médico no andar onde estávamos. Além disso, eu só recebia três refeições diárias: às 7h, 12h e 19h. Estava amamentando um bebê prematuro que precisava ganhar peso, mas não conseguia me alimentar adequadamente.
Meu esposo tentou levar alimentos extras, como suco, bolo e frutas, mas foi impedido. Ele procurou alguém que pudesse autorizar a entrada desses itens, mas não encontrou ninguém. Conversamos com enfermeiras, nutricionistas e assistentes sociais; mas não conseguimos falar com médicos, pois não havia nenhum disponível no andar. Diante dessa situação, meu esposo escreveu uma carta de próprio punho, e decidimos evadir do hospital.
Após essa experiência, meu estado psicológico ficou abalado. Minha produção de leite diminuiu drasticamente, e quase não consegui amamentar meu filho. O hospital, que deveria ser um lugar de acolhimento e cuidado, se transformou em um ambiente de sofrimento e dor. Em vez de ser um local de boas memórias, acabou se tornando uma experiência que me causou muito sofrimento.