Soberba Médica, Psiquiatrização Indevida e Alteração Abrupta de Diagnóstico em Paciente com Doença Rara no Hospital Santa Lúcia

Reclamação não respondida

Não respondida

Reclamar dessa empresa

Brasília - DF

26/05/2026 às 10:47

ID: 249699367

Minha internação no Hospital Santa Lúcia ocorreu entre os dias 17/03/2026 e 27/03/2026, após transferência do Hospital Brasília de Águas Claras, para tratamento de hiponatremia grave.

Sou paciente com diagnóstico prévio e documentado de diabetes insípido central parcial congênito, reconhecido pelo SUS, em uso regular de desmopressina. Trata-se de doença rara, especialmente em sua forma congênita e parcial. Ainda assim, em menos de 24 horas após admissão na UTI, a médica intensivista Dra. ***** e o jovem nefrologista Dr. ***** alteraram o diagnóstico para polidipsia primária, sem protocolo diagnóstico adequado e desconsiderando histórico clínico previamente estabelecido.

Apesar da existência de documentação médica prévia, cadastro na farmácia de alto custo do SUS e acompanhamento especializado anterior em neurologia, nefrologia e endocrinologia, os registros da UTI passaram a utilizar termos como polidipsia primária, polidipsia crônica e potomania, além de observações subjetivas sobre comportamento, em substituição a análise técnica objetiva do quadro clínico.

O aspecto mais preocupante da condução adotada foi a combinação de desconhecimento técnico sobre doença rara com postura de absoluta convicção diagnóstica, sem abertura para reavaliação crítica das premissas utilizadas. Em nenhum momento houve reconhecimento das limitações inerentes ao manejo de condição rara e complexa, tampouco disposição para reconsiderar hipótese diagnóstica incompatível com os próprios dados clínicos observados durante a internação.

A condução inicialmente estabelecida pela Dra. ***** e pelo Dr. ***** acabou influenciando os demais nefrologistas acionados posteriormente, gerando atuação convergente em torno da mesma hipótese diagnóstica, sem efetiva revisão crítica dos pressupostos adotados inicialmente. O resultado prático foi uma condução coletiva alinhada à tese inicialmente sustentada pela UTI, até que a paciente fosse reavaliada pelo intensivista Dr. ***** e pelo endocrinologista Dr. *****, profissionais que voltaram a reconhecer expressamente o diagnóstico de diabetes insípido nos registros médicos.

Também chama atenção a facilidade com que hipóteses psiquiátricas foram aventadas no contexto de uma doença rara que claramente não era dominada pela equipe envolvida. Em vez de reconhecer limites técnicos naturais diante de condição incomum e complexa, optou-se por sugerir encaminhamento psiquiátrico, como se manifestações clínicas não compreendidas pela equipe automaticamente passassem a ser interpretadas como comportamentais ou psiquiátricas.

A avaliação psicológica realizada no próprio hospital registrou juízo crítico preservado, coerência, orientação, compreensão adequada do quadro clínico e reação compatível com o contexto da internação, não identificando elementos que justificassem redirecionamento do caso para hipótese psiquiátrica.

Também registro que a Dra. ***** afirmou que eu deveria me ater à minha área profissional (petróleo) e não opinar sobre medicina, desconsiderando tratar-se de paciente com acompanhamento longitudinal de doença rara há décadas.
Os únicos profissionais do Hospital Santa Lúcia que mantiveram expressamente o diagnóstico de diabetes insípido nos registros médicos foram o intensivista Dr. ***** e o endocrinologista Dr. *****, ambos da semi-UTI, após o diagnóstico ter sido retirado dos documentos da UTI.

Formalizei reclamação junto à Ouvidoria do hospital sob protocolo n *****, em 23/03/2026, apontando inconsistências técnicas, falhas metodológicas e questionamentos objetivos. A resposta encaminhada em 25/03/2026 foi genérica e não enfrentou os pontos centrais levantados. Apresentei réplica formal no mesmo dia, reiterando as inconsistências e solicitando esclarecimentos técnicos adicionais, sem resposta adequada até o momento.

Estou encaminhando notificação extrajudicial ao Hospital Santa Lúcia para requerer a correção das informações constantes do prontuário médico, inclusive registros incompatíveis com meu histórico clínico documentado. Persistindo a ausência de retificação e esclarecimento técnico adequado, adotarei as medidas judiciais cabíveis.

Compartilhe